quinta-feira, 5 de junho de 2014

Queimada (Queimada) 1969



Sir William Walker (Marlon Brando) é um mercenário profissional que instiga uma revolta de escravos na ilha de Queimada, a fim de ajudar a melhorar o comércio de açúcar com os britânicos. Alguns anos mais tarde ele é enviado de novo para a ilha para lidar com os mesmos rebeldes, só que desta vez com objectivos diferentes, porque eles aproveitaram-se do poder, e ameaçam o comércio do açúcar com Inglaterra.
Um filme que retrata o conceito de liberdade no contexto colonial da América Latina. A certa altura Dolores diz a um soldado negro que o capturou: "A Liberdade é algo que tu deves tomar. Se o Homem te dá Liberdade, isso não é Liberdade". Esta declaração questiona as medidas para os quais os Latino Americanos estavam livres da exploração do imperialismo, e retrata a manipulação contínua das colónias pelos seus ex-colonizadores, à custa da população trabalhadora. Também retrata a incrível violência e destruição do meio ambiente, e da população das colónias, em nome dos recursos valiosos que os europeus tanto necessitavam. A última cena foca-se na dor e na raiva presente nos rostos da população negra que atravessou anos de devastação e perda em nome de uma liberdade nunca alcançada, e que, aparentemente, nunca será.
Gillo Pontecorvo vinha do sucesso de "A Batalha de Argel", e dá a "Queimada" uma inconfundível sensibilidade "larger than-life" de proporções épicas - completada por um grande número de personagens secundárias - e não há como negar no sucesso do filme a nível do puro espectáculo. Pontecorvo está perfeitamente consciente dos paralelismos políticos dos tempos modernos com a sua história, especialmente com a do Vietname. Tudo se sente próximo e imediato, Brando consegue arrancar uma interpretação memorável, e a banda sonora de Morricone é assombrosa. 

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