domingo, 8 de janeiro de 2017

Cosmic Journey (Kosmicheskiy Reys: Fantasticheskaya Novella) 1936

Apesar da sua precisão em vários aspectos sobre as viagens espaciais, "Cosmic Journey" era um filme pouco conhecido até recentemente. Até o filme de Fritz Lang "Woman in the Moon" (1929), recebeu uma distribuição muito maior, e ainda é um prazer ser visto, apesar de não ser tão preciso como este "Cosmic Voyage". 
Em 1932 a Komsomol, uma organização comunista juvenil na União Soviética de Staline, insistissem que os cineastas criassem obras que atraíssem os jovens. Alguns temas, incluindo a ficção científica, foram propostos. O realizador Vasily Zhuravlyov perguntou ao argumentista Aleksandr Filimonov, com quem já tinha trabalhado antes, se ele podia escrever um argumento sobre a primeira viagem da humanidade à Lua. Seguiram-se conversas com o lendário realizador Sergei Eisenstein, que tinha sido relegado para executivo num dos estúdios soviéticos de cinema. Eisenstein já não podia fazer filmes depois de regressar dos Estados Unidos e México, mas a proposta para este filme de ficção científica foi aceite, e Zhuravlyov com Filimonov começaram a trabalhar.
Para garantir a precisão científica contactaram Constantin Tsiolkovski, um professor, cientista e escritor. Este ficou tão animado com a possibilidade de ver algumas das suas teorias científicas sobre viagens espaciais serem colocadas num filme, que ofereceu os seus serviços como consultor. Embora compreendendo que a forma cinematográfica e o conteúdo dramático exigiria alguma flexibilidade de probabilidade científica, Tsiolkovski exigiu que alguns elementos devessem aparecer no filme: o foguete devia ser enviado de uma rampa em vez de verticalmente por causa do seu tamanho ser enorme, as cabines individuais deviam encher-se de água durante a descolagem para facilitar os efeitos da pressão externa no corpo humano, as estrelas no espaço não piscariam, os astronautas poderiam saltar na superfície da lua, o regresso da nave à terra devia ser feito com para-quedas. 
Durante uma série de reuniões, o realizador e os outros membros da equipa aprenderam muito sobre uma possível viagem à Lua, e a sua provável realidade. Tsiolkovski, com 78 anos na altura, ajudou com cálculos e apresentou 30 desenhos para manterem a nave o mais científica possível. A sua experiência como professor de matemática e geometria ajudou-o a tornar as suas idéias mais simples e compreensíveis. Muito depois da sua morte, Werner von Braun, um dos vários cientistas alemãs levados para os Estados Unidos depois da Segunda Guerra Mundial, para dirigir o programa espacial americano, elogiou os cálculos de Tsiolkovski, e como foram importantes para se fazerem as primeiras viagens espaciais. 
Em Dezembro de 1935 a montagem final do filme estava pronta. Estreava a 21 de Janeiro de 1936, e apesar de ser mudo, e a maioria dos filmes daquela altura já serem falados, conseguiu um enorme sucesso na União Soviética. A idéia de ser mudo, era para que pudesse ser visto até nas pequenas localidades do país, que ainda não tinha sistema de som. No entanto, e apesar da sua popularidade, o filme foi retirado da circulação pouco tempo depois. Os censores, além de decepcionados com a frívola viagem à Lua, sentiram que os personagens estavam mais interessados em atingir conhecimento científico em vez de promoverem a causa socialista. O filme permaneceu assim obscuro durante anos, até ser exibido em 1984, na televisão russa. 
Para o público ocidental é uma obra quase desconhecida, e que merece ser descoberta. Aproveitem esta versão, com intertitles em português. Nunca estreou, nem em Portugal nem no Brasil.

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