quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Madre Joana dos Anjos (Matka Joanna od Aniolów) 1961

Passado no século XVII. Um convento numa pequena cidade está a ser visitado por altos oficiais católicos que tentam exorcizar a freira supostamente possuída por demónios. Um sacerdote foi queimado por se ter deixado tentar pelas freiras, principalmente a Madre Superiora que traz a histeria colectiva ao grupo. Entretanto chega ao local um jovem sacerdote que vem ajudar no exorcismo. O seu primeiro encontro com a líder do Convento, a Madre Joana dos Anjos, deixa-lhe marcas, e demonstra que não vai ser uma trabalho fácil...
Baseado em acontecimentos reais reportados em Loudon, França, "Madre Joana dos Anjos" funciona como uma sequela histórica ao filme de Ken Russell sobre o mesmo assunto, "The Devils", contudo feito 10 anos antes. A igreja desencadeou uma investigação ao padre anterior de Loudon, o padre Urbain Grandier, e suspeitou que ele dormia com as freiras. O convento inteiro, sob um notável feitiço de possessão, também o acusou de bruxaria, acabando por ser queimado na fogueira.
O filme precede "The Exorcist", de William Friedkin, em dois temas, tanto na virgen inocente transformada em objecto do demónio, como no seu tratamento a assuntos relacionados com demónios. Contudo, Jerzy Kawalerowicz, um estudante da Escola de Cinema Polaca, utiliza muito bem a frenética Lucyna Winnicka, interpretando de forma quase sobrenatural, como uma rebelde contra as tendências realistas do passado cinematográfico do seu país. O país estava sob o regime comunista, e os filmes eram feitos sob estritas directrizes, para poderem ser exibidos na União Soviética.
"Madre Joana dos Anjos" é um filme pesado, visualmente vigoroso, e profundamente perturbador da fé, da repressão e do fanatismo. Trouxe problemas inultrapassáveis para o realizador, que teve problemas com a igreja durante muitos anos. Exibido em Cannes em 1961, ganhou o prémio especial do júri. É o filme mais famoso do realizador internacionalmente.
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