domingo, 25 de dezembro de 2016

Jerzy Kawalerowicz

Durante a Segunda Guerra Mundial era permitido filmar em todos os países debaixo da ocupação alemã, excepto na Polónia, pelo medo do uso subtil de referências patrióticas. Os filmes polacos que emergiam dos escombros da guerra, tendiam a lidar com temas como a ocupação nazi, os horrores da guerra, e os heróis da resistência, mas os filmes dirigidos por Jerzy Kawalerowicz eram uma excepção.
O seu mais famoso filme, "Mãe Joana dos Anjos" (1961), passado num convento do Século XVII, foi o primeiro filme polaco do pós-guerra a não lidar com a guerra: era a história de um padre que investigava possessões demoníacas entre freiras, para se tornar objecto do desejo da Madre Superiora. O tema, supostamente baseado em factos verídicos, também inspirou um livro de Aldous Huxley, um filme de Ken Russell, e uma opera de Krzysztof Penderecki, era uma poderosa alegoria do bem versus o mal, a castidade versus o erotismo.
De acordo com Kawalerowicz, de quem era de conhecimento público que era ateu, é tomada uma posição clara contra o dogma humano. Não seria de estranhar que a igreja se colocaria contra o filme desde o início, colocando panfletos nas igrejas avisando as pessoas que era pecado mortal ver o filme. Seriam precisos muitos anos até à reconciliação de Kawalerowicz com a igreja, até ao ano de 2001, quando o Papa polaco João Paulo II assistiu à estreia do último filme do realizador "Quo Vadis".
Kawalerowicz nasceu na cidade de Gwozdziec, que em breve se tornaria parte da rússia ucraniana. Nesta cidade 60% da população era composta por judeus, 30% ucranianos, 10% polacos, e era uma cidade muito típica da segunda guerra, destruída pelo holocausto. Este cenário serviria de base para um dos melhores filmes do realizador, "Austeria" (1982), passado no primeiro dia da Primeira Guerra Mundial, quando um grupo de judeus foge do exército cossaco do Czar, ficando encurralado numa estalagem. Com a sua inclinação habitual para o drama psicológico íntimo, e a sua inclinação para a história, Kawalerowicz pinta um retrato vívido, de um mundo recentemente desaparecido.
Kawalerowicz estou arte em Cracóvia, antes de entrar no instituto cinematográfico. Tornou-se assistem de realização com 20 e poucos anos, e começou a realizar em 1952. Em 1955 tornou-se líder da prestigiada unidade de produção KADR. Durante o seu mandato sempre resistiu a pressões do regime comunista para produzir abertamente filmes de propaganda. No entanto, ficou mal visto aos olhos de muitos, quando em 1983, assinou um documento que criticava alguns realizadores, como Andrzej Wajda, que antes apoiava solidariamente.
Os filmes que realizava, muitas vezes com alguns anos de diferença, mudavam muito de estilo e de assunto, de um para o outro. "Night Train" (1959), está algo entre o estudo psicológico e um thriller. Conta a história de uma mulher que sofre uma crise interna, compra um bilhete para um comboio de férias lotado, e se vê a dividir o compartimento com um médico infeliz. A policia embarca no comboio em busca de um assassino.
O último filme de Kawalerowicz foi feito com a idade de 79 anos, e era o impressionante "Quo Vadis?" (2001), quinta e talvez melhor adaptação para o cinema da famosa obra de Henryk Sienkiewicz, romance do século XIX sobre Roma e o domínio de Nero. Kawalerowicz sonhava realizá-la há 35 anos, porque sentia que as versões anteriores não feito justiça suficiente ao estilo e conteúdo do livro. Com um orçamento de 7,5 milhões de libras, o mais alto de sempre para um filme polaco, foi-lhe dada a hipótese de tornar o conto épico mais fiel à história original possível.
O realizador falecia seis anos depois, com a idade de 85 anos.


 Esta semana vamos homenagear este realizador polaco. Não veremos todos os seus filmes, mas veremos as suas obras mais importantes:

- Shadow (Cien) 1956

- Night Train (Pociag) 1959

- Madre Joana dos Anjos (Matka Joanna od Aniolów) 1961

- Faraó (Faraon) 1966

- Austeria (Austeria) 1982

- Quo Vadis? (Quo Vadis?) 2001

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