quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Capítulo 10 - Musical

O filme Musical tinha entrado em decadência já desde o inicio dos anos 70. Os poucos que se faziam ainda começaram a reflectir a realidade social, afastando-se, em grande medida da atmosfera de sonho e de fantasia que sempre tinham caracterizado o género.
Os anos 80 praticamente não deixaram musicais dignos de referência, embora tenha havido, finalmente, lugar para a dignificação dos filmes que se consagraram como clássicos.
Ainda assim fiz uma selecção de quatro filmes musicais dignos de nota, que nunca passaram pelo My One/Two Thousand Movies.

Absolutamente Principiantes (Absolute Begginers) 1986
Durante os agitados anos 50, Colin (Eddie O'Connell), é um jovem londrino de 19 anos que anda à procura do seu lugar no mundo. Tentando uma carreira como um fotógrafo, e apaixona-se perdidamente por Crepe Suzette (Patsy Kensit), uma linda modelo. No entanto, a relação dos dois está estritamente ligada ao mundo da moda e ao seu crescente sucesso. Então, Colin conhece um promotor de música pop e tenta assim, novamente aproximar-se de Crepe Suzette. Enquanto os dois decidem entre viver os seus princípios idealistas ou vender-se ao sucesso, a tensão racial fermenta à volta de ambos...
Julian Temple sempre foi um realizador muito virado para a música, já desde os anos 80. Desde videoclipes, documentários, a filmes de ficção musical, como este "Absolute Begginers". Neste filme ele adapta para o grande ecrã um livro de Colin MacInnes, uma relação passada em 1958 em Londres, com uma enorme tensão racial como pano de fundo.
Os principais pontos de referência do filme são o design é o enorme elenco de apoio, de onde se destacam actores e músicos, como David Bowie, Sade e James Fox. Foi pela primeira vez mostrado no festival de Cannes de 1986, fora de competição, mas recebeu críticas arrasadoras, que tornaram o filme num fracasso comercial, que em conjunto com o fracasso comercial de "The Mission", provocaram o colapso financeiro da editora britânica Goldcrest. Mesmo assim, a música de David Bowie que deu nome ao filme, e serviu de apresentação ao filme foi um sucesso, e ainda hoje é considerada das melhores músicas do cantor.

O Passageiro da Lua (Moonwalker) 1988
O filme começa com o vídeo de “Man in the Mirror” e depois parte para uma montagem de videoclipes da careira de Michael Jackson. Depois vem uma paródia de “Bad” interpretada por crianças e uma sequência onde Michael é perseguido por fãs. Mais dois vídeos são mostrados e o filme mostra Michael como um herói com poderes mágicos, que é perseguido por Mr. Big (Joe Pesci), um traficante de drogas, mas mesmo assim Michael salva três crianças.
"Moonwalker" é um filme estranho de se ver hoje em dia, mas na altura do seu lançamento comercial Michael Jackson era a maior estrela do mundo, o album "Bad" estava no topo das vendas, e o cantor fazia uma tournée fabulosa onde o cantor mostrava os seus dotes de cantor e dançarino. "Moonwalker" era um prémio de consolação para aqueles que não podiam ir aos concertos, sendo uma forma de poderem ver o seu ídolo num formato diferente.
O lançamento do filme era para ter coincidido com o lançamento do album "Bad" em 1987, mas acabou por ter estreia nos cinemas apenas na Europa. Nos Estados Unidos saíu apenas em VHS, tendo vendido 800 mil cópias só no primeiro dia.

Viva a Música (Purple Rain) 1984
The Kid (Prince), um jovem músico, vive uma situação difícil em sua casa, onde tem de enfrentar um contexto desfavorável. Além disso, a sua carreira no mundo da música não anda nada bem: para Kid, The Time, a banda que o acompanha não se esforça o suficiente. Então, determinado a mudar o jogo, Kid faz de tudo para dar a volta por cima tanto em sua vida pessoal como na sua carreira.
Bandas-sonoras normalmente são feitas para promover os filmes. "Purple Rain", o filme, foi um dos raros casos em que o filme foi feito para promover a banda-sonora. Poucos viram o filme na altura do seu lançamento, mas todos ouviram as músicas do album que foram passando nas rádios.
O filme em si, é semi autobiográfico, e a maioria das personagens usam o seu nome verdadeiro, com Prince a ser conhecido apenas como "The Kid", o cantor e compositor de uma banda de clubes noturnos de Minneapolis chamada The Revolution. A sua música é quente, mas começa a ser cada vez mais esotérica para os seus patrões, que apenas querem diversão para os seus clubes. Ganhou um Óscar para melhor banda sonora.

Flashdance (Flashdance) 1983
Flashdance conta a história de Alex Owens (Jennifer Beals), uma jovem de 18 anos, bonita e altamente determinada. Owens trabalha como metalúrgica durante o dia e à noite é uma exótica dançarina numa casa nocturna. 
Um sucesso surpresa de 1983, e uma obra influente nos chamados "filmes de dança" da altura, "Flashdance" chegou na altura certa, com o estilo de montagem da MTV a tornar-se uma norma para os êxitos de bilheteira. Grande parte do sucesso do filme deve ser atribuído ao tema musical "Flashdance...What a Feeling", de Irene Cara, vencedor de vários prémios, como um Óscar de Melhor Canção Original, um Globo de Ouro na mesma categoria, e um Grammy. Apesar da classificação "R", o filme foi um êxito para as audiências juvenis, que foram atraídas pelas melodias pop e a montagem rápida, para não falar do componente strip tease.
Era o segundo filme que Adrian Lyne, ainda em inicio de carreira, retratava o tema da adolescência. A estreia tinha sido com "Foxes", interpretado por Jodie Foster, mas de futuro iria dedicar-se a filmes mais sérios, sempre carregados com uma enorme carga erótica. "Flashdance" propagou ainda a moda de blusas rasgadas, numa combinação com meias de lã.

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