terça-feira, 17 de novembro de 2015

A Dama Sem Camélias (La Signora Senza Camelie) 1953

Clara Manni, vendedora de tecidos, é descoberta por Gianni, produtor de cinema, e parte para Roma para se tornar actriz. Gianni apaixona-se por ela e com a cumplicidade dos pais de Clara, casam-se. O filme que fazem vai ser um sucesso, mas Gianni, por ciúmes, proíbe-a de fazer mais cinema e quer fazer dela uma senhora. Mas Clara tem outras ideias...
Enquanto esta era a terceira longa metragem de Michelangelo Antonioni, marcava a segunda colaboração entre o realizador e Lucia Bosé, que já tinha protagonizado o primeiro filme do realizador. O filme anterior do realizador, "I Vinti", tinha marcado a estreia do realizador no festival de Veneza, e este filme, realizado pouco depois, tinha cenas gravadas no festival, que lhe dava um ar documental, a servir como pano de fundo. Conta-nos a história de uma estrela fictícia, traçando a sua ascensão meteórica, e a sua queda, e faz uma declaração muito realista sobre a indústria italiana da época, que produzia mais de 300 filmes anuais.
Mais uma vez, a mulher tem o papel mais forte, com os personagens masculinos a serem mais básicos, faltando-lhes algumas das qualidades que fazem de um personagem líder. Vemos como Gianni se torna um monstro, possessivo da sua mulher como um troféu. A sua idéia do casamento é de tê-la como dona de casa, dando-lhe o suficiente para ter uma vida confortável, o que para Clara é o mesmo que a prisão.
 Não é dos filmes mais conhecidos de Antonioni, mas é uma das obras mais interessantes do mundo do cinema, visto ao espelho, pelo próprio cinema.

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