quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Juventude sem Freio (Scum) 1979



"Scum" refere-se ao rótulo obtido pelo reformatório para jovens delinquentes, onde está detido o jovem interpretado por Ray Winstone, reformatórios estes chamados de "borstals" pelos britânicos. Quando Winstone não está a ser espancado pelos outros jovens, está a sê-lo pelo sistema. Ele rebela-se contra esta situação, e torna-se mais cruel do que qualquer um dos seus opressores. Scum foi originalmente filmado para televisão, mas foi rejeitado por causa da frieza da sua perspectiva.
"Scum" ainda se mantém como uma poderosa crítica ao sistema penal britânico. Apesar de não ser um filme especialmente brutal na sua violência - uma cena de violação, por exemplo, que é tratada de tal forma que evita o seu erotismo - e por isso não foi especialmente bem recebido pelos censores do seu tempo, tendo apenas estreado alguns anos mais tarde.
Furioso pela decisão da BBC de arquivar o filme, Alan Clarke conseguiu alguns fundos para gravar uma nova versão para estrear nos cinemas.O resultado desta segunda versão não foi tão efectivo como o original, mas tornou-se mais gráfico.O pretexto para Clarke e o argumentista Roy Minton nos trazerem os círculos progressistas dos reformatórios juvenis é a passagem de Carlin (Winstone), um delinquente com uma má reputação para o topo da hierarquia em qualquer grupo de duros onde o sistema o coloque.
É apenas superficialmente, no entanto, que Clarke e Minton se preocupam com a ascenção ao poder do carismático Carlin, o violento rebelde. O verdadeiro propósito da narrativa é dissecar todos os componentes do sistema da justiça juvenil, onde a aura corrosiva da violência e do medo, são o controle de todo o organismo, apesar da afirmação do director (Peter Howell) de que "não há violência aqui".
À medida que o filme ferve, e finalmente explode, o espectador fica com a sensação inevitável de que o sistema não fortalece o carácter nem instala respeito à autoridade, mas brutaliza e destrói, levando os jovens a quebrar regras, transformando-os em criminosos embrutecidos.

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1 comentário:

David Lourenço disse...

Alan Clarke, sem dúvida dos realizadores mais subestimados de sempre