sexta-feira, 18 de abril de 2014

Estação Seca (Daratt) 2006



Alguns anos depois da guerra civil que devastou o Chade, as noticias chegam através da rádio: foi decretada uma amnistia geral a todos os acusados de crimes de guerra. Já passou bastante tempo, mas as velhas feridas não foram curadas, e o velho Gumar oferece uma arma ao neto para este se vingar do homem que matou o seu pai, e seu próprio filho. O neto, Atim, parte em busca do homem, e vem a descobrir que ele é uma pessoa mais complicada do que esperava... Será que vai conseguir executar a vingança?
Traduzido literalmente "Daratt" quer dizer "estação seca", e este é um filme seco em comprimento, e em palavras. O homem que é suposto ser morto tem os seus próprios ferimentos de guerra e os seus fantasmas. Só consegue falar através de um aparelho mecânico, e o nosso rapaz acaba por se afeiçoar ao homem que tem de matar. Mas "Daratt" é muito mais do que uma festa para os sentidos, é uma história de vingança e coragem. No seu terceiro filme Mahamat-Saleh Haroun examina como é a vida para as pessoas atingidas pelas consequências da guerra civil do Chade, que tiraram a vida a mais de 40 mil pessoas. É uma história que está muito próxima do realizador, uma vez que ele fugiu para escapar à guerra deixando para trás a família e todos que amava, e muitos deles foram mortos na guerra.
Ao retratar as consequências da guerra o filme tem muitas coisas importantes a dizer, para as pessoas que passaram por conflitos por todo o mundo. Ao observarmos as suas paisagens desoladas e pálidas, e grandes espaços vazios, o Chade é um local visivelmente assombrado, onde muitas pessoas têm alguma deficiência grave, vivendo em consequência da violência do passado. Mas também é um lugar onde os mais novos jogam futebol pela rua despreocupados, lembrando que à uma geração que o sofrimento acabou e que existe uma esperança para o futuro.
Ganhou cinco prémios no festival de Veneza de 2007, entre os quais o prémio especial do júri.

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