sexta-feira, 25 de abril de 2014

As Noites Loucas do Dr. Jerryll (The Nutty Professor) 1963



Jerry Lewis desempenha um duplo papel, como o nerd Professor Kelp e como o arrogante e super cool Buddy Love, duas personalidades perfeitamente opostas da mesma pessoa, depois do professor ter inventado uma fórmula para o fazer mais forte e mais confidente. Ele faz isso principalmente para impressionar a sua adorável aluna, Miss Purdy (Stella Stevens).
Este é talvez o filme mais pessoal de Jerry Lewis. Muitos comentadores dizem que a personagem de Buddy Love é a encarnação do ex-colega de Lewis, Dean Martin, enquanto que o nerd é ele próprio, o que leva a crer que já no tempo desta dupla, havia um conflito de identidades, com Lewis a ficar muitas vezes para trás. O tempo justificou que Jerry Lewis tinha mais talento do que Dean Martin. Por ser uma comédia, ainda por cima nonsense, não foi possível aprofundar mais as personagens, mas mesmo assim tem alguns gags brilhantes, ao nível dos melhores do actor/realizador.
Lewis apresenta-nos o filme cheio de cores brilhantes e corajosas, escurecendo nos momentos apropriados, como nas transformações em Buddy Love. O seu olho para o humor visual e auditivo sobressai neste filme, mas Lewis também mostra o seu génio para o silêncio, em momentos parados antes de uma piada. É um grande trabalho de realização, mas o filme não poderia ter resultado sem Jerry Lewis nos dois papéis, especialmente nos momentos em que a personagem está prestes a se transformar.
A história, é claro, é inspirado na famosa obra "Dr. Jeckyll and Mr. Hyde", e foi um projecto que Lewis manteve em carteira durante 10 anos. Quando o filme entrou em produção, foi dos mais bem preparados deste realizador, tanto que acaba por o seu melhor trabalho tecnicamente, e provavelmente não só tecnicamente. John Williams era o actor que deveria ter desempenhado o papel de colega do protagonista, mas este rejeitou porque considerava a carreira de Jerry Lewis demasiado "pateta", e não quis trabalhar com ele. O certo é que muitos críticos europeus, especialmente do "Cahiers du Cinema" consideraram este o melhor filme do ano, em 1963, começando aqui o culto em redor de Jerry Lewis. Palavras do crítico Stuart Byron: "Lewis has really made his view of life into a true comic vision that can be discussed on par with Chaplin's, Keaton's, and Laurel and Hardy's".

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