segunda-feira, 3 de março de 2014

Uma Mulher é Uma Mulher (Une Femme est une Femme) 1961



Angela, uma stripteaser francesa quer desesperadamente ter um bébé. Quando o seu relutante namorado sugere o seu melhor amigo Alfred para a engravidar, e ela aceita, as relação entre os dois fica complicada.
A Nouvelle Vague estava em euforia quando Jean-Luc Godard fez este seu enorme e inteligente terceiro filme, "Une femme est une femme". Com um orçamento bem maior do que o habitual construiu uma extravagancia em widescreen que surgia como recompensa para o sucesso inesperado de "O Acossado", ou o escândalo político de "Le Petit Soldad", que só estrearia 3 anos depois, banido pelo seu ponto de vista sobre a Guerra da Argélia. Uma co-produção franco-italiana, filmada a cores e em Cinemascope e interpretada pela quase esposa do realizador, Ana Karina, que contracenava aqui com Jean-Claude Brialy e Jean-Paul Belmondo, e seria aquilo que Godard chamaria o seu primeiro "verdadeiro filme".
Os dois primeiros filmes de Godard eram obras excêntricas e duras mas "Une femme est une femme" seria algo diferente. Numa entrevista durante as filmagens, Godard declarou que este triângulo era uma boa oportunidade para fazer uma comédia "à la Lubitsch", e de facto, o personagem de Belmondo chama-se Alfred Lubitsch.
Apesar de ser por vezes descrito como um musical, e mesmo tendo alguns momentos com as personagens a cantar e a dançar, o filme é algo diferente. O realizador chamou-lhe vários nomes: "a ideia de um musical", "nostalgia pelo musical", ou, mais provocativamente, "um musical neo realista". Pela primeira vez Godard estava a fazer um filme sobre a sua própria criação. Filmado no final de 1960, durante cinco semanas, muito detalhadamente, mas sem argumento. Escrevia o argumento no dia a dia, enquanto os actores se maquilhavam, e considerou este ser o seu filme mais improvisado até então. 
O filme recebeu críticas mistas na altura do seu lançamento, e continua a dividir os criticos até aos dias de hoje. A insistência de Godard (que em breve se tornaria uma das suas marcas principais) em usar trechos de músicas aleatórias, para depois cortar num silêncio repentino foi considerado aborrecido, enquanto para outros era o mais acessível filme dos seus filmes, e o mais perversamente simpático. Um bilhete de amor para o cinema e para todas as suas possibilidades. 

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