domingo, 2 de março de 2014

Crónica de um Verão (Chronique d'un été (Paris 1960)) 1961



Personagens da vida real discutem temas sobre a sociedade,  a felicidade nas classes trabalhadoras entre outros assuntos, e com esses testemunhos os dois realizadores criam momentos ficcionais com base nas suas entrevistas. Depois, discutem sobre as imagens criadas com as suas próprias palavras, e concluem se o filme obteve o nível de realidade pretendido.
Jean Rouch cujos filmes anteriores foram gravados em África, e Edgar Morin, um académico e escritor, andavam a experimentar um novo tipo de documentário sobre a sua própria sociedade que revelaria a vida mais íntima das pessoas. A partir de uma questão muito simples - "Are you happy, sir?" - "Chronique d'un été (Paris 1960)" mergulha cada vez mais na vida dos seus personagens. Estes incluem Marceline, uma sobrevivente do holocausto, Angelo, que trabalha em turnos exaustivos numa fábrica da Renault, Landry, um estudante da Costa do Marfim, e Marilù, uma jovem, bonita, e profundamente deprimida emigrante italiana. À medida que o filme avança, as cenas de abertura dão lugar a revelações íntimas e argumentos políticos muito disputados.
Uma verdadeira marca na história do cinema documental, Rouch e Morin foram dos primeiros realizadores a usar equipamento de sincronização de som de 16 mm, manual. Eles também estiveram na origem do termo "cinema verité" para explicar a sua abordagem, embora na prática, colocando pessoas em situações e provocando respostas, difira do que mais tarde viria a ser chamado de "cinema verité". O uso da paisagem urbana e a fotografia inovadora (o director de fotografia Raoul Coutard estava entre a equipa que produziu o filme), eram profundamente influenciadas pela Nouvelle Vague, e a subsequente pratica documental. A estrutura auto-reflexiva do filme, na qual Rouch e Morin exibem o filme para os intervenientes, para eles criticarem o que vêm, assim como as suas próprias reacções à critica, ainda são, incrivelmente, contemporâneos. 

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