segunda-feira, 10 de março de 2014

O Signo do Leão (Le Signe du Lion) 1959



Pierre Wesselrin é um americano de 40 anos que vive em Paris, que faz da sua vida burlar os seus amigos e conhecidos ricos. Um dia recebe um telegrama a dizer que uma tia rica morreu, então faz uma grande festa, usando dinheiro emprestado, é claro, e convida todos os seus amigos. Depois de descobrir que a tia o deserdou, é expulso do apartamento. Todos os seus amigos estão agora de férias do verão, ou a trabalhar fora de Paris, e ele é obrigado a percorrer as ruas de Paris como um vagabundo.
Filme de estreia de Eric Rohmer, é muito diferente dos que ele seria posteriormente conhecido. O realizador que brevemente seria aclamado pelos seus exames da moralidade e do amor, com os protagonistas constantemente conversando, estreou com um filme que continha apenas leves traços do seu futuro estilo. O protagonista não está propenso a auto avaliar-se numa investigação filosófica como seriam os futuros protagonistas de Rohmer. Pierre é um homem tempestuoso e turbulento, um homem com uma vida difícil, sempre no limiar da pobreza, contando com a generosidade dos amigos sempre que os problemas vêm à tona.
Esteticamente é muito diferente dos trabalhos posteriores de Rohmer. É um retrato duro e realista das ruas de Paris, que parece descendente do trabalho de um dos ídolos de Rohmer, Jean Renoir, particularmente o herói oprimido que é uma variante mais melancólica em "Boudu". Grande parte do filme é passada a seguir Pierre pelas ruas de Paris, tentando encontrar amigos, mudando-se de uma hotel para outro, perdendo todos os seus bens gradualmente, e ficando desesperado à medida que o tempo passa. Para um realizador que mais tarde voltaria a sua atenção para as classes média e alta, Rohmer tem olhar afiado para a pobreza e privação. As sequências sem diálogo pelas ruas de Paris são facilmente perceptíveis. São angustiante e são únicas na carreira de Rohmer, a música que define o ambiente é totalmente o oposto aos trabalhos posteriores de Rohmer, assim como a quase total falta de diálogo também é um contraste gritante.
Este primeiro filme de Rohmer é interessante como uma variação, um sinal do que poderia ter sido a sua carreira quando ele ainda trabalhava sob a influência de Renoir. O que está mais presente, é a forte atenção do realizador para o detalhe, a sensação da construção de personagens pelos cenários e pelos gestos, e, sobretudo, o profundo amor pelas pessoas, com todas as suas fraquezas e problemas.

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