domingo, 2 de março de 2014

Lola (Lola) 1961



Em Nantes, um jovem aborrecido com a vida, Roland, tem a hipótese de conhecer uma mulher que com quem cruzou em jovem: Lola, agora dançarina de cabaret. Ela também é uma dedicada mãe solteira, que nutre uma esperança que o pai da criança, que a abandonou durante a gravidez, regresse. Roland percebe que está apaixonado por Lola, e assim ganha um novo alento para a sua vida. Mas o que será que ela sente?
Primeiro filme de Jacques Demy, abre com uma referência a Max Ophüls, por causa do seu filme "Lola Montes". Tendo sido lançado em 1955, "Lola Montes" era uma espécie de Santo Graal para os realizadores/críticos da Nouvelle Vague, e em especial para Demy. Foi uma oportunidade para divinizar este realizador no grande ecrã, e celebrar a sua vida e o seu trabalho. E assim Demy dedica-lhe "Lola", além de prestar tributo a uma outra famosa Lola do cinema: Marlene Dietrich de "The Blue Angel" (1030). A Lola de Demy (Anouk Aimée), é uma dançarina que se parece como uma Jacqueline Kennedy, e age como uma Marilyn Monroe, também é uma destruidora de corações, mas muito menos perigosa que Dietrich. 
"Lola" é um filme que evidencia o amor pelo cinema em cada frame. Que nos faz desejar viver dentro dele. A qualquer momento pode saír uma música, uma rapariga glamourosa pode tropeçar na nossa vida. O espírito de Ophüls é sentido por todo o filme, nos takes longos e graciosos (brilhantemente executados pelo director de fotografia Raoul Coutard), e nas colisões casuais das personagens do elenco, mas o filme é também uma inigualável viagem pelo cinema americano, os épicos de aventuras, os musicais, os gangsters, e os grandes romances de Hollywood. 
Há uma beleza estranha em "Lola", que o diferencia dos outros filmes de Demy, e o torna num dos seus mais requintados e pungentes filmes. A história é sobre o apego às lembranças, e aos ideais românticos, e finalmente, como a alegria de uma pessoa pode partir o coração a outra. Mas nem sequer sentimos que Demy nos esteja a passar alguma mensagem cheia de significado, mas apenas deixando que as personagens e as situações falem por si. 

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