domingo, 10 de janeiro de 2016

A Mulher do Chefe de Estação (Bolwieser) 1977

O progressivo processo de decadência de Xaver Bolwieser — o chefe da estação ferroviária de uma pequena cidade da Alta Baviera, nos anos anteriores à ascensão de Hitler ao poder —, sob as garras da incontinência e da hipocrisia de Hanni, uma mulher de carnes redondas e suor fácil.
Melodrama doméstico, é vagamente baseado em "Madame Bovary", e adaptado de um romance de Oskar Maria Graf. É uma versão condensada de uma obra feita para televisão, com mais de três horas de duração. Os prazeres do filme estão em observar este triste mundo de classe média com os olhos perspicazes de Fassbinder, e a forma como a sua agradável câmara explora o mundo anterior à Segunda Guerra Mundial .
"Bolwieser" surgia num período de indefinição na carreira de Fassbinder. A influência de Sirk, que tinha dado algumas obras bem importantes nos últimos anos, com críticas sociais e personagens com que o público se podia identificar facilmente, estava agora a chegar ao fim. Os primeiros filmes, a partir de 1977, revelavam um Fassbinder que não sabia para que direcção se movimentar, até ao brutalismo de "A Alemanha no Outono", a sua resposta à crise do terrorismo na Alemanha do Leste, e que o projetaria para os filmes de maior inspiração, a partir de 1978.

Oskar Maria Graf era um novelista, dramaturgo, poeta, activo nos círculos da extrema-esquerda depois da Primeira Guerra Mundial, que fugiu da Alemanha depois dos Nazis terem chegado ao poder, estabelecendo-se nos Estados Unidos em 1938. A sua obra "Bolwieser" foi publicada em 1931, e Fassbinder, na sua adaptação, esforçou-se para colocar a acção do filme neste período, imediatamente antes da ascenção do nazismo ao poder.
Legendas em inglês.

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