sábado, 26 de dezembro de 2015

O Medo Come a Alma (Angst essen Seele auf) 1974

Um romance quase acidental entre uma mulher alemã na casa dos seus sessenta anos, e um jovem emigrante marroquino, cerca de 25 anos mais novo.Abruptamente decidem casar-se, chocando todos à sua volta.
"O Medo Come a Alma", é a obra prima humanista de Fassbinder, um dos filmes que definiu o Novo Cinema Alemão de meados dos anos 70. É tanto uma descrição incisiva dos conflitos sociais e raciais que predominavam no pós-guerra da Alemanha, como uma extraordinária história de amor, uma das mais mordazes e significativas alguma vez levadas ao grande ecrã. O filme ganhou dois prémios no Festival de Cannes de 1974, e é considerado por muita gente como o ponto mais alto da carreira do realizador. Por certo será também um dos seus mais acessíveis.
Foi entre a produção de dois filmes que Fassbinder teve um período de quatro semanas, que aproveitou para escrever e rodar este filme. O que começou por ser um exercício de técnica de realização, tornou-se num dos mais pessoais e inspirados filmes. Também foi o mais flagrante tributo a Douglas Sirk, o realizador americano que ele mais admirava, e que teve um grande impacto na sua carreira. As semelhanças entre este filme e "All that Heaven Hallows" (1955) são por demais evidentes. Ambos os filmes envolvem dois indivíduos solitários de  áreas sociais bastante distintas, que são rejeitados pelas suas comunidades ao embarcarem num romance apaixonante. Tal como Sirk antes, e Fassbinder depois, é usado o melodrama popular como forma de crítica à sociedade contemporânea. Onde Sirk estava preocupado com o vício da classe e burguesia no materialismo, Fassbinder preocupou-se em analisar o problema da intolerância racial, um dos grandes taboos do seu tempo.
O facto de Fassbinder ter demorado tão pouco tempo a produzir este filme, pode ser a razão porque ele é uma peça de c
inema tão importante. Foi feito com o coração, e não o intelecto. Sem o tom político pesado de outras obras mais elaboradas do realizador, "O Medo Come a Alma" tem uma qualidade crua e visceral, superficialmente muito simples, mas muito complexa se olharmos para lá da superfície.
O preconceito racial pode ter muitas formas, e este filme mostra-nos que o acto racial pode não ser a pior faceta. Talvez o mais perturbador seja a pressão que a sociedade coloca nas minorias raciais, qualquer que sejam as raças em questão.

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