quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

As Lágrimas Amargas de Petra von Kant (Die bitteren Tränen der Petra von Kant) 1972

"Para muitos artistas gays proeminentes, "Mulheres" (1939), de George Cukor, provou ser um modelo irresistível para a narrativa cinematográfica em estilo homossexual: um grupo de mulheres reunidas numa casa, os seus destinos nominalmente definidos e dominados por homens fora do ecrã, mas vividos através da intensidade melodramática de permutas entre o mesmo sexo.
"As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant" - impudentemente subtitulado "um caso de estudo" - é a versão lésbica de Rainer Werner Fassbinder ao mesmo modelo. Preservando e até exagerando a teatralidade claustrofóbica da sua peça, Fassbinder serve-nos uma parada de mulheres elegantes que visitam Petra (Margit Carstensen), uma estilista, e a sua empregada muda e sempre obediente Marlene (Irm Hermann). Dominação psicológica e especialização em jogos emocionais são o forte de Petra (manobra bem ao telefone) e, no seu covil, transações são uma dança na, e à volta, da sua cama - enquanto a colérica e ciumenta Marlene escreve à máquina e desenha eternamente lá ao fundo.
As possibilidades que se abrem para um humor popularucho são muitas, como a utilização, em contraponto irónico, de velhos êxitos de música pop, mas Fassbinder mantém a cabeça fria. O seu filme constrói uma simples mas valiosa lição de vida para aquelas personagens envoltas em relações emocionais sadomasoquistas, o que, para Fassbinder, quer dizer toda a gente: "o mais fraco", em qualquer situação, dispõe de uma arma definitiva e devastadora - o poder de se ir embora."  Adrian Martin

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