quarta-feira, 17 de junho de 2015

Sangue Selvagem (Wise Blood) 1979

 Um norte-americano do sul - jovem, pobre, ambicioso e pouco educado - está determinado a ser alguém no mundo. Ele decide que a melhor maneira de o fazer é tornar-se pregador e funda a sua própria igreja.
Em finais da década de setenta, John Huston foi abordado por um jovem produtor chamado Michael Fitzgerald. Ele era um dos seis filhos de Sally e Robert Fitzgerald. O seu pai era um famoso tradutor do grego, era o editor literário de Flannery O´Connor,  e a sua mãe editava as cartas deste escritor nascido na Georgia, que passou largos períodos de tempo em casa dos Fitzgerald, antes de uma morte precoce por doença.
Foi ideia de Michael Fitzgerald fazer um filme de "Wise Blood", que tinha sido publicado em 1952, deslumbrante primeiro romance de O´Connor. A história de um jovem georgiano cuja obsessão por Deus o leva a fugir o mais rapidamente dele, para bater de frente na parede de Jesus e da religião.
Huston já tinha capturado da melhor forma a tensão erótica de Carson McCullers em "Reflections in a Golden Eye" e a inocência e o terror do clássico da guerra civil "Red Badge of Courage", escrito por Stephen Crane. Ambos os livros eram dramas sulistas, e por isso Huston poderia ser o realizador ideal para passar "Wise Blood" para filme.
O orçamento para o filme era muito baixo, e toda a gente, incluido Huston, trabalhou com um salário mínimo, quase simbólico. A esposa de Michael co-produziu o filme, e o seu irmão, Benedict, escreveu o argumento. Foi filmado em exteriores em Macon, na Georgia, sem grandes estrelas no elenco, mas com actores talentosos. Brad Dourif, era o protagonista, um jovem que aguardava um filme à sua altura, depois de ter sido nomeado para o Óscar de Melhor Actor Secubdário em "Voando Sobre um Ninho de Cucos".
Enquanto o romance de O´Connor era passado no início da década de 50, um tempo particularmente crucial para o conflito de identidades que se debatia no Sul dos Estados Unidos, o filme de Huston teve de ser passado num tempo contemporãneo, por causa de questões orçamentais, o que significa que todos os carros eram da década de 70, e não havia grande esforço em esconder os edifícios mais modernos do centro de Macon. Ao mesmo tempo, o conteúdo não é actualizado, e as atitudes (principalmente as questões raciais), permanecem firmemente enraizadas no início do década de 50. Os críticos que elogiaram o filme, viram isso como uma mistura eficaz de períodos de tempo, para criar uma espécie de atemporalidade.
Pelas questões orçamentais já citadas, pode dizer-se que é um filme "menor", de John Huston. Mas no que diz respeito à qualidade, não é um filme tão menor assim.

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