domingo, 5 de maio de 2013
Dança Macabra (Danza Macabra) 1964
"Castle of Blood" de Antonio Margheriti tem sido aclamado por muitos como um ponto alto no cinema de terror italiano a preto e branco. Familiarizado apenas com os filmes de acção de Margheriti a partir dos anos 70 e 80 (como Cannibal Apocalypse), é uma obra dificil de ser vista. Positivamente pinganda com uma atmosfera gótica, o filme é um passeio à luz de velas através de um mundo fantasma de corredores profundamente sombreados e húmidos, criptas cheias de mofo.
Em 1840, o jornalista de Londres Alan Foster segue a visita de Edgar Allan Poe, ansioso por entrevistar o famoso autor americano. Foster localiza-o num pub, onde Poe (Silvano Tranquili) conta uma história macabra ao seu companheiro, o rico aristocrata Sir Thomas Blackwood (Umberto Raho). O jornalista apresenta-se, e logo se envolve num cavalheiresco debate sobre questões da metafísica. Poe afirma que os seus contos são baseados em casos da vida real. Foster educadamente goza. Eventualmente Blackwood faz uma proposta surpreendente ... Para testar as convicções do repórter, ele desafia-o para passar a noite num castelo assombrado que possui. Ele afirma que, numa certa noite, em cada ano, os espíritos daqueles que morreram lá vivem novamente. Esta assombração anual irá ter lugar naquela mesma noite. Blackwood adoça a oferta com uma aposta. Foster aceita a aposta de 10 €, mais para obter uma longa entrevista com Poe durante a viagem do que desmascarar qualquer noção do sobrenatural.
Deixado no castelo alguns momento antes da Witching Hour, Foster explora o castelo poeirento, deserto à luz de velas, lenta mas inexoravelmente, cada vez mais nervoso. Do nada assusta-se com a aparência de uma bela mulher - Elisabeth Blackwood (Barbara Steele), uma parente de Sir Thomas, que afirma morar naquela casa. Foster fica imediatamente em transe. Em muito menos tempo do que leva a descer um dos corredores do castelo, o casal fica apaixonado. Isso não se coaduna com alguns dos outros habitantes com quem Foster terá encontros futuros, incluindo uma loira gelada (Margarete Robsahm) com a sua própria fixação ímpar sobre Elisabeth e um brutamontes propenso a actos de violência com ciúmes. O jornalista fica intrigado para descobrir o que se passa no castelo...
Muito forte em termos de ambiente, o filme começa com uma atmosfera de horror gótico tão boa, na verdade, que prontamente compensa a fina e inconsistente história de fantasmas em torno do qual o filme é estruturado. O design de produção e a direcção de Margheriti complementam-se muito bem. Mas o ritmo é extremamente lento, há uma série de sequências muito longas com os personagens simplesmente vagando pelo castelo. As coisas crescem consideravelmente nos últimos 15 minutos, como o conto a seguir o seu caminho em direcção a uma conclusão adequadamente assustadora.
O argumento é de Sérgio Corbucci, e consta que este também deu uma ajuda na realização. Andei a investigar mas não descobri até que ponto isto aconteceu.
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Black Sabbath (I Tre Volti Della Paura) 1963
A antologia gótica de horror de Mario Bava consiste em três contos de terror diferentes, cada um com o seu próprio tom e estilo únicos, mas todos contêm aquele inimitável toque de Bava. Cada um dos filmes desdobra-se como um exercício de estilo e atmosfera, reforçada por histórias intrigantes que cuidadosamente se desdobram para revelar uma picada mortal no conto.
Como um todo, Black Sabbath é mais do que satisfatório. O que torna tudo ainda mais atraente é a introdução do filme pelo próprio Boris Karloff, com um discurso lírico sobre a mecânica do medo. Cada segmento é introduzido por um pequeno cartão-título que contém a sua própria quota de indução ao medo, todos belamente capturados pela câmera de Bava.
O primeiro é o giallo-esque "Telephone", um desconfortável conto de obsessão, paixão e vingança. Rosy (Michèle Mercier) regressa a casa para o seu luxuoso apartamento, para receber chamadas sinistras que parecem ser de um gangster maníaco que ela ajudou a prender. O gangster parece ver Rosy em cada movimento dentro do seu domicílio, deleitando-se com os seus movimentos cada vez mais em pânico. Rosy eventualmente chama a sua confidente e ex-namorada Mary (Lydia Alfonsi) e pede-lhe para vir e ficar a noite. Bava faz um excelente uso do local que fornece o pano de fundo para esta história. Logo assume uma atmosfera mais ameaçadora como com o decorrer da noite e Rosy torna-se uma prisioneira na sua própria casa. Aparentemente, a subtrama lésbica foi completamente retirada no corte da versão americana.
De seguida temos Wurdalak, um conto assustador envolvendo vampirismo, uma família condenada e o recente regresso do seu patriarca dos mortos-vivos - interpretado com uma alegria diabólica por Boris Karloff. Wurdalak é uma criatura vampírica específica para a Europa Oriental, onde o conto é definido. Ele ataca aqueles que mais gosta - a família, amigos e amantes - transformando-os em outros sugadores de sangue que vagueiam pelas horas crepusculares.
Vladimire d'Urfe (Mark Damon) busca refúgio numa quinta isolada depois de descobrir um corpo decapitado com uma espada nas suas costas. É recebido com cautela pela família que espera ansiosamente o regresso do pai, que se aventurou para fora para rastrear um Wurdalak. Á família foram dadas instruções estritas para negar a entrada ao pai se ele voltar depois da meia-noite. Logo depois da meia-noite a paisagem começa a sufocar sob uma névoa esvoaçante, Papa Gorca regressa e quando insiste em ser permitido entrar, logo se põe a matar a sua própria família transformando-os em sanguinárias criaturas da noite.
Wurdalak é uma peça altamente atmosférica e maravilhosamente iluminada, também bem sucedida na sua utilização de locais limitados. Como nos outros dois contos de Black Sabbath, o lugar onde os personagens são mais ameaçados é no santuário da sua própria casa. A quinta da família aqui é inicialmente acolhedora e convidativa e aparece como um farol de esperança e luz na escuridão que o rodeia. Mas, não por muito tempo. Logo se assume como um ambiente estranho e ameaçador.
Por último, mas não menos importante, temos "The Drop of Water" - uma história extremamente inquietante de uma enfermeira que rouba um anel a partir do leito de morte de um medium, para sofrer as consequências horripilantes na privacidade da sua própria casa. Quando ela é chamada já tarde na noite e lhe pedem para preparar o corpo recém-falecido de uma medium local, Helen (Jacqueline Pierreux) deixa o conforto relativo por uma noite, para embarcar numa jornada. Chegando a casa da mulher morta, é deixada entrar por uma empregada que a leva através dos doces coloridos corredores espalhados pela casa. Estamos tão chocados como Helen quando vemos o morbido sorriso da morta apoiado num dos seus travesseiros. Helen repara num anel ornamentado e acha que ninguém vai reparar, tirando-o dos dedos da morta. Voltando para casa, Helen é atormentada pelos sons de uma torneira a pingar e a memória do sorriso assustador da mulher morta. Eventualmente, com nervos em frangalhos, Helen percebe, tarde demais, que roubar os mortos não é coisa boa para se fazer.
O clima predominantemente assustador deste capítulo final é bastante opressivo. O apartamento compacto de Helen, muito parecido com o de Rosy em "Telephone", e a casa da família condenado em "Wurdalak", logo assume uma atmosfera estranha, como a pobre mulher a ser atormentada pelo som de gotas de água e uma mosca a zumbir. O uso de Bava de luz e sombra é fascinante e certamente está entre os melhores nos seus pesadelos góticos. O final desagradável sugere muito fortemente que um destino semelhante irá acontecer à vizinha intrometida, que encontrou o corpo de Helen e tirou o anel para si mesma ...
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sábado, 4 de maio de 2013
Burn, Witch, Burn! (Night of the Eagle) 1962
Peter Wyngarde interpreta Norman Taylor, professor de psicologia, que desacredita em qualquer coisa sobrenatural sobre a religião ou a feitiçaria, e que é um absurdo que as pessoas acreditam em tudo o que diga respeito a isto. Até que descobre que a sua esposa é ela mesmo uma bruxa. Ao longo do filme ele vai encontrar várias formas de bruxaria, enquanto a sua "fé" é testada.
A contribuição da produtora/distribuidora Anglo-Amalgamated para a história do terror britânico foi muitas vezes negligenciada a favor de Hammer, Amicus, ou da Tigon. Apesar de não se ter especializada no género terror, provaram ser mais ousados do que os seus contemporâneos quando fizeram distribuir tal material. David Pirie é conhecido pela "Sadean Trilogy" compreendendo Horrors of the Black Museum (1959), Circus of Horrors (1960) e Peeping Tom (1960), que foram lançados para um público britânico desavisado pelo distribuidor. Os três filmes eram a cores, preocupados com o voyeurismo e o espectador, e rigorosamente contemporâneos. O último foi uma lição séria e inesperada sobre o poder da crítica, e a partir daqui em diante, a Anglo-Amalgamated começou a bater um caminho mais tranquilo no que dizia respeito ao género.
Os fanáticos do género que ainda não viram este filme de baixo orçamento terão uma verdadeira surpresa. Com base numa premissa narrativa simples, mas inspirada - um jovem professor procurando o sucesso certamente teria mais necessidade de assistência do "dark side" do que ninguém - e possui ecos claros de "Rosemary´s Baby" (Polanski terá sido inspirado aqui?). Na sua descrição, um casal amoroso cujas vidas são quase destruídas pelas suas crenças espirituais divergentes. O realizador Sidney Hayers e o director de fotografia Reginald Wyer dominam todo o filme com uma habilidade extraordinária, evocando o terror em interações aparentemente banais e objetos; chegamos realmente a acreditar que forças obscuras estão a governar este lar infeliz. A meia-hora final traz uma reviravolta inesperada, aquela que de repente lança uma nova luz sobre a narrativa - e a tensão simplesmente nunca cessa.
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Os Inocentes (The Innocents) 1961
Truman Capote e William Archibald adaptaram a peça de Henry James "The Turn of the Screw" e transformaram-na num dos filmes de terror mais memoráveis do século 20. Tem o sabor de uma dessas produções polidas dos estúdios britânicos, com muitas mãos a contribuirem para o produto final, mas a realização de Jack Clayton e a fotografia, em widescreen e a preto-e-branco por Freddie Francis ajudam a torná-lo num filme único (embora seja quase sempre ligado a outro filme enorme de Robert Wise, The Haunting - realizado nos Estados Unidos na mesma altura). Deborah Kerr interpreta Miss Giddens, a filha de um pregador que aceita um emprego como babysitter para duas crianças numa mansão isolada (o tio das crianças é um homem rico e ocupado, solteiro e não tem tempo para as crianças.) Miss Giddens conhece Flora (Pamela Franklin) com quem se dá bem, mas depois conhece o outro filho, Miles (Martin Stephens) depois deste ter sido expulso da escola. Miss Giddens começa a sentir coisas estranhas na mansão, vendo fantasmas e percebendo um comportamento estranho nas crianças. Ela conclui que dois antigos empregados mortos (amantes ilícitos) estão a possuír as crianças, mas será que é mesmo isso?
A abordagem atmosférica de Clayton sobre o material, criando um tom sinistro através da sombras, no foco profundo e pequenas peculiaridades, como velas a soprarem para fora e movimentos periféricos, culminando em eventuais manifestações visuais terríveis, de horror sobrenatural, dá-lhe uma qualidade atemporal. Também ajuda a traçar um paralelo entre a realidade física e objectiva sobre o estado psicológico de Miss Giddens, fazendo com que a natureza da antagonista não seja clara, superficialmente falando. O que é claro é a natureza dos segredos e os fantasmas como a representação de uma passada repressão. A misantropia e a manipuladora disposição das crianças sugerem algum tipo de abuso, que Clayton projecta para o território sexual quando um beijo de boa noite entre Miles e Miss Giddens dura um pouco mais do que devia.
O filme faz um uso notável de espaços drásticos, tanto interiores como exteriores, bem como o ruído usado na banda sonora aterrorizante. Não perdeu a sua eficácia ao longo dos anos, e continua a ser um must-see para os fãs do terror. Se o seguirmos atentamente, notamos a escrita inteligente de Capote no argumento, provavelmente mais em grande parte no diálogo de Miles, e definitivamente em alguns dos diálogos do tio.
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Black Sunday (La Maschera del Demonio) 1960
Com "Black Sunday", Mario Bava não só realizou o seu primeiro filme (se não contarmos com The Vampires, em que Bava era director de fotografia e acabou a realizar quando Freda saíu do projecto), e também fez o que muitos consideram ser o definitivo filme de terror gótico. Adaptado de um conto de Nicolaj Gogal, Black Sunday foi proibido na Grã-Bretanha durante oito anos, devido, em grande parte, à brutal sequência de abertura onde Barbara Steele é obrigada a usar uma máscara com picos no seu rosto.
A diabólica Princesa Asa (Barbara Steele) e o seu servo, são condenados à morte como punição por bruxaria e vampirismo, e presos na cripta dos seus antepassados, mas não antes dela prometer vingança sobre as futuras gerações da família dos seus capturadores.
Dois séculos mais tarde, quebra-se a roda do veículo que levava os médicos Andre Gorobec e Thomas Kruvajan a uma convenção, e acabam presos dentro de uma antiga cripta. Que, naturalmente, decidem explorar. Kruvajan corta-se a lutar contra um morcego gigante, e suas gotas de sangue caem no caixão da princesa Asa, e sem os intérpidos médicos perceberem fazem reviver a princesa.
Kruvajan e Andre conheceu a princesa Katia (Barbara Steele novamente). Steele parece resplandecente com as ruínas como pano de fundo, segurando as coleiras dois Dobermans, e exige saber o que os curiosos médicos estão a fazer, e André fica imediatamente apaixonado. Um apontamento importante para o primeiro aparecimento de Steele como Katia, ela parece ter nascido para este tipo de papel.
Enquanto isso, de volta à cripta, Asa já quase completamente rejuvenescida usa os seus poderes para ressuscitar o corpo em decomposição do seu servo, para que ele possa ajudá-la na realização dos seus desejos: matar a família de Katia.
Black Sunday é um filme de grande finesse visual. A névoa nas ruínas envoltas no local onde Asa habita, são um cenário particularmente surpreendente. Os efeitos especiais utilizados são muito leves, usando maquilhagem, iluminação e truques de montagem. Algumas sequências memoráveis ocorrem quando a máscara do diabo presa nos rostos de Asa e do seu criado é reflectida num copo de vinho, e quando dois olhos aparecem na cripta escura e vazia de cadáver de Asa.
Normalmente, os filmes de terror não ficavam famosos pela beleza ou qualidade estética, mas Mario Bava (e mais tarde Dario Argento) tomariam uma abordagem radicalmente diferente para retratar as cenas de terror. O homicídio e a morte eram erotizados e tornados em algo que é sombriamente bonito. Uma espécie de lógica de sonho entra em jogo quando o filme se aproxima do clímax, especialmente na cena em que Constantine se torna presa na passagem secreta atrás da lareira e é ameaçado pelo servo de Asa, que aparece do nada. Tim Burton iria prestar homenagem a este filme em Sleepy Hollow - que é tanto uma carta de amor aos filmes de terror da Hammer, como a Black Sunday.
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A Vítima do Medo (Peeping Tom) 1960
MarkLewis é um jovem tímido que trabalha como cenografista num estúdio de cinema, com aspirações de se tornar um realizador. Ele complementa o seu parco salário a tirar fotos pornográficas para revistas e a aluguer quartos na casa que herdou do seu pai. Embora aparentemente normal, Mark é vítima de uma obsessão obscura e perigosa: ele tem um prazer macabro de ver os outros sofrerem. Certa noite, ele segue uma prostituta e mata-a, filmando todo o incidente com a sua câmera portátil. Essa vai ser a sua nova obsessão.
Um dos maiores filmes de terror britânicos de todos os tempos, e um dos mais controversos, Peeping Tom marca um surpreendente novo rumo para o seu realizador Michael Powell. Na década de 1940, através da sua associação com Emeric Pressburger, Powell tornou-se uma das principais figuras da indústria cinematográfica britânica, com a elaboração de obras-primas intemporais como The Life and Death of Colonel Blimp (1943), A Matter of Life and Death (1946) and The Red Shoes (1948). Peeping Tom é um filme muito mais sombrio e muito mais complexo psicologicamente do que qualquer coisa que Powell tivesse feito anteriormente, embora o realismo mágico e a ironia de seus filmes anteriores seja vista várias vezes. O filme não foi bem recebido na sua primeira versão e a corrente de críticas negativas que despertou, efetivamente terminaram a sua carreira no cinema.
Curiosamente, Peeping Tom foi lançado poucos meses antes de Psycho, de Alfred Hitchcock (1960), um filme que tem muitas semelhanças com o de Powell e com o qual é muitas vezes comparado. Ambos apresentam um psicopata perigoso que é retratado como um ser jovem e simpático, embora um pouco sinistro, ambos têm uma natureza gráfica violenta, e ambos têm o voyeurismo como tema central. Considerando que “Psycho” foi um sucesso enorme de bilheteira, garantindo a reputação internacional do seu realizador, Peeping Tom foi submetido a uma remontagem desajeitada e acabou por ser um desastre comercial. Alguns críticos descreveram o filme de Powell como repugnante, outros disseram que era perverso. Quando o filme foi restaurado no final da década de 70, graças, principalmente, aos esforços de alguns admiradores notáveis como Martin Scorsese, foi universalmente aclamado como um dos maiores triunfos do cinema britânico. Talvez a recepção hóstil que Peeping Tom teve na sua primeira versão, possa ter menos a ver com seu conteúdo de horror (o que é insignificante para os padrões actuais) e mais a ver com o seu significado – que o cinema é inerentemente uma forma de arte voyeurista, que depende crucialmente dos instintos voyeuristas do público. Desde a sequência de abertura, Powell faz uma identificação entre o personagem central, que logo é revelado como sendo um assassino, e a audiência. O facto de Mark Lewis ser retratado não como um vilão, mas com simpatia, como uma vítima trágica, fortalece essa identificação com o espectador e somos atraídos cada vez mais para o seu mundo escuro e solitário. Nós tornamos-nos cúmplices dos crimes que comete, e que ele faz não por maldade, mas em resposta a impulsos psicossexuais torturados decorrentes de uma infância traumatizada. O voyeur real neste filme não é o protagonista, mas nós, a plateia.
Peeping Tom é um filme muito mais sombrio, muito mais inquietante do que Psycho, superando-o em termos de complexidade narrativa, tanto a nível de interpretações (Carl Boehm e Anna Massey são excelentes) como fotografia. Pode não ter os choques memoráveis de Psycho, mas é mais bem sucedido a atrair o público para dentro da mente de um psicopata, e ao mesmo tempo dando um sentido mais profundo do que significa o voyeurismo. Longe de ser tão chocante como alguns críticos pensavam que era, Peeping Tom é realmente um filme moral, que alerta para os perigos de retratar a violência excessiva no cinema.
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quinta-feira, 2 de maio de 2013
O Terror Europeu na década de Sessenta
Saltamos de um ciclo de Carpenter, que muitas vezes abordou o cinema fantástico, mais especificamente o terror, para outro ciclo do mesmo género, mas desta vez iremos até à década de 60.
A década de sessenta, trouxe basicamente duas vagas dentro do cinema de terror. De Itália, surgia o cinema gótico italiano, muito bem representado pelo grande Mário Bava, que só há sua conta poderia fazer um ciclo inteiro. Por outro lado, tinhamos a também escola de terror gótico da Hammer, que atravessou o seu melhor periodo exactamente na década de 60.
De um ciclo com 13 ou 14 filmes, não vou poder debruçar-me muito sobre estas duas escolas, mas ainda assim vão conhecer alguns exemplares.
De resto, esta década foi preponderante na evolução do cinema de horror. Desde os filmes de Hitchcock, como "Os Pássaros" ou "Psycho", "The Haunting", de Robert Wise, "Night of the Living Dead", de Romero, ou "Rosemary's Baby" de Polanski, todas obras nucleares na evolução do género ao longo dos anos.
Na Europa nunca houve muito dinheiro para investir em grandes efeitos especiais, mas houve sobretudo muita imaginação.
Este ciclo não pretende de modo nenhum ser uma lista dos melhores, mas uma selecção de obras que valem a pena ser reconhecidas. A partir de amanhã.
A década de sessenta, trouxe basicamente duas vagas dentro do cinema de terror. De Itália, surgia o cinema gótico italiano, muito bem representado pelo grande Mário Bava, que só há sua conta poderia fazer um ciclo inteiro. Por outro lado, tinhamos a também escola de terror gótico da Hammer, que atravessou o seu melhor periodo exactamente na década de 60.
De um ciclo com 13 ou 14 filmes, não vou poder debruçar-me muito sobre estas duas escolas, mas ainda assim vão conhecer alguns exemplares.
De resto, esta década foi preponderante na evolução do cinema de horror. Desde os filmes de Hitchcock, como "Os Pássaros" ou "Psycho", "The Haunting", de Robert Wise, "Night of the Living Dead", de Romero, ou "Rosemary's Baby" de Polanski, todas obras nucleares na evolução do género ao longo dos anos.
Na Europa nunca houve muito dinheiro para investir em grandes efeitos especiais, mas houve sobretudo muita imaginação.
Este ciclo não pretende de modo nenhum ser uma lista dos melhores, mas uma selecção de obras que valem a pena ser reconhecidas. A partir de amanhã.
Fantasmas de Marte (Ghosts of Mars) 2001
"John Carpenter's Ghost of Mars" começa como um bastante eficaz filme de terror/sci-fi, e de seguida, desenvolve-se rapidamente para uma obra de acção que envolve um pequeno grupo de sobreviventes a metralhar hordas de zombies possuídos. Carpenter, que co-escreveu o argumento com Larry Sulkis, tem uma idéia central interessante (mesmo que tenha sido utilizada no filme de Mario Bava, de 1965, Planet of the Vampires), mas, no final, permite que a idéia se desenvolva para algo bem diferente.
O filme passa-se no ano de 2167. Marte foi colonizada por milhares de seres humanos que estão à cerca de uma década a terraformar o planeta de modo a que a atmosfera seja completamente como a da Terra. Uma característica interessante atirada para a história é que a sociedade marciana tornou-se matriarcal, de modo que a maioria das figuras de autoridade são mulheres, em vez de homens. Isto inclui Melanie Ballard (Natasha Henstridge), uma das oficiais superiores de um esquadrão da Força Policial Marciana que está a caminho da principal cidade do planeta, Chryse City, em Shining Canyon, um pequeno posto avançado de mineração. Vão lá buscar James "Desolation" Williams (Ice Cube), um famoso criminoso acusado de matar e decapitar seis trabalhadores da ferrovia.
Uma vez em Shining Canyon, o pequeno esquadrão da policia (a maioria dos quais são novatos) rapidamente percebe que alguma coisa está mal. Encontram os prisioneiros, incluindo Desolation, trancado na prisão, mas mais ninguém parece rondar o local. Descobrem corpos decapitados de dezenas de moradores pendurados de cabeça para baixo, e pouco mais tarde, os seus chefes são encontrados presos fora da cidade. De seguida, os restantes moradores tornam a sua presença conhecida, com olhos demoníacos, rostos rasgados e pedaços de metal encravados nas bochechas, narizes e ouvidos, e parecem-se com uma multidão barulhenta de um concerto de Marilyn Manson, completamente fora de si.
Parece que os moradores de Shining Canyon foram possuídos pelos fantasmas desencarnados de Marte, que foram libertados durante uma escavação arqueológica. Estes aliens, que se parecem com névoa vermelha quando não estão dentro de um corpo humano, vão fazer tudo para impedir os seres humanos colonizadoras de assumirem o seu planeta.
Assim, temos uma espécie de inversão do colonizador/colonizado dinâmica, possuindo os corpos dos invasores humanos e forçá-los a mutilarem-se para depois se matarem uns aos outros. Se Carpenter fosse um realizador mais político, o filme podia ser lido como uma acusação bastante interessante da mentalidade colonial ocidental, que tem sido a principal causa dos problemas na Terra - da vasta disparidade económica do homem, à escravidão nos últimos 1.000 anos.
Mas, Carpenter provavelmente não queria que as pessoas lessem o filme de um modo tão intelectual, e transforma-o num filme de livre acção, que é exatamente o que "Ghosts of Mars" é. Para nos manter longe de pensar, Carpenter preenche o filme com violência, caos e os incessantes acordes de guitarra eléctrica que ele mesmo compôs. Certifica-se que não nos preocupamos com outras personagens, excepto Melanie e Desolation, que são os únicos que têm mesmo personalidade. Os outros policiais, incluindo Jericho (Jason Statham), que é um devasso sexual, ou Bashira (Clea DuVall), que não tem qualquer tipo de personalidade perceptível, são simplesmente carne para canhão.
"Fantasmas de Marte" é muito melhor nas sequências de abertura, como o mistério do que aconteceu a ser lentamente revelado numa série de flashbacks dentro de flashbacks. Sulkis e Carpenter usam uma estrutura narrativa bastante complexa, permitindo que a história seja contada através de Melanie, enquanto esta relata o que aconteceu a uma comissão de averiguação. Aproveitando-se da vermelhidão sinistra de Marte, Carpenter e o director de fotografia Gary B. Kibbe (que já tinha trabalhado em praticamente todos os filmes de Carpenter desde 1987) dão ao filme uma densa bizarrice estéril, como se as cenas fossem literalmente encharcadas de sangue . É lamentável, contudo, que Carpenter não tivesse uma ideia mais inspirada para a última parte do filme, repetitiva, cheia de violência, e uma explosão nuclear. O resto do filme era bom demais para se contentar com isto.
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Vampiros de John Carpenter (Vampires) 1998
A história de "Vampires" é que a Igreja Católica tem financiado secretamente grupos de caçadores de vampiros. James Woods interpreta Jack Crow, líder de uma dessas equipas. Quando o filme começa, Jack e a sua equipa de caçadores conseguem aniquilar um ninho de vampiros no Novo México, mas perdem o "mestre", um super vampiro chamado Valek . Naquela noite, enquanto os caçadores apanham uma overdose de álcool e sexo num hotel barato, Valek aparece e chacina quase toda a equipa. Crow, o parceiro Montoya (Daniel Baldwin) e uma prostituta (Sheryl Lee) conseguem escapar, mas a prostituta foi mordida. Crow planeia usar a ligação psíquica que resulta da mordida de vampiro para descobrir Valek. Mas Valek tem um outro plano que lhe dará a capacidade de sobreviver à luz do sol, dando a Crow um incentivo extra para encontrá-lo.
Um dos problemas mais preocupantes sobre "Vampires" é a misoginia do filme. Vive muito dos ferimentos da vampira, para não mencionar a forma como a câmera incide sobre Sheryl Lee cada vez que ela está atada, e são muitas as vezes. O exemplo mais preocupante, contudo, é a relação entre Montoya e Katrina (personagem de Lee). Porque ela em breve irá se transformar num vampiro, Crow trata-la como tal. Montoya, por outro lado, apaixona-se por ela.
"Vampires" deve muito da sua existência à dupla Tarantino/Rodriguez e a uma ideia chamada "From Dusk Till Dawn"(1996). Este mais recente filme tem muitos detalhes do filme de Rodriguez, desde os cenários do sudoeste americano até à banda sonora (composta pelo próprio Carpenter, como de costume) e os protagonistas vestidos de couro. Embora os vampiros do filme de Carpenter sejam mais inspirados por Anne Rice do que pelos monstros de Tom Savini que apareciam em "From Dusk till Dawn", é óbvio que "Vampires" está a tentar capitalizar sobre a popularidade do primeiro, que já é um filme de culto.
Thomas Ian Griffith é credível como Jan Valek, um vampiro mestre com 600 anos de idade. É uma criatura de poucas palavras, pouco atraente e ciente de uma enorme brutalidade. Carpenter queria que os vampiros neste filme fossem menos convencionais, pois eles não são atraentes, nem sexies. Também são afectados por cruzes e por alho. Simplificando, são apenas monstros diferentes, e Griffith era perfeito para estabelecer este elemento.
"Vampires" era originalmente para ser dirigido por Russell Mulcahy, com Dolph Lundgren no papel de protagonista.
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quarta-feira, 1 de maio de 2013
Fuga de Los Angeles (Escape from LA) 1996
Em 1998 um candidato à presidencia (Cliff Robertson) prega na sua campanha que Los Angeles precisa de ser "punida" pelos pecados que contém. No ano 2000 a cidade é separada do continente por um grande terremoto e transforma-se num local para onde todos os indesejáveis são remetidos. No ano 2013 o candidato do final do milénio tornou-se presidente vitalício mas a sua filha (A.J. Langer), não concordando com a política ditatorial do pai, que suprimiu uma série de liberdades individuais, rouba uma "caixa preta", que tem o poder de "desligar" todo o planeta e entrega-a ao principal líder (Georges Corraface) de Los Angeles. Assim, um aventureiro (Kurt Russell), que é um misto de herói e fora-da-lei, mas que em 1997 tinha salvo o presidente dos Estados Unidos, é "convocado" pelo actual presidente para recuperar a caixa e matar a filha, e se ele não cumprir a missão em menos de dez horas será morto por um vírus que foi colocado no seu sangue.
Escape From New York(1981) continua a ser a dos grandes filmes de acção e sci-fi. Uma obra inteligente, imaginativa e espirituosa de fantasia, que colocava a idéia de que Nova York estava a ser transformada numa prisão de segurança máxima, num mundo de crescente violência e brutalidade. Embora o filme não tivesse feito grande coisa nas bilheteiras (além de Halloween e Starman, poucos filmes de Carpenter fizeram um bom resultado na bilheteria), rapidamente se tornou numa grande peça de culto e os fãs pediram outra aventura de Snake Plissken. Em 1996, Carpenter e o seu protagonista preferido, Kurt Russell, finalmente cederam à pressão, e fizeram uma sequela.
Mais uma vez, Plissken é colocado na posição de ter de salvar o mundo - uma tarefa que ele realmente não gosta de fazer. Com o seu tipo de cansado do mundo, é, em muitos aspectos, um ainda mais escuro anti-herói do que tinha sido no primeiro filme. Claramente inspirado na personagem lacónica de Clint Eastwood, o "Man with No Name", Snake caracteriza uma figura impressionante deslizando através de uma paisagem pós-apocalíptica, impulsionado pelo desejo de auto-preservação em vez de um desejo de ajudar um mundo em que ele não tem mais nada a ver.
O argumento de Carpenter, Russell e da produtora Debra Hill trabalha sobre um determinado comentário social - Se "They Live" (1988) era uma crítica da era Reagan, "Escape from LA" tem o mesmo efeito sobre a administração Bush. Enquanto o presidente no primeiro filme (interpretado por Donald Pleasence) era humildemente ineficaz e sensível, desta vez o presidente (interpretado com fervor religioso por Cliff Robertson) é um louco que é capaz de tudo para atingir o seu objectivo.
Foi rodado com orçamento consideravelmente grande, mas morreu rapidamente no box-office. As crtiticas não foram muito positivas, no entanto, foi defendido ferverosamente por Roger Ebert (que normalmente não era muito apreciador de Carpenter). Embora longe de ser dos melhores trabalhos do seu talentoso realizador, ainda é muito melhor do que a média dos filmes pós-apocalípticos.
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A Cidade dos Malditos (Village of the Damned) 1995
A pequena comunidade costeira de Midwich cai sob um feitiço assustador que faz com que toda a cidade, de repente, fique em black out. Quando as mulheres despertam, encontram-se grávidas por alguma força desconhecida. Os filhos resultantes chegam todos de perfeita saúde e possuiem uma inteligência incrível, mas trás do seu olhar frio, e insensível existe um segredo terrível que os vai fazer matar para o manter oculto. "Village of the Damned" foi revivido em 1995 pelo ícone do terror John Carpenter, que muitos consideram ser o seu primeiro deslize para um declínio do realizador. Apesar de se manter fiel ao romance clássico de John Wyndham, "Village of the Damned" é feito como se fosse um drama feito para a televisão, oferecendo muito menos sustos do que a adaptação para o cinema do início dos anos 60.
Carpenter joga um pouco com a ideia de que as crianças-demónio podem ser capazes de se tornar algo mais emocional e humano sob certas circunstâncias: o pequeno David (Thomas Dekker), na verdade, desenvolve uma espécie de compreensão da dor e perda, pois ele é o único do grupo sem um companheiro. Essa idéia, no entanto, é aparentemente menor para qualquer discurso intelectual, talvez para permitir a possibilidade de uma sequela. (A sequela que se esperava e nunca aconteceu.)
O elenco é bastante eclético, e não há muitos rostos familiares da obra de Carpenter. Christopher Reeve (no seu último papel antes do trágico acidente) tem uma liderança sólida, que traz bastante presença na tela para o papel do médico da cidade. O resto dos personagens paracem realmente sinto colocados para ampliar a contagem de corpos. Temos Mark Hamill como o padre da cidade, o grande George "Buck" Flower, ou Kristie Alley, como contraponto romântico.
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terça-feira, 30 de abril de 2013
50 Pérolas do My One Thousand Movies.
Em Junho fará seis meses desde o desaparecimento do My One Thousand
Movies. Em jeito de homenagem, a programação deste mês será toda feita com uma
selecção de 50 obras que de certa forma marcaram o blog. Os mais simbólicos, a quem eu dei consecutivamente mais ênfase, não querendo dizer que fossem obrigatoriamente os melhores.
Porque o meu objectivo sempre foi o de preservar a memória do cinema, vai valer a pena recordar todas estas obras.
Porque o meu objectivo sempre foi o de preservar a memória do cinema, vai valer a pena recordar todas estas obras.
A Bíblia de Satanás (In the Mouth of Madness) 1994
Sam Neill interpreta John Trent, um investigador de seguros que está preso num asilo de loucos, assombrado na sua própria cela por um demónio sombrio. Depois de um médico se aproximar de Trent, a história desenrola-se como uma extensa busca em flashback para explicar a sua condição psicótica. Trent foi designado por uma editora cujo escritor-estrela é Sutter Cane (muito bem interpretado por Jurgen Prochnow), aparentemente desaparecido. O seu desaparecimento segue o seu mais recente lançamento em livro, um evento que desencadeia a histeria entre os seus leitores, porque quando as lojas ficam sem mais cópias para venda, os fãs começam a enlouquecer. Trent vai investigar o desaparecimento do escritor, mas está longe de imaginar o que está para vir...
Depois de um encontro desastroso com a máquina do estúdio de Hollywood em 1992, em Memórias de um Homem Invisível, John Carpenter tirou umas férias do cinema durante dois anos, só surgindo para dirigir e apresentar um episódio de uma antologia irregular para a tv cabo intitulada "Body Bags". A sua carreira tinha vindo a ser prejudicada pelo fracasso de The Thing (1982) e o seu entusiasmo pelo processo fílmico tinha azedado gradualmente. 1994 era o ano de "In the Mouth of Madness", e apesar de uma recepção calorosa mas pobre na bilheteria, dava evidências sólidas de que, se lhe fosse dado material decente e controle criativo, Carpenter ainda era um talento viável.
Uma homenagem auto-reflexiva a Stephen King e, em particular, a HP Lovecraft, o filme misturava o film noir, terror e surrealismo de uma forma verdadeiramente eficaz e original. Muito mais experimental do que a maioria dos seus outros trabalhos - Carpenter, afinal de contas, tinha-se modelado filme após filme - e continuava o seu fascínio por protagonistas duros, cenários claustrofóbicos e sequências bem orquestradas e assustadoras. O argumento escrito por Michael De Luca é repleto de toques e idéias inteligentes, e uma abordagem sensata e sólida do realizador, com o material a dar-lhe assunto para enveredar surpreendentemente bem pelo imaginário surrealista. Embora muitas vezes criticado por ser um filme que começa bem, mas perde vapor no final, eu diria que é um dos projetos realizados com mais sucesso do realizador. O final espiritual não oferece qualquer senso de conclusão ou explicação, e isto talvez seja um problema para alguns espectadores, mas se encaixa perfeitamente na divertida abordagem de auto-reflexão do do filme.
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