domingo, 10 de março de 2013

Duelo Entre Gigantes (Joko Invoca Dio... e Muori) 1968


O filme começa com uma cena terrífica. De cima, vemos um jovem em perigo, deitado na lama, lutando pela vida. Por um momento, parece que as pessoas estão a tentar dar-lhe alguma assistência atirando cordas na sua direção. Mas, então, como um choque, percebemos que os braços e as pernas estão amarradas a cavalos: e este homem está prestes a ser esquartejado! A brutalidade real não é mostrada, mas o grito do jovem a morrer, vai doer-nos até aos ossos.
Rocco é um ladrão de ouro, o seu amigo é dilacerado e ambos ficam sem o ouro, e assim ele parte para a vingança, para caçar os cinco bandidos que rasgaram o seu companheiro e fugiram com o produto do roubo. Mas há também um caçador de recompensas, que acaba por ser uma aquisição bastante estranha para esta história...
Antonio Margheriti foi um dos realizadores mais prolíficos da idade de ouro do cinema de género italiano. Ele fez peplum, ficção científica e filmes de ação, mas é mais conhecido pelos filmes de terror, como Danza Macabre (1963) e Lunghi eu Capelli della Morte (1964). Também fez um punhado de westerns, mas foram os seus dois westerns góticos que lhe garantiram um status de culto entre os fãs de spaghettis. Destes dois, "And God Said to Caim" é provavelmente o mais conhecido, mas este não lhe fica muito atrás.
"Duelo Entre Gigantes" não é um clássico, mas é um bom filme de vingança. É também um filme de vingança com um twist: o vingador é ele mesmo um dos bandidos que quer o seu dinheiro de volta, mesmo que não lhe tivesse sido roubado directamente. Ele e os amigos foram traídos depois de um assalto bem sucedido por uma quarta pessoa, um mexicano chamado Domingo que os vendeu para outro gang. Dois amigos morreram como resultado da traição, Nicky, um jovem acrobata, e Mendoza, o brilhante líder da quadrilha, apelidado de "O Professor", que tinha o roubo engenhosamente planeado. Rocco rastreia Domingo, que lhe dá três nomes, mas recusa-se a revelar o nome de uma quarta pessoa, "o homem em segundo plano". Enquanto persegue os assassinos dos amigos, é seguido por um misterioso homem de preto, que acaba por ser um agente de Pinkerton.
A história é um pouco mais pesada do que a maioria dos westerns de vingança. É-nos contada episodicamente, com Rocco a enfrentar os seus adversário um a um, e o elemento de "filme de detective" também é adicionado, mas a identidade do traidor é um pouco óbvia demais para o filme para ser eficaz nesse aspecto. Margheriti usa a sua experiência no género de terror para criar uma grande atmosfera gótica. A direcção vacila durante o final prolongado, passado numa mina de enxofre. A sequência final não é má, mas leva por muito tempo e carece de um verdadeiro clímax. Mesmo Margheriti concentra-se mais na atmosfera em vez da acção, o filme é bastante violento.
Pena que o protagonista tenha sido um pouco mal escolhido. Richard Harrison não tem carisma suficiente para liderar um western desta envergadura.

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Onde o Sol Nunca Brilha (Là Dove Non Batte il Sole) 1974


O recém-chegado ladrão, Dakota (Lee Van Cleef), é falsamente acusado de assassinar um asiático rico ao visitar uma pequena cidade do oeste. Saltamos para Hong Kong, e a Chiang Ho (Lie Lo) é dado a missão para salvar a honra da sua família e partir para o oeste, a fim de descobrir a fortuna do seu tio. Junta-se a Dakota para juntos descobrirem onde se encontra a fortuna do tio. Não levam muito tempo a descobrir que a chave para a fortuna está escondida numa série de pistas, que estão tatuadas em quatro mulheres. Partem então em busca destas mulheres e, na rota, pegam uma série de brigas de bar, envolvem-se com bandidos mexicanos, jogos de cartas manipulados e cruzam com o fabuloso Julian Ugarte, um pregador da Bíblia (com uma igreja construída na parte traseira de sua carruagem ), que distribui a sua penitência pelo meio de balas.
"Onde o Sol Nunca Brilha" (lançado nos EUA como "The Stranger and the Gunfighter") foi uma brincadeira de um bom gosto misturando o western spaghetti e o kung fu, dois elementos de estilo bastante diferentes. Não é um filme fantástico, e acaba por não ser bem sucedido, tanto como spaghetti ou filme de artes marciais, mas como uma mistura de ambos é uma peça divertida, realizada por António Margheriti, um realizador especialista em filmes de terror gótico, mas que também fez uma mão cheia de spaghettis.
Lee Van Cleef aparece bastante bem no filme, que é uma mudança agradável nos seus papéis, tanto como vilões, como personagens estóicas nos westerns spaghetti anteriores. Lo Lieh (Five Fingers of Death, Executioners From Shaolin) é grande, como de costume, fazendo algum trabalho incrível de kung fu.

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Cavalgada Fantástica (Take a Hard Ride) 1975


Kiefer (Lee Van Cleef) é um caçador de recompensas que leva o seu trabalho talvez um a pouco sério demais. Aprendemos isso ao observá-lo, perseguindo um bom homem que cometeu um crime décadas atrás, e desde então, que vem a ser perseguido pelo caçador. Não está preocupado em justificar a sua linha de trabalho, está apenas preocupado em fazê-lo bem. Quando Morgan, um rico fazendeiro que está a tentar mover $ 86.000 para o México, morre de causas naturais, deixa o dinheiro ao seu melhor amigo e empregado Pike (Jim Brown) agora responsável por esta missão. Isso faz com que Pike passe a ser um dos homens mais procurados em todo o velho oeste. Este cruza com Tyree, astuto e perigoso (Fred Williamson), que quer pôr as suas mãos no ouro, mas está disposto a ajudar a levar o dinheiro para o México antes de fazer o seu jogo. Ao longo do caminho estes dois tropeçam numa família que foi massacrada por cowboys. Entre eles está Kashtok (Jim Kelly), um índio criado como afro-americano, que usa os punhos em vez de uma arma. Este estranho grupo de viajantes vão ter que lutar contra várias armas no Oeste, assim como contra o perigoso Kiefer, o caçador de recompensas.
Pegamos num realizador italiano versátil, António Margheriti, três das maiores estrelas da Blaxploitation, uma banda sonora de Jerry Goldsmith e uma história envolvendo um Kung Fu indiano, uma prostituta à procura de redenção, racistas e religiosos, um vilão chamado Lee van Cleef - e temos este incrível western. Um raro exemplo de como a ética toma o spaghetti western de volta para os EUA e constroi algo único, como: um blaxploitation spaghetti western!
"Take a Hard Ride" não tem a história mais original. Jim Brown jura ao seu chefe moribundo que vai levar o seu dinheiro para o México, e que a sua versão mexicana do Shangri La pode ser construída. Então, é emboscado regularmente por qualquer pessoa que ouve falar sobre o dinheiro, incluindo Fred Williamson. Uma vez que Williamson, Kelly e Brown se unem, a vitória está garantida, enquanto combatem os banditos, o KKK e Van Cleef.  Ebora o filme não seja uma aula de história, é engraçado assistir a um western, onde os negros acabam por vencer.
Um detalhe engraçado é a quantidade de velhas estrelas de Hollywood que podem ser encontradas no filme: Harry Carrey Jr, Barry Sullivan, ou Dana Andrews.

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sábado, 9 de março de 2013

Matá-Lo! (¡Mátalo!) 1970


Os primeiros tempos do Spaghetti Western viram os produtores italianos tentando disfarçar os seus filmes da melhor forma possível. Actores americanos ou britânicos foram trazidos para os papéis principais,  nomes americanizados foram dadas ao restante elenco e o argumento e a realização foram desenvolvidos, tanto quanto possível para imitar os westerns americanos. Tudo isto mudou quando Leone e Corbucci transformaram o género em 1966, e os realizadores europeus começaram a perceber que poderiam fazer westerns do seu próprio modo. Mais marcante foram as vezes em que a marca europeia do surrealismo foi aplicada no velho oeste. 
Numa pequena cidade do Oeste, Bart (Corrado Pani) tem a cabeça num laço esperando a sentença de morte, quando um gang de bandidos mexicanos invade a cidade, matando toda a gente à vista e libertando o condenado. Já fora da cidade, Bart compensa os bandidos, apenas para matá-los momentos depois. Encontra-se com os velhos amigos Ted e Phil, e retiram-se para uma desolada cidade fantasma, para planear uma emboscada numa carruagem que leva uma grande quantidade de ouro. A emboscada é bem sucedida, mas Bart é abatido. Como o regresso do grupo, com menos um membro, para a cidade, dois outros viajantes aproximam-se para um confronto com este bando mortal ...
Embora Matalo! seja um remake de "Kill the Wickeds", é um western bem único. Há algumas semelhanças com os westerns de Monte Hellman, mas sente-se mais próximo em espírito de filmes como "The Wild Angels" ou "Easy Rider", com os membros do bando a agirem como se fossem membros dos Hells Angels. Claudia Gravy, a mulher do grupo, poderia ser a namorada de qualquer um, mas submete-se a Pani, o líder do bando. A maioria dos elementos da história original foram respeitados, mas há uma pequena alteração que parece bastante essencial: no filme original não era Bart, mas um dos outros membros do gang (o Braxter deste filme, interpretado por Luis Davila), que ìa ser enforcado na cena de abertura. É uma melhoria definitiva para o filme terminar com a sua presença, Pani realmente torna-se o personagem central da narrativa, mesmo que esteja está ausente durante a maior parte do filme.
O realizador Cesare Canevari é o homem que faz o filme único, e é ajudado extensivamente pelo compositor Mario Migliardi com uma banda-sonora completamente psicadélica, que soaria melhor num Giallo de Dario Argento - mas desde o ínicio fica claro que este não é um spaghetti normal. A cenografia é particularmente digno de nota, a cidade fantasma é uma das melhores de todos os westerns e garante dezenas de ângulos surpreendentes para os cinegrafistas poderem trabalhar. Canevari toma muito bem proveito de todas estas características, combinado com uma montagem distintamente rápida para dar ao filme uma atmosfera única e memorável.

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Kill the Wicked! (Dio Non Paga il Sabato) 1967


Numa pequena cidade do Velho Oeste, um bandido está prestes a ser enforcado pelos seus crimes, mas antes que a sentença possa ser executada, os seus amigos e um grupo de assassinos mexicanos contratados atacam os habitantes da cidade e libertam-no. Quando reunida, a quadrilha paga aos mexicanos, mas rapidamente ataca-os durante a noite para ter de volta o dinheiro. O grupo planeia um ataque a uma diligência que leva uma grande quantidade de dinheiro - o assalto é bem sucedido, mas Randall (Rod Dana) é abatido e não regressa com os outros. O resto do bando esconde-se numa cidade fantasma até que o calor os obrigue a deslocar-se para o México, mas quando um vagabundo e uma mulher que ele salvou de uma carroça virada chegam à cidade, a atmosfera começa a mudar e surgem tensões entre os membros do gang...
Escrito pelo argumentista Mino Roli, "Kill the Wickeds" é um exemplo das grandes mudanças que os cineastas italianos fariam aos westerns durante os anos 60 - as lutas são duras, brutais e sangrentas e há várias dicas sexuais e cenas de nudez perto do final que fazem o filme parecer uma obra mais tardia dos spaghettis. O enredo é extremamente simples e durante dois terços do tempo os personagens nunca deixam a cidade fantasma - no entanto, embora num ritmo lento, alguma forte caracterização combinada com uma atmosfera muito inquietante e genuinamente assustadora certifica-se que o filme nunca se torna aborrecido - até chegarmos a um clímax muito eficaz e tenso. 
Seria o segundo western spaghetti do realizador Tanio Boccia, por vezes chamado do Roger Corman italiano, por causa da sua capacidade de fazer filmes em muito pouco tempo, e com muito pouco dinheiro. Alguns dos seus filmes são horríveis, outros bastante agradáveis, e os seus fãs dizem que este é o seu melhor trabalho. É mais um dos tesouros escondidos do género. O filme foi completamente esquecido quando foi lançado. Na verdade, teve tão pouca atenção que o argumentista Mino Roli achou que era possível vender a mesma história, alguns anos depois, ao produtor/realizador Cesare Canevari, que transformou-o numa das obras mais bizarras de todos os spaghettis: Mátalo!

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sexta-feira, 8 de março de 2013

A música em 10 filmes

Nos próximos dois meses vou ser um dos convidados do site Amplificasom, onde irei publicar uma lista de 10 filmes relacionando o cinema com a música. Podem ver a introdução aqui, e seguir o blog neste link.
No final, as minhas escolhas irão originar um ciclo aqui no MTTM, onde poderão ver os filmes.
Fiquem atentos.

A Colina dos Sarilhos (La Collina Degli Stivali) 1969


A parte final da trilogia que Hill e Spencer fizeram com o realizador Giuseppe Colizzi, antes dos famosos filmes do Trinitá. Nenhum dos seus filmes tem dividido tanto os fãs do género como este. Muitos pensam que é um dos seus piores filmes, mesmo um dos piores Spaghetti Westerns de sempre, mas também existe um pequeno, mas dedicado culto, especialmente entre os fãs do realizador.
A cena de abertura é muito forte. Hill a ser perseguido por vários adversários fora de uma tenda de circo. Dentro da tenda, acrobatas realizam um número perigoso no trapézio. Transversais entre as duas acções, e um forte sentimento de ameaça é criado. Hill consegue escapar dos seus perseguidores por subir a um dos vagões do circo. Ferido, é ajudado pelas pessoas do circo, mas os seus perseguidores ainda estão no seu encalço e quando entram no circo, um dos jovens acrobatas é morto. Hill agora junta-se ao amigo da vítima (Woody Strode) e ao seu ex-amigo Hutch (Spencer) para enfrentar os criminosos, um grupo de pistoleiros  corruptos, liderados por um homem chamado Mel Fisher (Victor Buono), que corre com pessoas honestas das suas propriedades.
Ironicamente, esta cena de abertura não foi antecipada. Colizzi escreveu e produziu o filme, mas quando o realizador original, Romolo Guerrieri, foi despedido (por razões obscuras), ele assumiu a realização. Guerrieri tinha rodado a maioria das cenas dentro do circo e Colizzi achou que elas eram muito boas, mas não sabia onde inseri-las no filme, quando de repente teve a idéia de cruzá-las com outras cenas.
"A Colina dos Sarilhos" também carece de um bom vilão. O gordo e indolente Victor Buono pode ser um bom vilão para uma história do Batman, mas os westerns spaghettis precisam de um confronto no final, e quando Hill e Buono finalmente se encontram cara a cara, não acontece nada. Mas se Buono é uma desvantagem, Strode é um bom activo. O ator americano negro teve uma longa carreira no seu país natal, mas nesta altura era mais identificado com o seu trabalho no exterior, em primeiro lugar, claro, a cena de abertura de "Acoteceu no Oeste", de Sérgio Leone. É difícil de acreditar que tinha 55 anos quando fez este filme. Outra cara conhecida é o sempre confiável Lionel Stander, que também entrava no filme de Leone. Alguns consideram a banda-sonora de Carlo Rustichelli demasiado 'jazzy' para ser apropriada para uma banda-sonora de um western spaghetti, mas até que entra bem no filme. 

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O Ás Vale Mais (I Quattro dell'Ave Maria) 1968


Este é o segundo da trilogia de "Cat and Hutch", de spaghetti westerns, interpretados por Terence Hill e Bud Spencer, que mais tarde viriam a ganhar fama internacional como os irmãos cómicos pistoleiros de "Trinitá - Cowboy Insolente (1971) e a sua sequela. Aqui, a dupla conta com um ajudante de peso para o elenco, Eli Wallach, aqui interpretando uma versão mais suave e ligeiramente mais inteligente do seu personagem Tuco, em "O Bom, o Mau, e o Vilão", de Sérgio Leone.
Cat Stevens e Hutch Bessy recebem 300 mil dólares de Mr. Harold, o presidente do banco de El Paso, como recompensa por terem encontrado uma carroça cheia de ouro, que tinha sido roubada. Mas, assim que eles deixam a cidade, Mr Harold vai à cadeia falar com Caco, um famoso fora-da-lei, que se encontra condenado à morte, e faz-lhe a seguinte proposta: ele ajuda-o a fugir e, em contrapartida, Caco recupera o dinheiro entregue a Stevens e ao seu amigo. Caco aceita, mas está obcecado em vingar-se das pessoas que o meteram na cadeia...
Se o filme anterior era uma espécie de releitura de "Por Mais Alguns Dólares", esta sequela, com as suas mudanças de alianças e estrutura episódica, está mais próxima, em espírito, de "O Bom, o Mau e o Vilão", só que desta vez a recompensa não está escondida num cemitério remoto, mas muda de mãos várias vezes. Assim que Hill e Spencer estão fora da cidade, são roubados por Wallach, que perde o dinheiro, por sua vez, numa mesa de jogo, no casino do seu velho amigo (Kevin McCarthy). Eventualmente, a equipe de três homens ganha uma quarta pessoa (um acrobata interpretado pelo actor negro Brock Peters) para restaurar o dinheiro de volta e ajudar Wallach na execução da sua vingança. Alguns elementos da história, entre eles o grand finale, passado em volta de uma mesa de jogo, são tirados a partir do romance americano The Hoods, de Harry Grey; que era o romance preferido de Colizzi que tinha mostrado a Leone dois anos antes. Sergio Leone, evidentemente, viria a usá-lo como base para o seu próprio "Era Uma Vez na América".
O visual do filme é grandioso, tendo grande inspiração nos filmes de Leone. Muitas sequência cheia de sol, paisagens desérticas e abundância em ângulos de câmara frios, dão ao filme uma aparência de um Spaghetti Western de topo, que certamente será do agrado dos fãs de Leone. 
A Paramount Pictures pegou no filme para distribuição nos EUA, sem dúvida, porque tinha no elenco Eli Wallach. Colocaram mesmo o seu nome estampado acima todos os outros, e ignoraram o facto do filme ser, na realidade, uma sequela. 

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Deus Perdoa... eu Não (Dio Nerdona... Io no!) 1967


Este era o primeiro filme da dupla Hill & Spencer, que daria ao western italiano um novo fôlego (e um novo rosto) nos anos seguintes. Mas esta não é uma comédia: é um filme escuro, sinistro e violento. Abre com uma cena magnífica: uma festa de boas-vindas espera a chegada de um comboio, mas quando este chega não pára, e prossegue, embatendo na barricada no final da linha. O comboio parece vazio, mas na realidade foi roubado, e todos os passageiros foram massacrados, com excepção de um. Um homem ferido que foi deixado a morrer e, aparentemente, perdeu os sentidos.
É uma cena desconfortável, dando o tom para a atmosfera sinistra do filme. Pouco depois, sabemos que o único sobrevivente viveu o tempo suficiente para dizer o nome do ladrão que roubou o comboio a um homem chamado Hutch, que trabalha como investigador de uma companhia de seguros. O nome, Bill San Antonio, pertence a um homem que se acredita ter morrido num duelo com um pistoleiro chamado Cat Stevens. Hutch pensa que Cat também quer descobrir o que está a acontecer, e propõe que unam forças, mas Cat prefere trabalhar sozinho. Ele deixa Hutch e parte em busca de Bill San Antonio, com Hutch no seu encalço. Quando Cat é capturado pelos bandidos, Hutch salva a sua vida. Agora, os dois homens unem-se "para roubar o dinheiro roubado" do bandido sádico e aniquilar o seu bando num confronto final. 
O realizador Colizzi já andava a pensar num western-thriller há alguns anos, mas o projeto só tomou a forma final depois dele ter passado algum tempo com Leone, tanto no set como durante a pós-produção de "O Bom, o Mau e o Vilão".O título do filme era para ter sido "Il Gatto, Il Cane e la Volpe" (O gato, o cão e a Raposa) mas Colizzi tinha vendido os direitos a um produtor, Fulvio Lucisano, que entretanto tinha escolhido outro realizador. Entretanto, Colizzi comprou os direitos de volta, e auto nomeou-se realizador. Queria lançar um actor fortemente construído para a parte do Cão, em contraste com o elegante e bem parecido Peter Martell, que iria interpretar o Gato. Pensou em Carlo Pedersoli, um ex-campeão de natação, que representou o país nos Jogos Olímpicos, e tinha entrado em alguns filmes na década anterior. Quando a equipa de produção já se encontrava em Espanha para iniciar a rodagem do filme, Martell teve uma discussão com a esposa e partiu um dedo do pé ou ou uma perna. Oficialmente, Martell partiu um dedo do pé, quando deu um pontapé numa cadeira durante uma briga inútil com a esposa, mas de acordo com algumas testemunhas, ele partiu uma perna quando caiu das escadas do hotel espanhol, depois da sua esposa lhe ter dado um tabefe, porque ele a andava a enganar.
Colizzi tinha assim, apenas dois meses para fazer o filme e o trabalho não poderia ser adiado. Voou  para Roma para encontrar um substituto, e, segundo dizem, Mario Girotti foi recomendado a Colizzi por Manolo Bolognini, o produtor de Django (que conhecia Girotti da produção de "Little Rita of the West"). Tanto Pedersoli como Girotti foram convidados a escolher um nome para o mercado internacional. Girotti escolheu o nome a partir de uma lista que foi lhe foi entregue, aparentemente porque TH eram as iniciais da sua mãe, e ficou Terence Hill. Pedersoli não preciou de lista: Spencer Tracy era o seu actor preferido e estava a segurar uma garrafa de Budweiser quando foi convidado a inventar um pseudo-nome. Assim ficou Bud Spencer.
O argumento trai a história por causa de múltiplas escritas e reescritas. Devido a uma série de flashbacks e reviravoltas, os telespectadores precisam de muita atenção para acompanhar a história. Mas toda esta comoção não pode esconder que o script é uma espécie de releitura do filme de Leone "For a Few Dollars More", de dois homens com diferentes métodos a unir forças (primeiro relutantemente, depois, com todo o coração), enquanto perseguem um bandido psicopata. No entanto, a conclusão do filme, está mais próxima de "O Bom, o Mau e o Vilão", ecoando o triello do cemitério de "Sad Hill". O título original foi abandonado, mas a idéia dos três personagens contrastantes, simbolizados pelos nomes de animais, é ainda perceptível: Hill é o gato, que sobe a telhados, ágil e rápida; Spencer o cão tenaz, seguindo uma trilha, Wolff a raposa, manhoso, traiçoeiro e sanguinário. Embora Hill e Spencer não sejam realmente utilizados como um duo, há alguns lampejos de química, anunciando algo que acontecerá num futuro próximo. Mas o filme definitivamente pertence a Frank Wolff, como o ruivo Bill San Antonio, um dos grandes vilões do género.

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quinta-feira, 7 de março de 2013

Terence Hill & Bud Spencer: a Trilogia Colizzi

O cinema italiano é geralmente associado a nomes como Luchino Visconti, Sophia Loren ou Roberto Benigni, mas poucos têm influenciado tanto a sua percepção do mundo entre o público de massas como estes dois actores fizeram. Ambos se tornaram famosos pelos seus nomes de artistas e não pelos seus nomes verdadeiros, em papéis que envolviam humor adolescente e muitas lutas exageradas: Carlo Pedersoli, o ex-atleta olímpico famoso pelos seus grunhindos, barba selvagem e grande tamanho corporal, também conhecido como Bud Spencer, e Mario Girotti, conhecido pelos olhos azuis, cenas acrobáticas e presença recorrente na TV italiana, também conhecido como Terence Hill.
Enquanto que o Spaghetti Western tinha muito a oferecer, a partir de filmes sérios e violentos, mais de empreendimentos artísticos e experiências bizarras, do que filmes propriamente cómicos. Contudo, tudo mudou a partir de um certo momento, quando as velhas fórmulas começaram a ficar gastas, e era necessário conquistar novos públicos. Foi então que surgiram os westerns cómicos, pelo bem, e pelo mal, que chegaram para ficar. E duas figuras se destacaram neste momento, Hill e Spencer.
 Os filmes de Spencer/Hill alcançaram uma audiência tão ampla, que quase constituem o seu prório sub-género, que em números absolutos é, provavelmente, uma das duplas mais populares de sempre. Contracenaram juntos em 18 filmes, o mais famoso "Trinitá, o Cowboy Insolente", que no momento em viu a luz do dia, se tornou o filme italiano mais visto de sempre. E não me refiro apenas aos westerns. 



Os filmes da trilogia Colizzi foram feitos antes do sucesso de Trinitá. Estes filmes formam uma das trilogias mais criticamente controversas e diferentes de todas as trilogias de spaghettis. Os pontos fortes são numerosos, mas as falhas também não são poucas. Mas não há como negar que esta trilogia é pesada em estilo e atmosfera. Giuseppe Collizzi dirigiu estes três filmes, ainda no auge do género. O primeiro filme foi muito elogiado na comunidade Spaghetti embora alguns criticassem o seu ritmo lento. O terceiro, por sua vez, é um dos spaghettis mais odiados. 
Amanhã vão poder conhecer esta trilogia. 

Cemitério Sem Cruzes (Une Corde, Un Colt) 1969

 

Ben Caine e os dois irmãos roubam o ouro da família de Roger, em resposta a eles lhe terem roubado gado. Ben é enforcado em frente à sua mulher, e ela viaja para uma cidade fantasma para convencer o amigo de Ben, Manuel, para executarem a merecida vingança. Ele fá-lo, embora a contra vontade. 
Num filme cheio de atmosfera e estilo, Robert Hossein conta uma história familiar, mas trata-a com classe. O tema aqui, embora de certa forma usado, é tratado como se nunca tivesse sido usado. Não mostra a vingança de uma forma agradável, como acontecia muito em filmes deste género, mostra como um círculo sem fim irá destruir todos os que se envolvem nele. Um filme anti-vingança, por assim dizer. Para começar, este é um filme muito estilizado. Hossein conta-o à sua própria maneira. O seu estilo é muito melancólico e segue a tradição de Leone de deixar as cenas falarem por elas mesmas, não havendo muito diálogo. Mas Hossein não copia Leone directamente. Ele reutiliza-lo, filmando-o à sua própria maneira. Um exemplo, quando Manuel (Hossein) e Maria (Mercier) estão na cidade fantasma. Manuel olha para Mercier, de uma forma profundamente triste, mas ela está tão preocupada com a vingança que mal consegue ver o seu amor por ela. Evita responder às "chamadas" de Manuel, evitando o contacto com os olhos, porque a vingança envenenou a sua mente. Ele percebe que Maria se tornou numa espécie de monstro, porque, enquanto isto acontece, os dois meio-irmãos violam a filha de Roger. Uma inocente que não tinha nada a ver com o assassinato do marido de Maria. Mas Manuel também não faz nada para detê-los, porque ele ama Maria. Tudo isto acontece num espaço de 3 minutos e definitivamente diz mais do que mil palavras. Este estilo de abordagem faz o filme parecer uma obra de arte, embora assim, a acção seja bem mais lenta, e sem darmos por isso já passaram 30 minutos de filme.
O personagem principal Manuel é um homem deprimido e perturbado, o que faz dele um perfeito anti-herói. Um pouco semelhante às personagens de Leone, mas também completamente diferente. muito mais profundidade neste personagem. É um assassino magnífico, e mata quase sem qualquer hesitação, mas há qualquer coisa nele que o torna numa personagem "cool". Sempre que dispara a arma coloca uma luva de couro preto. Quase nunca fala, e por vezes parece prefere deixar a luva fazer a falar por si.
Esta era uma co-produção franco/italiana, embora francesa na sua maior parte. Além de haver um monte de Pierres no elenco principal, há coisas que só podemos encontrar nos westerns franceses. Sempre que um personagem bebe café, está a fazê-lo de uma tigela. Também há uma cena com cerca de 20 vaqueiros todos sentados numa mesa a comer sopa. Além disso, embora não seja tão perceptível, na cena do mesmo jantar, a família Rogers cruzam as mãos como fazem no Catolicismo.
Um western a não perder.

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O Pistoleiro Esquecido (Il Pistolero dell'Ave Maria) 1969

 
"Il Pistolero dell'Ave Maria" foi feito em 1969, quando o western spaghetti ainda era muito popular, mas definitivamente começava a mostrar sinais de desgaste. As velhas fórmulas íam ficando gastas, e novas tiveram de ser encontradas. Enquanto alguns realizadores decidiram adicionar o elemento cómico ao género, outros tentaram criar uma variação mais adulta, remodelando as histórias de vingança clássicas. Johnny Hamlet (Quella sporca storia nel west/1968) era uma adaptação "suja" de Shakespeare, da história de Hamlet, "O Pistoleiro Esquecido" era uma releitura da lenda grega de Orestes, filho de Clitemnestra e Agamenon, que vinga o assassinato do pai, com a com a ajuda do amigo e ex-mentor Pílades, e a irmã Electra.
Neste filme de Ferdinando Baldi, Orestes chama-se Sebastian, e tornou-se num jovem a viver por conta própria. Um dia, um estranho ferido chamado Rafael refugia-se na sua casa e diz-lhe que é um velho amigo e que Sebastian é o filho do general mexicano Carrasco, que foi assassinado anos atrás pela sua esposa Anna e o amante Thomas, quando ele regressava de uma campanha militar. Sebastian conseguiu escapar com a ajuda de uma empregada, e a sua irmã Isabella foi forçada a casar-se com um homem que não amava, permancendo virgem. O seu verdadeiro amor era Rafael, que foi perseguido e castrado (!) pela escumalha que trabalhava para o casal assassino. Sebastian não se lembra do massacre, mas o badalar dos sinos anunciam memórias fragmentadas, e então começa a seguir Rafael, a fim de reconstruir o seu próprio passado. Depois de todos estes anos, Rafael continua a ser perseguido pelos homens que trabalham para Anna e Thomas, e em diversas ocasiões, Sebastian salva-lhe a vida.
Tal como "Johnny Hamlet", "O Pistoleiro Esquecido" não era muito popular na altura em que foi lançado pela primeira vez. Hoje, o filme tem um ferveroso culto de seguidores, e de acordo com Tom Betts é uma dessas jóias quase esquecidas do género que cada fã deve verificar. Ao mesmo tempo, o filme é rejeitado por outros, por ser demasiado complicado e melodramático para o género.
  
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A Vinganca de Bill Kiowa (Oggi a Me... Domani a Te!) 1968



Muitas vezes apresentado como uma comédia de Bud Spencer sem Terence Hill , este filme deve ter criado muita frustração entre os fãs dos filmes de Trinitá. Apesar de existirem alguns momentos cómicos , eles são de menor importância. "A Vinganca de Bill Kiowa" é um típico western de vingança, sangrento e violento, na melhor tradição do western italiano , com algumas piscadelas a Hollywood também. Usa a técnica de Leone para ilustrar o conflito central , através de um flashback (filmado a preto e branco), enquanto o vingador Bill Kiowa (Brett Halsey) reúne um pequeno exército de especialistas na verdadeira tradição de Hollywood ( The Magnificent Seven) antes de marchar contra o seu arqui-inimigo Elfego (o actor de Kurusawa, Nakadai), que se cercou de Comancheros , Comanches mestiços d e ascendência mexicana. Depressa percebemos quem é o vingador e o vilão do filme, mas a explicação de que exatamente faz Kiowa querer vingar-se de Elfego é adiada , como em Por Mais Alguns Dólares . A primeira meia hora , em que Kiowa reúne o seu gang , é bastante parada , mas uma vez que descobrimos que crime Kiowa foi culpabilizado por Elfego , o filme tem o seu verdadeiro início . Elfego mais uma vez tenta culpar Kiowa por um crime, mas desta vez este é salvo pelos membros do seu bando . Os dois bandos, finalmente encontram-se n uma floresta, no final violento e prolongado do filme. Antes de Kiowa e Elfego se encontrarem face a face, os homens de Elfego , perseguidos por Kiowa e os seus homens , são mortos um a um , de forma bastante violenta . Aliás, este foi um dos spaghettis que teve problemas com a censura. "A Vinganca de Bill Kiowa" é o único western spaghetti dirigido pelo produtor Tonino Cervi , que também co-escreveu o argumento com Dario Argento. A maioria dos exteriores foram rodados no outono ( frio e húmido ) de 1967, em La Caldara di Manziana, a noroeste de Roma. Alguma cenas (entre as quais algumas na cidade ) foram aparentemente filmadas em meados do inverno, com neve a cobrir o chão . O filme foi filmado por Sergio D' Offizi , que foi convidado para fazer a fotografia por Cervi e Argento , que ficaram impressionados com o seu trabalho em "Ognuno per se ". Directores de fotografia italianos foram muitas vezes acusados ​​de terem pouco olho para a beleza cénica, mas D' Offizi consegue tirar o melhor da exuberante paisagem e o filme realmente parece maravilhoso com as suas ricas cores outonais.

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quarta-feira, 6 de março de 2013

Tepepa (Tepepa) 1968


Os westerns revolucionários que se tornaram um sub-género durante o ciclo de westerns italianos produziram alguns dos filmes mais interessantes da altura. " A Bullet For the General" , " Companeros" e " The Mercenary" são bons exemplos de como a revolução mexicana providenciou um cenário rico para os talentos criativos dos melhores argumentistas e realizadores do cinema italiano comercial . As trágicas histórias políticas e pessoais que a situação oferecia, levaram a uma aproximação mais intelectual e um resultado final que foi mais pensativo e instigante do que os outros westerns de acção . Tepepa é, possivelmente, o mais provocante de todos eles. Aparentemente esta é uma história de uma figura revolucionária lutando para continuar a revolução depois de Madero se tornar presidente, e não cumprir as promessas eleitorais . Perseguido pelo exército e pela polícia, Tepepa é um renegado que vive sob ameaças de todos os lados. Mesmo o médico Inglês que o salva do pelotão de fuzilamento só o faz para ter o prazer de ser ele mesmo a matá-lo . Um acto que tenta realizar ao longo do filme . Mas Tepepa, o filme, é muito mais complexo do que o conto de um simples herói popular , com algumas explosões e tiroteios pelo meio. Para começar , o estilo da narrativa não é nada simples. A progressão da história com uma série de flashbacks , contando memórias e relatos de testemunhas que atiram a história de volta até a o presente, mas , na realidade, só servem para ofuscar a nossa capacidade de identificar factos reais e motivações . Como uma história com uma série de narradores não confiáveis ​​o filme atrai -nos para um único ponto . Todos os personagens têm os seus próprios preconceitos e são dirigidos pelas suas próprias prioridades. Todos insistem que deve prevalecer o bem comum, mas todos, de alguma forma , querem se servir a eles mesmos . E m última instância, são corrompidas por qualquer nível de poder que ganham, e estão cegos pela sua própria visão inabalável do que é mais importante . Tepepa então, não é um filme fácil de se ver. E xige mais do seu público do que simplesmente seguir um herói através de um final feliz ou simplesmente desfrutar da acção por um passeio através da revolução mexicana. Os personagens são complexos e antipáticos em variados graus. Aqueles que são obrigados a pensar têm as suas fraquezas expostas. Thomas Milian é o protagonista, num papel que lhe assenta como uma luva, e contracena com John Steiner e Orson Welles. Realização de Giulio Petroni.

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Requiescant (Requiescant) 1967


A alegoria política sempre foi um forte componente no western italiano. Alguns filmes são mais pesados ​ do que outros, e isso é mais visível em muitos spaghettis . " Requiescant " está entre os mais abertamente alegóricos dos Spaghettis não- Zapata . Então, não é nenhuma surpresa que Carlo Lizzani , o realizador, fosse ele próprio um comunista. E se isto não é prova suficiente , temos o famoso realizador , Pier Paolo Pasolini, num papel de apoio como um padre revolucionário. Este filme conta a história de um jovem mexicano que é criado pelos anglo - católicos depois da sua família e amigos serem abatidos por um grupo de vilões da aristocracia. Quando chega a homem, é enviado para procurar a irmã adoptiva, de uma fuga . A jornada leva-o por um caminho inesperado de tiroteios e lutas de classes.
Embora pareça muito sério , o filme tem uma sensação que faz com que a pesada mensagem política seja mais fácil de digerir , embora os paralelos comunistas sejam óbvios . Mas isto não é feito através dos clichés da política cinematográfica . Alegoria política posta de lado , temos aqui um belo exemplar de spaghetti western . Talvez um pouco excêntrico, em relação aos outros filmes do mesmo género.
É um filme com muito estilo, e bastante elegante. Há muitas sequências que são filmadas de um modo não- realistico, pelo puro estilo , puro espectáculo . É aqui que o filme brilha . Uma sequência famosa tem o nosso herói (Lou Castel) e o vilão de Mark Damon a envolverem-se em uma competição de bebida/tiro. O olhar barroco e a completa falta de realismo em cena é um dos melhores recursos de Requiescant . São cenas como esta que tornam o filme mais fácil de ser visto . Outro aspecto observado é a violência . A cena de abertura é especialmente eficaz com o bando de mexicanos desarmados a serem ceifados pelas metralhadoras Gringas . Talvez seja uma referência para a Nouvelle Vague francesa onde o humor é justaposto com violência.
Apesar de ser um filme muito interessante e divertido , Requiescant não está ausente de problemas . A trama é um pouco difícil de ser seguida. Sabemos por que o nosso herói está envolvido nestas coisas. Mas uma vez que o vilão Mark Damon é introduzido, todo o enredo e a alegoria do filme tornam-se secundárias. Isto não é realmente um problema até porque as acções e emoções do nosso herói não correspondem à trama principal . O outro problema é o ritmo do filme . Move-se muito lentamente, e entre as cenas estilisticamente mais bonitas existem várias que são bastante desinteressantes . Mas no final , o ritmo cresce bastante . O último, e menor problema encontra-se na personagem de Pasolini . Ele comporta-se como uma mãe , muitas vezes querendo obrigar o nosso herói a acabar com os seus instintos que, naturalmente, fazem dele uma personagem bastante hipócrita. Alguma s vezes mergulha em longos discursos políticos e sociais , mas por isso mesmo Pasolini foi escolhido para desempenhar o papel.

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terça-feira, 5 de março de 2013

Os Outros Spaghettis

Vamos apanhar este ciclo onde tinha ficado o outro, no blog anterior. Os tempos áureos do spaghetti western começam a ficar para trás, o público começa a seguir outros géneros, e há que usar a criatividade para trazer as audiências de volta.
A sátira é bastante usada, através dos filmes cómicos com Terence Hill e Bud Spencer. "Trinitá, o Cowboy Insolente" torna-se no filme italiano mais visto de sempre, mas o spaghetti já não é o que era. Houve muitas outras tentativas de trazer o género para a ribalta, não podemos dizer que os realizadores do spaghetti não eram criativos. Tivemos o western psicadélico, como "Matalo", o western gótico, como "E Dio Disse a Caino", entre muitos outros primos, mais ou menos afastados.
Nestes próximos dias, vamos deixar de lado os Sérgios (Leone, Corbucci, e Sollima), e vamos debruçar-nos um pouco sobre os filmes menos conhecidos dentro deste género. Digamos que é um ciclo para fãs mais avançados, e se ainda tiverem em poder filmes do ciclo anterior, recomendo uma revisão rápida.
A meio deste ciclo, lá para Domingo, vamos ter um pequeno especial dedicado a um dos realizadores mais injustamente esquecidos deste género: Antonio Margheriti.
Amanhã voltamos ao ataque. Até já.


sexta-feira, 1 de março de 2013

Próximos dias

E assim termina este ciclo, com 11 magníficos filmes da nova vaga do cinema checo. Espero que tenham gostado. Os próximos dias serão de descanso, mas voltarei já a meio da próxima semana, para o ciclo dos outros spaghettis. Irão ser cerca de 20, por isso começarei o ciclo mais cedo.
Bom fim de semana, e até já.