sábado, 18 de abril de 2015

Nuvens Dispersas (Midaregumo) 1967



Yumiko, a jovem esposa de um funcionário do Governo, está grávida pela primeira vez. Ela e Hiroshi, o marido, planeiam mudar-se para os Estados Unidos, mas os planos são destruídos quando, poucos dias antes da viagem, ele é atropelado por um carro e morre.
No julgamento, o motorista envolvido no acidente é inocentado e liberto da obrigação de pagar qualquer tipo de indenização à viúva, mas para se livrar do peso da culpa que massacra a consciência, resolve ajudá-la com uma quantia mensal. A partir de um acontecimento trágico as duas almas unem-se nesse pacto involuntário, criado, de um lado pelo instinto de sobrevivência e do outro pela tentativa de redenção.
O último filme de Mikio Naruse interpreta-se como a última melancólica dança (com um sombrio tango a acompanhar), de uma noite de folia, agora ténue, agora oscilando entre a linha ténue que separa a embriaguez da sobriedade. É o equivalente cinematográfico a uma ressaca, embora a névoa inebriante que o filme transmite é parte do seu charme, muito em sincronia com a fotografia a cores, profundamente saturada, que constantemente ameaça (especialmente durante uma sequência temporal alargada), para derramar sobre as suas fronteiras uma espécie de libertação emocional..
 É um drama vividamente composto, que descreve dois dos temas preferidos do realizador: o infortúnio e o desejo. Além de ser o seu último filme também é um dos seus melhores, e um dos seus poucos filmes a cores. Num diálogo ao longo do filme, ouve-se: “From the youngest age I have thought that the world we live in betrays us; this thought still remains with me". São como se fossem palavras do próprio realizador, da convicção da sua carreira, o mistério, a tragédia, com que ele define a vida humana.

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