terça-feira, 14 de abril de 2015

Flowing (Nagareru) 1956

Otsuta (Izuzu Yamada) está à frente de uma casa da casa de gueishas Tsuta, em Tóquio. O negócio está cheio de dívidas, e a sua filha Katsuyo (Hideko Takamine) não vê qualquer futuro nos últimos dias do negócio das gueishas. Mas Otsuta não vai desistir. A história começa quando chega a esta casa uma nova empregada de nome Oharu (Kinuyo Tanaka), e vai retratar os dias da vida desta profissão quando não estão a entreter os clientes.
Mais uma obra de Mikio Naruse que pode ser considerada um "filme de mulheres". Naruse era bastante conhecido por abordar temas que lidavam com questões femininas, sempre com interpretações bastante fortes, mas aqui em "Nagareru" ele aborda um conjunto mais amplo de problemas enfrentados pelas mulheres no ambiente do pós-guerra. Embora voltado para os problemas de várias mulheres que trabalham numa casa de geishas, o filme examina cada personagem feminina ao mais pequeno detalhe, enquanto manobra para o lado qualquer presença masculina (há várias personagens masculinas, mas são todas menores e irrelevantes). Mas poderão estas mulheres sobreviver sem homens como companheiros e ajudantes? O negócio das gueishas está a começar a entrar em decadência, a história passa-se numa altura em que a prostituição era considerada ilegal no Japão, cada uma das mulheres está sem homem por diferentes razões, e as suas opções parecem um pouco distantes entre si.
O que o faz o filme resultar é toda esta interacção entre as personagens femininas, e mais informação adicional de cada uma destas personagens vem ao de cima, e pequenos detalhes são adicionados a cada personagem de forma a fazer progredir a caracterização individual das personagens. Assim, cada actriz é maravilhosa, em especial Isuzu Yamada que tem a maior gama de emoções (mãe preocupada, mulher de negócios, irmã mais nova) e interpreta cada um destes estados de uma forma muito subtil. Para interpretarem as gueishas , as actrizes passaram algum tempo com as gueishas reais em que a escritora Aya Koda se baseou para a sua história, para recolherem alguns maneirismos para desenvolverem durante as actividades típicas que iriam praticar (dançar, cantar, ou tocar shamisen).

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