sábado, 27 de fevereiro de 2016

A Almadraba Atuneira (A Almadraba Atuneira) 1961

"Sem palavras, com um ímpeto que faz lembrar coisas fortes e antigas, chega António Campos. Do cinema amador, de uma estética que se quer perto do povo e ao seu serviço, chega António Campos.
E vai ao mar, , à ultima campanha de um arraial algarvio da ilha de Abóbora, arraial que o mar levou logo após este filme. Rostos, gestos, objectos, esforço, o rude trabalho e o espadanar violento do atum apressado, disso se faz "A Almadraba Atuneira". Inventário etnográfico e homenagem ao trabalho são os vectores, de olhos atentos mas enxutos, que norteiam Campos neste filme, onde a azáfama, a espera e a captura são banhadas por um sopro de grandiosidade e tristeza.
Assim, em directo sobre o real mas usando os materiais (montagem/som) sem pudores de transparência, chega António Campos: uma personalidade única, solitária, no cinema português.
Embora o genérico não o credite, sabe-se que a fotografia, a montagem e a produção são de António Campos (que contou com subsidios do Grupo de Teatro Miguel Leitão e da Fundação Calouste Gulbenkian). A música utilizada no filme é extraída de "A Sagração da Primavera" de Stravinky". Texto de Jorge Leitão Ramos.
O filme é de 1961, mas só estrearia em 1979, na RTP2.

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