terça-feira, 1 de março de 2016

O Recado (O Recado) 1972

Lúcia é cortejada por António, da mesma classe social, embora guarde memória amorosa de Francisco, um marginal meio-aventureiro. Ausente há longo tempo, Francisco manda recado a Lúcia do seu regresso, por Maldevivre, um vagabundo, mas é liquidado por um gangue, talvez um ajuste de contas. Lúcia espera-o, pois, em vão, no dia e local marcado, numa praia deserta, até saber da sua morte por Maldevivre, o que a faz perder as possibilidades de evasão para um mundo que, não sendo o seu, a atrai… Desencantada, Lúcia curva-se perante a ordem de valores que António representa. Enquanto só, mas não o único, Maldevivre continua à espera que a raiva cresça e rebente.
"Podia-se falar deste filme para dizer que a primeira longa-metragem de Fonseca e Costa é, tecnicamente, mais que correcta, que os actores vão bem, que a guitarra de Pedro Caldeira Cabral dá à música de Rui Cardoso uma dolorosa dimensão ou que a fotografia (do cubano Ochoa) é esplêndida. Podia-se...
Mas isso seria faltar ao essencial deste filme. E o essencial é que este é um retrato firme, crispado e triste de uma geração que da resistência passou à passividade enquanto outros resistiam na carne, morriam. O essencial é que este filme ousou encenar a Pide a liquidar um resistente, ousou ser frontal e ardiloso, cifrado quanto baste para iludir a Censura e directo no retrato de uma classe intelectual a quem a raiva esmorecera.
"O Recado" é o filme português da época que melhor espelha a realidade (política, psicológica, social, interior) de onde emanou. Uma singularidade nada irrelevante no interior da geração do Cinema Novo." Texto de Jorge Leitão Ramos.

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