sábado, 26 de março de 2016

Crime e Castigo (Rikos ja Rangaistus) 1983

A personagem principal da história é um jovem empregado de um matadouro que comete um crime insensato. A partir daí, ele inicia sua trajetória de marginalidade e solidão. Uma jovem que, acidentalmente chega na cena do crime, é a única pessoa que deseja seguir ao seu lado.
É quase inevitável comentar o risco que seria adaptar o livro de Dostoiévski "Crime e Castigo", como primeira obra, um trabalho que podia facilmente ter acabado com a carreira, então florescente, de Aki Kaurismäki. De acordo com o realizador, ele teve duas fortes razões para o fazer. A primeira, seria que se ele fosse caír, preferia que fosse apenas de alguns centímetros, do que de uma grande altura, disse isto porque a sua carreira estava no início. A segunda, foi porque Hitchcock havia dito que este livro era muito difícil de filmar, ao que a reacção do finlandês foi: "I´ll show you, old man".
A história original é actualizada, e passa para os dias modernos da cidade de Helsínquia. Onde o Raskolnikov de Dostoiévski era incrivelmente torturado seu crime, o Rahikainen de Kaurismäki parece praticamente intocável pela morte, e a sua sua preocupação moral e emocional parecem vir mais do medo da captura, e os seus encontros com o inspector Pennanen são um jogo de inteligência, entre estas duas personagens. Não é surpresa que estas cenas sejam das mais emocionantes do filme.
A motivação pode ter mudado na versão de Kaurismäki, mas a complexidade da psicologia do assassino permanece essencialmente a mesma, uma vez que a substância da história não é ironicamente sobre o crime, nem sobre a punição, mas uma consideração do lugar do indivíduo na sociedade e as noções de culpa. Quando ele não consegue aceitar a moralidade, leis e regras, encontra-se numa posição intolerável e muito solitária.

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