quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Memórias de um Assassino (Salinui Chueok) 2003



Coreia do Sul em 1986, sob o jugo da ditadura militar: dois polícias rurais e um detective especial da capital investigam uma série de assassínios e violações brutais. Os seus métodos crus tornam-se mais desesperados à medida que os corpos vão sendo encontrados.
Em 1986 a Republica da Coreia viu-se a braços com o seu primeiro serial killer conhecido. Durante a narração da abertura ficamos a saber que o país estava a viver uma ditadura militar, e nas próximas duas horas é nos dado uma lição de como um governo forte e autoritário pode não conseguir deter um único criminoso. Revelar a natureza do governo do país é uma escolha estranha para principal informação a ser dada ao público, quando à maioria dos Coreanos não era preciso ser dito. Para as gerações que não se lembravam pode ser considerado um lembrete, mas também serve para focar a atenção do espectador sobre como isso afetará os elementos processuais deste filme. A principal lei do governo era o autoritarismo e a intimidação, e ao mesmo tempo gerar um clima de medo para persuadir eventuais criminosos a cometerem um crime.
O argumentista/realizador Bong Joon-ho é muito forte em ambos lados da história - a investigação policial tem bastante suspense, apesar do resultado da investigação já ser do conhecimento do público, enquanto as histórias das personagens são muito bem desenhadas, com convincentes alterações da confiança ao desespero. Não é à toa que o filme foi um sucesso na sua terra Natal (um dos maiores êxitos do ano), levando o público a pedir que o filme fosse novamente lançado nas salas. Como drama policial é uma notável peça de trabalho, contando uma boa história e construindo personagens interessantes, criando um sentido de tempo e lugar.
São notáveis as influências de outros filmes americanos de serial killers, como "Seven" ou "O Silêncio dos Inocentes", embora o filme tenha uma identidade muito própria. Correu o mundo, sendo exibido em festivais como Cannes, San Sebastian, Londres e Tóquio,tendo conseguido alguns prémios de relevo. Nunca estreou nos cinemas em Portugal.

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