segunda-feira, 22 de setembro de 2014

A Viagem dos Artistas (O Thiasos) 1975

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Um grupo de actores de teatro viaja pela Grécia para interpretar o conto erótico do Golfo. Com esta obra de 230 minutos Theodoros Angelopoulos dirige a sua terceira longa-metragem que tenta resumir em vinhetas episódicas alguns dos momentos mais importantes da história da Grécia no século 20. A ascenção do nazismo, a ocupação, a presença dos ingleses, a ascenção do governo de esquerda, etc.  É um filme muito político, que quer ser a representação, de um tempo em particular. Um pouco como "Amarcord", de Federico Fellini, o filme de Angelopoulos não tem uma narrativa distinta, o sentimento quase documental do filme traz um ponto de vista bastante genuíno, no sentido histórico, aos eventos retratados.
As sequências são muitas vezes mostradas num único take longo e com uma câmera fixa, enquanto outras cenas são muito mais complexas, e a câmera continua a filmar depois de a acção terminar na tela. Isto dá tempo ao espectador para digerir todos os elementos que foram apresentados. A mise en scène de Angelopoulos inspirou muitos cineastas contemporâneos e foi muito elogiada na comunidade cinéfila. Martin Scorsese,  um respeitável cinéfilo, e grande realizador foi um dos seus muitos admiradores. Scorsese afirmou que a visão de Angelopoulos era única, e que as suas sequências cuidadosamente compostas ofereciam um cinema hipnótico, e profundamente emocional.
Angelopoulos cria um retrato duro, sombrio e profundamente trágico da dissolução da alma, enquadra os personagens na perspectiva da câmera distante, e reflete a sua própria insignificância nos papéis relutantes como testemunhas periféricas à turbulência do país. As expressões sem motivos destes personagens são similares à expressões mudas dos actores nos filmes de Robert Bresson, não são só personagens devastados, como as aldeias do campo grego são desoladas, mas também a carga emocional da violência não tem fim. A letra repetida de uma balada ecoa pelo desespero e melancolia das personagens do filme: "Tu vais voltar, não importa quantos anos passem, tu vais voltar, cheio de remorsos, para pedir perdão, uma noite em vergonha tu vais voltar". É uma elegia que lamenta a perda de um grande amor, e solenemente aguarda o regresso de uma alma quebrada, apesar dos estragos do tempo.
Ganhou o FIPRESCI Prize no festival de Cannes de 1975.

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