quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Um Barco para a Índia (Skepp till India Land) 1947



O marinheiro Johannes Blom regressa ao seu porto de origem, depois de sete anos no mar, para descobrir que a mulher em quem ele pensava está completamente desanimada. A história anda então sete anos para trás (os flashbacks viriam a tornar-se habituais nos filmes de Bergman), até uma altura em que Johannes vivia e trabalhava com o seu abusivo pai, Alexander.
Terceiro filme de Ingmar Bergman, e o primeiro a ser lançado na América. É uma história melodramática, madura e complicada, sobre quatro almas díspares, cujas vidas precisam de ser recuperadas. Todas elas parecem ter algum tipo de ligação com um rebocador velho que salva destroços. Bergman escreveu o argumento a partir de uma peça de  Martin Söderhjelm, e apesar de estar ainda longe dos seus melhores trabalhos, já se encontram aqui alguns vislumbres do que viria a ser o seu cinema, sobretudo no que toca à alienação e à solidão, temas que seriam recorrentes na obra do realizador.
Com este filme, Bergman estende o naturalismo teatral dos seus dois primeiros filmes, para uma formação um pouco mais grotesca da crueldade humana, através da empobrecida família de Blom, e são rasgados e torturados por várias decisões, demónios e deformidades. E tal como muitos dos filmes posteriores de Bergman, apresenta aqui o litoral como cenário, a mais sombria e radiante vista da Suécia, um desperdício de luz que não favorece muito a captação cinematográfica, mas do qual Bergman sempre soube tirar o máximo proveito.
É um dos filmes mais complexos psicologicamente do realizador, que faz um uso abusivo do simbolismo. Recebeu uma grande ovação no festival de Cannes.

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