sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Pai e Filho (Otets i Syn) 2003



Representação da relação interior entre um pai e o seu recém amadurecido filho, ambos militares (tal como o pai de Aleksandr Sokurov, o realizador). O título faz-nos pensar que o filme poderia ser sobre uma criança, mas eles estão quase iguais, com o filho (Aleksey Neymsyshev), quase a ultrapassar o pai (Andrey Schetinin) e abandoná-lo, porque as funções paternais do pai estão quase a não ser mais necessárias. Os seus papéis são representados nos termos do que eles fazem pelo outro emocionalmente, não recriando as acções, permitindo que o público observe a uma certa distância.
A influência do mestre Andrey Tarkovsky nesta obra surreal e mística é óbvia, porque qualquer cena podia ser real, imaginária, ou sonhada. Neste mundo simbólico e enigmático, pai e filho são personagens individuais, mas são também um todo, em fases diferentes da vida. Os actores são colocados e posicionados para mostrar a distância, a intimidade, a exteriorizar a relação interior. O filme de Sokurov é bem sucedido a mostrar os dois lados da relação, a natureza contraditória, mas amorosa, que é um conflito entre desejo e necessidade. Tenta mostrar o amor enraizado no espírito, em vez do sexo.
O próprio Sokurov admitiu que a relação entre pai e filho retratada neste filme não podia acontecer na realidade, e por isso mesmo o filme deve ser interpretado como uma fábula, um devaneio poético sobre a relação pai/filho. Grande parte do filme foi gravado em Lisboa, em detrimento de qualquer cidade Russa, como se Sokurov quisesse apresentar ao seu público uma parábola sobre o mundo inteiro no novo milénio, depois da história - aos olhos de certos intelectuais inteligentes - ter chegado ao fim.

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