terça-feira, 19 de agosto de 2014

Chove no Nosso Amor (Det Regnar på Vår Kärlek) 1946



Maggi conhece David depois de ter perdido o comboio, e passa a noite com ele. Sem dinheiro, os jovens amantes invadem uma casa de verão, mas são surpreendidos pelo dono, que se oferece para lhes alugar a casa, não sabendo eles que esse homem tem um motivo escondido. Vivendo juntos, os dois jovens têm de enfrentar o passado, e lidar com uns vizinhos intrometidos, e as autoridades.
O segundo filme de Ingmar Bergman pode ser pouco polido, e faltar-lhe a profundidade que iria caracterizar o seu trabalho posterior, mas é mais do que uma curiosidade no seu catálogo secundário. Os primeiros sinais de um realizador capaz de atraír o seu público para a situação de personagens altamente empáticas, neste caso, dois estranhos que se encontram numa estação de comboio. Ambos estão abandonados à sua sorte, sem dinheiro, e com um passado turbulento.
Embora atravessado por algumas piadas centradas nas personagens excêntricas da cidade, o filme acaba por trazer uma visão bastante sombria da humanidade. Independentemente das boas intenções do casal, cada mudança para melhor é logo anulada por alguma suspeita ou má vontade dos que os rodeiam, especialmente da parte da esposa do homem que emprega David. A sua resposta maliciosa ao primeiro sinal de perigo de David, ao aceitar uma má noticia através de um telefonema perguntado com uma alegria malévola "O que aconteceu...alguma coisa trágica?", representa o pico do desprezo, atirado como um balde de água fria. Um filme bastante interessante, apesar de se encontrar longe das melhores obras do realizador.

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