domingo, 19 de julho de 2015

Trono de Sangue (Kumonosu-jô) 1957

 No Japão do século XVI, os samurais Washizu e Miki encontram uma feiticeira de regresso para casa, depois de vencerem uma batalha. Ela prevê que Washizu venha a ser o Senhor do Castelo do Norte. Este é o início de uma sangrenta luta pelo poder.
"Trono de Sangue" é uma revisão de "Macbeth", de William Shakespeare, por Akira Kurosawa, através da lente histórica do Japão feudal, e as convenções estéticas do Teatro Noh. É uma obra-prima de imagens expressivas. Violento e intensamente melodramático, filtra os temas da ganância, do poder, e da luxúria, através dos elementos visuais que são tão ricos e texturizados que assumem uma vida própria. Os elementos naturais do nevoeiro, chuva, e os emaranhados impenetráveis de uma floresta infestada por espíritos, tornam-se personagens que medeiam a história de um guerreiro que perde a sua humanidade em busca pelo poder.
A ganância e o egoísmo já tinham sido elementos importantes no filme da descoberta de Kurosawa, "Rashomon" (1950), mas aqui elas assumem um tom ainda mais escuro, à beira do Niilismo. Um destino pesado paira sobre tudo o que acontece em "Trono de Sangue", e os personagens no fim parecem fantoches, e as suas débeis tentativas para orientar a sua vida foram passageiras, como a névoa perpétua que assombra a paisagem vulcânica desolada.
Os actores de Kurosawa trabalham num estilo grandioso, que tem a tendência a chocar algumas pessoas, como involuntariamente cómico (as contorções faciais de Mifune são uma reminiscência de máscaras bizarras), mas dado o design visual luxuoso as interpretações não podiam ser mais adequadas. Mifune, em particular, canaliza toda a luxúria e a agressividade de Washizu, com o seu comportamento a ficar cada vez mais estranho à medida que o filme avança.
   
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