sexta-feira, 17 de julho de 2015

Os Sete Samurais (Shichinin no Samurai) 1954

No século XVI, durante a era Sengoku, quando os poderosos samurais estavam com os dias contados pois eram agora desprezados pelos seus aristocráticos senhores. Kambei, um guerreiro veterano sem dinheiro, chega em uma aldeia indefesa que foi saqueada repetidamente por ladrões assassinos. Os moradores do vilarejo pedem a sua ajuda, fazendo com que Kambei recrute seis outros ronins, que concordam em ensinar os habitantes como se defender em troca de comida.
No seu ponto central, a sua história é tão simples que podia ser sumarizada a uma única frase: Uma pequena vila agrícola japonesa é ameaçada por bandidos, e contrata 7 ronin (samurais sem mestre) para os proteger. O mesmo podia ser dito das maiores peças de Shakespeare,  ou de algumas das melhores histórias de Hemingway, ou de alguns dos maiores filmes de Chaplin, porque todos estes são factos que nos lembram que o que é épico sobre uma história, nem sempre é a complexidade da narrativa em si, mas sim a convicção com que ela é contada. Este é um filme que poderia ter sido mais um filme de época japonês, mas a atenção cuidada de Kurosawa, personagem a personagem, e as suas questões sociais, elevam "Os Sete Samurais" acima das suas raízes, garantido ao filme um lugar no panteão, não só dos grandes filmes japoneses, como também dos grandes filmes mundiais. De todos os tempos.
Akira Kurosawa tinha já realizado, ou co-realizado, 14 filmes, quando fez esta obra em 1954, incluindo "Rashomon" que o grande crítico francês André Bazin escreveu: "pode ser dito verdadeiramente que abriu as portas do Ocidente para o cinema japonês. Se "Rashomon" abriu as portas, "Os Sete Samurais" arrancou-lhe as dobradiças, não só pela sua popularidade e aclamação em todo mundo, como pela sua profunda afinidade e ligação temática e visual, com o western americano. Muito facilmente esta pequena aldeia do Japão, podia ser transportada para uma cidade ou fronteira do Oeste americano.
A cada um dos sete samurais é dada uma personalidade única, e um conjunto de dons, o que os torna intrigantes como indivíduos, e nas suas interacções com os outros. Os dois nomes que mais facilmente nos lembramos, são interpretados pelos dois actores preferidos de Kurosawa, Takashi Shimura e Toshirô Mifune, que apareceram juntos em 15 dos 30 filmes do realizador. Shimura interpreta Kambei Shimada, o primeiro samurai contratado pelos camponeses, e o líder do grupo. Shimada é um nobre ronin de grande habilidade, mas lutou todas as suas batalhas do lado perdedor. Shimura impregna o seu personagem com um sentido profundo de honra e nobreza, inspirando os outros ao seu redor. Acreditamos que qualquer outro samurai lutaria ao seu lado, sem promessas de ganhos monetário ou fama.
O personagem de Mifune é quase o oposto. O seu Kikuchiyo é um intriguista, impostor, que no entanto inspira os outros com o seu entusiasmo (como um caponês que se eleva ele próprio à classe Samurai, refletindo as crenças de Kurosawa na democracia e na mobilidade social). No início do filme, ele é pouco mais do que uma piada, um cão vadio que late muito mas não consegue ser respeitado, mas no final, ele alcança uma espécie de redenção, pela sua tenacidade e espírito. Ao longo do filme, Mifune é a principal fonte cómica, a saltar, gritar e berrar com os camponeses pela sua falta de habilidade a lutar. Kurosawa foi claramente influenciado por John Ford, não apenas no âmbito e grandiosidade temática dos seus filmes, mas também no uso do humor obsceno, para distrair entre batalhas. 
Goi nomeado para dois Óscares, e ganhou o Leão de Prata em Veneza.

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Um comentário:

Mike disse...

Sem dúvida alguma, um dos melhores filmes da história do cinema.
Obrigatório ver!