segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Capítulo 3 - Comédia

Os Fantasmas Divertem-se (Beetlejuice) 1988
Um simpático casal, normal, Adam (Alec Baldwin) e Barbara Maitland (Geena Davis) desfrutam da sua enorme casa de campo quando morrem num acidente de carro e voltam como fantasmas. Um casal horrível, da grande cidade, Charles (Jeffrey Jones) e Delia Deetz (Catherine O'Hara), mudam-se para lá com a deprimida filha alolescente, Lydia (Winona Ryder) e procedem a uma violenta redecoração (com a ajuda do pretensioso Otho, interpretado por Glenn Shadix). Incapazes de assustar os novos inquilinos, Adam e Barbara desesperados chamam Beetlejuice, e arrependem-se imediatamente da sua decisão. Ele é uma criatura hiperativa, desagradável, vomitando piadas mais rápidas do que o filme pode aguentar, e é brilhantemente hilariante.
O segundo filme de Tim Burton é ainda mais impressionante visualmente do que a estreia em 1985, Pee-wee's Big Adventure, mesmo que a aparência geral aqui seja mais vulgar e avassaladora, que confia mais nos efeitos especiais e maquilhagem do que na criação de um "universo ". Mas também é um dos seus filmes mais engraçados, com Michael Keaton a ter uma performance brilhante. Ele interpreta o personagem-título, um "bio-exorcista", que aparentemente ajuda a eliminar "criaturas vivas traquinas", e mesmo só aparecendo durante poucos minutos na tela, domina o filme.

Selvagem e Perigosa (Something Wild) 1986
O executivo Charles Driggs (Jeff Daniels) conhece a sexy e maluca Lulu (Melanie Griffith) e aceita uma boleia até ao seu escritório. Mas ela leva-o numa viagem inesperada, compra-lhe roupas estranhas e apresenta-o como marido a parentes e amigos. Quando aparece Ray (Ray Liotta), o violento ex-marido de Lulu que a quer de volta, a confusão aumenta e eles têm de participar num assalto.
Realizado por Jonathan Demme, é uma reinvenção das Screwball Comedies dos anos 30, Demme um realizador que sempre recusou a definir a sua carreira, seja por assunto, estilo ou tema. Em cada filme apresentava uma nova faceta da sua personalidade e da sua arte cinematográfica. Estava já no seu oitavo filme, e a sua carreira só explodiria realmente sete anos depois com "O Silêncio dos Inocentes".
Something Wild" vale, e muito, sobretudo pelos actores. Em primeiro lugar pela química entre os dois protagonistas, Jeff Daniels e Melanie Griffith, super sexy e prestes a tornar-se num sex-symbol dos anos 80, em parte pela sua interpretação neste filme. Depois pela grande interpretação de Ray Liotta, o malvado ex-marido ciumento. O papel valeu-lhe uma nomeação para os Globos de Ouro, e proporcionar-lhe uma óptima carreira como secundário em Hollywood, com um destaque para o seu Henry Hill de "Goodfellas".

Uma Mulher de Sucesso (Working Girl) 1988
Tess McGill é uma mulher de origem humilde, que não é formada e nem sabe vestir-se corretamente, mas cheia de idéias, que vai trabalhar num escritório que lida com o mercado de acções, como secretária de uma conceituada executiva. Quando a sua chefe parte a perna ocupa o seu lugar e faz-se passar por uma executiva. Ao propôr uma inteligente jogada financeira, Tess recebe o apoio de Jack Trainer, um grande empresário. Os dois acabam por se apaixonar, mas há um problema, ele é o namorado da sua chefe.
Melanie Griffith de novo, dois anos depois de "Something Wild", e já com uma reputação diferente. Tudo neste filme joga a seu favor, desde a realização de Mike Nichols, um realizador bastante conceituado, aos seus actores coadjuvantes, nada mais do que Sigourney Weaver e Harrison Ford, ambos no auge da sua carreira. E depois um grande restante elenco: Alec Baldwin, Joan Cusack, Philip Bosco, Oliver Platt, Kevin Spacey, Olympia Dukakis...Um conjunto de factores que valeriam a Griffith a sua única única nomeação para os Óscares. Weaver e Cusack também foram nomeadas, mas o filme só ganharia o Óscar de melhor música (Carly Simon - "Let the River Run").
Seria um dos maiores sucessos comerciais de 1988, e também um dos melhores filmes desse ano.

Ultra Secreto (Top Secret) 1984
Ficamos a história de Nick Rivers (Val Kilmer), um cantor em franca ascensão nos Estados Unidos, que é convidado para cantar num festival na Alemanha, ao lado de muitos outros artistas do mundo. Só que, na verdade, este festival é nada mais do que um plano maléfico para o bombardeamento a submarinos inimigos, pelos malvados estrategistas alemães. Durante a viagem, ele acaba por se envolver com Hillary (Lucy Gutteridge), uma linda jovem da resistência, que o deixará ainda mais envolvido em toda esta confusão política.
Depois de "Aeroplano" (1980), esta era mais uma louca screwball comedy das mentes loucas de Jim Abrahams, David e Jerry Zucker, um trio que era conhecido como ZAZ, e que nos anos oitenta produziu ainda outro grande sucesso com "Aonde é que Pára a Policia", que originou ainda uma série. Tal como nos outros filmes deste trio, o objectivo é sempre parodiar alguma coisa, e aqui o alvo eram os filmes da Segunda Guerra Mundial, Musicais, e os filmes sobre os ídolos pop dos anos 50 (Elvis, sobretudo). O trio atirava-nos com tantas piadas que praticamente só conseguíamos rir de uma em cada cinco, porque enquanto estava a acontecer uma nova, ainda estávamos a rir da anterior. 
Seria também o filme de estreia de Val Kilmer, permanecendo como uma das suas melhores interpretações até hoje. Os ZAZ fizeram-no rodear de um elenco de estrelas que contava com nomes como, Peter Cushing, Jeremy Kemp, Michael Gough, Omar Sharif, entre outros.

Nenhum comentário: