quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Verão Violento (Estate Violenta) 1959

Depois da sua primeira longa metragem, Zurlini passou três anos desempregado devido à reputação dele ser um homem difícil com quem se trabalhar. Durante este tempo absorveu a cultura do seu país, uma cultura com quem antes se tinha sentido distanciado. "Verão Violento" foi o produto desta aprendizagem, uma história de amor rica em observações sociais e profundas vicissitudes históricas.
Passado no Verão de 1943, quando o império de Mussolini estava a desmoronar, e a Itália estava prestes a mergulhar numa guerra civil. Um grupo de italianos de famílias abastadas está festa familiar. Carlo (Jean-Louis Trintignant) é um jovem bonito e charmoso na casa dos vinte anos, bem vestido e cheio de palavras que as mulheres gostam de ouvir. Anda envolvido com Rosanna (Jacqueline Sassard), uma linda e sensual morena. Uma mulher mais velha, na casa dos trinta chama-lhe a atenção, Roberta, (Eleonora Rossi Drago), uma recente viuva de um heróico tenente naval, que tenta sobreviver ao seu novo modo de vida. Presa entre o compromisso vazio com um falecido marido com o qual ela não tinha muita ligação, e os avanços do jovem Carlo, com o qual a mãe não simpatiza de modo nenhum.
Passado em volta da cidade costeira de Riccione, na costa adriática, o caso de amor começa lentamente com a rejeição da mais bela e jovem, pela outra mais velha e experiente. Ficamos a saber que Carlo é um trapaceiro, filho de um influente fascista, que em breve irá ser forçado a saír da sua enorme casa da praia, para o exército. Isto adicionado ao comportamento furtivo de Roberta em relação à mãe, por causa da desaprovação da relação dos dois, torna o filme num crescendo emocionante, até às cenas finais.
"Verão Violento" não é um romance épico em tempo de guerra. É um filme menor do que isso, mais silencioso, reflectindo nos motivos das pessoas, nas acções e nas verdades. O "background" e a valorização da estética visual são óbvios. Gente bonita a passear na praia, uma partitura musical assombrosa, que envolve as pessoas na história e na situação sócio-política do país, são prova suficiente da declaração do próprio Zurlini: "Eu sempre acreditei que as coisas feitas com grande sinceridade, com a simplicidade de meios, e uma profunda honestidade, são aquelas que permenacerão".

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