sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A Paixão dos Fortes (My Darling Clementine) 1946



Em 1946, quando este filme foi liberado, Wyatt Earp ainda não era o personagem lendário que se tornou nos anos seguintes. Inúmeros filmes foram centrados no duelo do OK Corral, para não mencionar uma série de televisão de longa duração, mas o impulso para tudo isto foi este filme clássico de John Ford. 
O clã Earp, o ex-marshall Wyatt (Henry Fonda), Virgil (Tim Holt), Morgan (Ward Bond) e James (Don Garner) conduzem uma manada de gado para a Califórnia, quando param perto de Tombstone. Em pouco tempo, os Clantons, liderados por Walter Brennan, roubam o gado e matam o jovem James, que leva Wyatt a se voluntariar como marshall da cidade sem lei e para conseguir a vingança. O jogador e cirurgião Doc Holliday (Victor Mature) chega à cidade e forma uma amizade inquieta com Wyatt, que está em perigo de ser destruída quando a velha chama de Holliday, Clementine Carter (Cathy Downs) chega à cidade e ganha o interesse de Wyatt. Mas os Clantons ainda procuram sangue, o que só pode significar um confronto no OK Corral.
Fonda no seu habitual papel calmo, para interpretar um mais modesto Wyatt Earp do que nos tornamos habituados a ver no ecrã. Como ele o interpreta aqui, Earp anda mais preocupado em obter um bom barbear do que andar envolvido em brigas. Victor Mature parece bonito demais para Doc Holliday e não usa a parte de pistoleiro tão bem como o faz Fonda. um interlúdio estranho, onde ele começa a recitar Hamlet que é o ponto alto da sua interpretação. Walter Brennan, o Old Man Clanton, que estamos habituados a ver em papeis de bom em westerns de Ford e Hawks, rouba o show com uma maldade vil, enquanto que Ward Bond, também um dos actores de Ford, é divertido na sua pequena personagem. A personagem-título de Cathy Down não tem muita graça, ao ponto de ser uma nulidade; enquanto a rival romântica Chihuahua (Linda Darnell) é muito mais interessante, e é óbvio que Holliday iria encontrar uma melhor companhia.
Apesar de ter algumas cenas obrigatórias no Monument Valley, este filme não se parece nada com um típico western do realizador. Muito pouco tempo de acção é passado fora de portas, levando a um ar bastante claustrofóbico que parece de alguma forma inadequado e fora de escala com outros Westerns de Ford. A intimidade induzida por esta definição faz cimentar o foco para as relações interpessoais, em vez da acção prevista. Ao contrário das adaptações posteriores, o tiroteio clímax aqui dura apenas cerca de 30 segundos, tal como no verdadeiro tiroteio. Mas Ford realmente conhecia Wyatt Earp, de quem tinha sido amigo, e alardeava que teria ouvido a história do próprio Wyatt Earp. Anos depois teria admitido que nem tudo era a verdade, ao dizer algo como "Se a lenda for melhor que a realidade, filme-se a lenda", tema de um dos seus últimos grandes westerns, The Man Who Shot Liberty Valance, de 1962.

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1 comentário:

ajanelaencantada disse...

Como dizes, um filme que troca a monumentalidade pelo intimismo das relações interpessoais. Henry Fonda interpreta bem esse papel, que de certa forma também foi popularizado por Gary Cooper, em filmes como "High Noon", que sinto ser de certo modo aparentado com este.