sábado, 16 de junho de 2018

The Loneliness of the Long Distance Runner (The Loneliness of the Long Distance Runner) 1962

"No preto-e-branco gráfico e cuidadoso da película, vemos o jovem correndo. Desloca-se – rapidamente, mas sem pressa – por entre bosques cinzentos, resvalando na vegetação áspera, desviando-se dos galhos mais baixos, alterando seu rumo ao sabor dos instintos. Seus braços por vezes movimentam-se como que a querer apanhar o vento que investe contra seu corpo e revigora sua jornada; é nítido o prazer que o jovem desfruta deste ato. Ele corre porque é o que sabe fazer melhor; corre por inteiro, podíamos talvez dizer. Corre com a intensidade de quem só assim parece sentir-se vivo. 
 No belo filme britânico "The loneliness of the long-distance runner", o protagonista Colin Smith é um jovem transgressor – oriundo de uma família proletária disfuncional – cujo grande talento é a aptidão para corridas de fundo. Nesta obra, o ato de correr apresenta-se como um elemento metafórico para veicular com potência a mensagem libertária que perpassa toda a história.A vocação de Smith para correr é um símbolo de seu esforço em enfrentar a adversidade e confrontamento com a autoridade que perpassa sua existência: no presente da narrativa, ele é um dos internos em um reformatório, depois de ser apanhado por um pequeno roubo. Mas afigura-se também como um meio pelo qual escapar a sua condição de confinamento, quando é conduzido a uma situação-limite que irá forçá-lo a um impasse: uma competição em que vencer poderá garantir-lhe a promessa de um novo estatuto social, enquanto perder seria uma forma de resguardar sua integridade e valores pessoais. Ele não pode vencer a corrida, se quiser seguir correndo, metaforicamente, em sua jornada pessoal. Correr é seu derradeiro ato de liberdade." Por Guy Amado
Adaptado para o grande ecrã por Alan Sillitoe, de uma curta história sua, e com realização de Tony Richardson. Funciona melhor do que muitos dos seus pares da nova vaga britânica, mantendo a mesma frescura mais de 50 anos depois da sua estreia, graças ao tema principal intemporal. Quando estreou foi visto como um contraponto a "Os 400 Golpes" de François Truffaut, e ultrapassa-o em certos aspectos.

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