terça-feira, 18 de julho de 2017

Fahrenheit 451 - Grau de Destruição (Fahrenheit 451) 1966

Num futuro próximo os livros foram proibidos. Com cada casa equipada com ecrãs de televisão, não há necessidade para comunicação escrita. Embora os livros tenham sido proibidos, ainda há alguns desviados da sociedade que insistem em tê-los. É por isto que esquadras de implacáveis bombeiros patrulham a cidade, procurando livros para os queimarem sem piedade. Um desses bombeiros chama-se Montag, que adora o seu trabalho, e vive feliz com a sua esposa, Linda. Um dia ele espera vir a ser promovido para poder ter outro ecrã na sua casa. Um encontro fortuito com outra mulher vai mudar a sua vida para sempre, e a sua opinião em relação aos livros...
De todos os filmes que François Truffaut fez, "Fahrenheit 451" é o menos típico da sua carreira. A primeira de duas incursões no território da ficção científica, sendo a outra uma aparição como actor convidado em "Encontros Imediatos de Terceiro Grau", de Steven Spielberg. Os fãs mais sérios de Truffaut tendem a esquecer este filme, em parte porque é um filme de género, em parte porque é falado em inglês, e em parte porque as suas falhas foram muito publicitadas. A sua produção foi a mais prolongada de toda a carreira do realizador, e foi um fracasso na estreia, tanto de crítica como de público, e um passo atrás para o mais proeminente realizador da Nouvelle Vague. É um filme que é fácil de se criticar, mas teve as suas razões para ser o primeiro filme de Truffaut a cores.
A obsessão de Truffaut em fazer este filme data de 1960, quando o produtor Raoul Lévy lhe emprestou um exemplar do famoso livro de Ray Bradbury com o mesmo título. Apesar de Truffaut não ter grande interesse pela ficção cientifica, ficou fascinado e perturbado pela premissa central do livro, a ideia de que em algum ponto do futuro a escrita seria fora da lei, e os livros seriam queimados, como parte de uma estratégica maligna de obliterar a individualidade do ser humano. Para Truffaut, um rato das bibliotecas, era uma visão do Inferno, e viu ali imediatamente sumo para fazer uma metáfora muito interessante, evocando fortes memórias da ocupação Nazi e do Holocausto. Durante uma digressão em 1962 para promover "Jules e Jim" na América, Truffaut arranjou um tempo para se encontrar com Ray Bradbury em Nova Iorque. Bradbury tinha pouco interesse em adaptar este livro, e tentou, em vez disso, persuadi-lo a fazer uma versão das suas "Crónicas Marcianas". Truffaut declinou, e Bradbury concordou em vender-lhe os direitos de "Fahrenheit 451" sem ajudar no argumento. 
Quando viu o filme, o escritor escreveu uma carta a Truffaut a agradecer pelo filme, por ter feito uma adaptação tão fiel ao seu livro. Apesar dos resultados a nível de crítica e público não terem sido nada favoráveis, foi um filme que foi ganhando uma respeitável reputação com o passar dos anos. Hoje, é considerado um clássico menor da ficção científica, e, paradoxalmente, é o filme mais conhecido do realizador. 

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