terça-feira, 11 de outubro de 2016

Andrócles e o Leão (Androcles and the Lion) 1952

Androcles é um cristão que segue os ensinamentos da sua religião, mesmo quando ela se aplica ao tratamento dos animais. Ao ver um leão em dor, remove um grande espinho da pata do animal, criando uma amizade para a vida. Um dia Androcles e uma série de outros cristãos são presos e condenados à morte na arena, para serem comidos pelos leões. Será que o seu amigo leão se vai lembrar dele e ajudá-lo?
O escritor George Bernard Shaw estava hesitante em deixar os seus livros serem transformados em filmes. Tinha ficado impressionado com as imagens em movimento, e por vezes deixava-se ser filmado em curtas-metragens onde podia revelar as suas teorias sociais. Shaw foi, provavelmente, a primeira grande figura literária a deixar várias bobines de entrevistas no cinema. Mas ele estava ciente das liberdades tomadas de obras literárias que se transformaram em filme - principalmente peças. Shakespeare nunca foi bem adaptado ao cinema até à década de 30, e algumas peças tinham de ser cortadas por preocupações relativas ao tempo. Shaw não confiava as suas obras nestas mãos. 
Shaw cruzou caminho com o produtor Gabriel Pascal, e viu nele a pessoa ideal para produzir os seus filmes. Embora Pascal tenha admitido ter pouco dinheiro, mostrou a sua devoção às idéias de Shaw, ficando com um contrato para produzir todas as obras do escritor. De 1938 a 1950 Pascal só produziu três filmes, mas eles foram "Pigmaleão" de Anthony Asquith e Leslie Howard (vencedor de um Óscar, e nomeado para mais três), "Major Barbara" (1941) e "César e Cleopatra" (1945), ambos realizados por si. Os três foram filmes memoráveis no seu tempo, todos adaptados da obra de George Bernard Shaw.
Em 1950 Shaw morreu, e Pascal ainda produzia mais um filme baseado na obra do escritor: "Androcles e o Leão". Produzido pela RKO, era o mais curto de todos, provavelmente devido às normas de produção e ao controlo do chefe da RKO, Howard Hughes. O elenco era único, muitos dos papéis eram interpretados por actores bem conhecidos, Robert Newton, Alan Mowbray, Reginald Gardiner, Elsa Lanchester, Gene Lockhart, Victor Mature, Jean Simmons, e Maurice Evans. Estranhamente o papel de protagonista iria parar às mãos de Alan Young, depois das filmagens terem sido iniciadas por Harpo Marx, o irmão mudo dos Marx. Esta substituição deixou um grande buraco na história, e deixou muitas dúvidas: se Harpo iria interpretar este papel no seu estilo inicial (pantomima), ou se iria ser o seu primeiro papel fora do habitual. Como era habitual nas produções de Hughes também houve dança de realizadores. Nicholas Ray trabalhou no projecto durante algum tempo, mas acabaria por saír, com os créditos de realizador a irem parar a um dos argumentistas, Chester Erskine. Na realidade, não se sabe bem quem fez o quê aqui, mas Ray passou por cá.

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