sexta-feira, 30 de setembro de 2016

A Deusa do Mal (Born to Be Bad) 1950

Christabel (Joan Fontaine) engana toda a gente graças ao seu doce exterior, incluindo a prima Donna, e o seu noivo Curtis. O único que consegue ver através da sua fachada é Nick (Robert Ryan), um escritor robusto que a ama, mesmo assim. Christabel também gosta de Nick, mas gosta mais do dinheiro de Curtis. Depois de convencer Curtis gosta dele apenas pelo dinheiro, consegue convencê-lo a casar com ela. 
Baseado no livro "All Kneeling" de Anne Parish, como muitos outros filmes feitos na RKO durante o regime caótico de Howard Hughes, "Born to be Bad" tinha uma história longa e complicada, cheia de sexo, intriga e traição, como se gostava naquela altura em Hollywood.
Joan Fontaine tinha comprado os direitos do livro, e vendeu-os para a RKO. O filme tinha sido programado para entrar em produção em 1946, mas tinha sido colocado em espera duas vezes, depois de passar pelas mãos de sete argumentistas diferentes, até começar a produção em 1949. Foi durante este período que Hughes acabou por adquirir a RKO.
"Born to be Bad" era o quarto filme de Nicholas Ray. Nas obras anteriores ele já tinha demonstrado um estilo visual impressionantemente original, e uma capacidade para transmitir uma intensidade emocional, mesmo quando se trabalha com o material mais banal. Uma sequência no inicio é um exercício em bravura e estilo, introduz-nos aos principais personagens e prepara-nos para uma festa em casa da personagem de Joan Leslie. O movimento brilhantemente coreografado e iluminado pelo corredor do apartamento, com muitas portas a conduzirem-nos para fora dele, fornece-nos uma metáfora visual para o relacionamento das personagens. O trabalho do director de fotografia Nicholas Musuraca, que já vinha a trabalhar em filmes desde a década de 20 e cujo trabalho em "Out of the Past" ajudou a redefinir o film noir, é impressionante nesta sequência.
Como já era típico na obra de Ray, este tentava tornar agonizante cada cena, enquanto o produtor Robert Sparks tentava fazer apenas um melodrama romântico. Depois do filme estar terminado, Howard Hughes, como era habitual, e como dono do estúdio, resolveu meter o dedo. Ordenou que algumas cenas fossem refilmadas com outros realizadores, e mudou o final. Ray pediu o direito à montagem final, mas este foi negado. A desculpa é que o final que Ray pretendia não passava nos censores, e quando o filme foi lançado foi criticado como apenas mais uma "soap opera". Com o passar dos anos, e com o culto de Nicholas Ray a crescer, o filme foi re-avaliado, e hoje é considerado uma obra muito maior.

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