quinta-feira, 24 de julho de 2014

Kwaidan (Kaidan) 1964



Um filme que contém quatro histórias distintas: "Black Hair", onde um pobre samurai se divorcia do seu verdadeiro amor para casar por dinheiro, mas tem um casamento desastroso acabando por voltar à sua antiga esposa, para descobrir algo de terrível sobre ela. "The Woman in the Snow": preso numa tempestade de neve um lenhador encontra um espírito da neve na forma de uma mulher, que lhe poupa a vida na condição de ele não contar a ninguém o que viu. Passam-se 10 anos, e ele esquece-se da promessa... "Hoichi the Earless": Hoichi é um músico cego a viver num mosteiro, que canta tão bem que até uma corte real fantasmagórica lhe ordena para cantar uma balada épica da sua morte, para eles. Por fim temos  "In a Cup of Tea", onde um escritor conta a história de um homem que vê refletida na sua chávena de chá a face de um homem.
É irónico que o autor das mais conhecidas e respeitadas histórias de fantasmas japoneses, não seja sequer japonês. Nascido na Grécia, filho de pais gregos/irlandeses, imigrado para os Estados Unidos com a idade de 19, Lafcadio Hearn trabalhou alguns anos como jornalista, em Cincinnati e New Orleans. Mais tarde apaixonou-se pelo Japão, e pelo modo de vida japonês, tendo-se mudado para aí e criado uma família. Continuou a escrever sobre uma enorme variedade de assuntos, alguns dos quais a serem adaptações em prosa dos contos sobrenaturais do folclore japonês. 60 anos depois da sua morte, o realizador Masaki  Kobayashi fez um filme sobre quatros das histórias deste autor. O resultado chamou-se "Kwaidan", literalmente "histórias de fantasmas", hoje em dia celebrado como um dos filmes mais importantes a saír do Japão nos anos sessenta.
As histórias são na sua maioria simples de estrutura (reflectindo a sua pouca duração literária), tal como devem ser as histórias de ficção e horror. Depois de tantos anos passados, e das histórias terem percorrido o Oriente e o Ocidente, continuam a ser tão assustadoras como eram antes. Por vezes surreal na sua evocação de acordar de um pesadelo, o drama é frequentemente expressionista, na exteriorização da angústia mental dos seus personagens. Visualmente o filme é impressionante, de uma beleza tão assombrosa que é de tirar o fôlego. A fotografia de Yoshio Miyajima, e a direção de arte de Shegemasu Toda servem a história em atmosfera, por vezes numa forma semi-abstracta ou simbólica.
"Kwaidan" é um filme difícil de classificar, e é um exemplo interessante das tentativas infrutíferas de tentar classificar um filme num determinado género. Inclui alguns elementos de terror e sobrenatural, mas também é um notável filme romântico, e por vezes estes tons conflitantes são montados em contraste um com o outro. No fim de contas, não são as histórias em si, mas o modo como elas são contadas, que fazem de "Kwaidan" um filme tão magnífico. Combinando a majestosa ópera com o minimalismo de uma peça de teatro.
"Kwaidan" foi originalmente lançado no Oeste numa versão de 125 minutos, mas fez-se uma restauração que lhe devolveu os 164 minutos originais. É essa a versão deste post.
Conseguiu uma nomeação para um Óscar de Melhor Filme em língua estrangeira.
Legendado em inglês.

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Imdb

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