segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Capítulo 8 - Heróis do VHS

Desaparecido em Combate (Missing in Action) 1984
O coronel das Forças Especiais James Braddock precisa de trazer de volta soldados norte-americanos que ainda estão a ser mantidos como prisioneiros no Vietname. Contando com a ajuda da funcionária do Departamento de Estado e de um ex-colega do Exército, Braddock reúne informações altamente confidenciais e armamento da última geração. Braddock forma então um exército de um homem só, disposto a invadir o Vietname para localizar e salvar os seus restantes companheiros desaparecidos em combate.
Um dos filmes de acção mais famosos dos anos oitenta, que originou uma vaga de filmes revisionistas sobre a Guerra do Vietname. O argumento de James Bruner é tipicamente tão anticomunista que faria Ronald Regan orgulhoso. A questão de soldados americanos ilegalmente mantidos no Vietname e do campo minado da diplomacia burocrática já tinha sido explorada com algum efeito em "Uncommon Valor" (1983). Mas onde "Uncommon Valor" procura desenvolver as personagens, motivações, e o estado emocional, "Missing in Action", como veículo promocional de Norris, opta por todos os tipos de acção. A odisseia do coronel James Braddock chegou aos cinemas pouco antes do seu copycat, "Rambo: First Blood Part II" (1985).
Com um modesto orçamento de 2,5 milhões de dólares (ao contrário de "Rambo: First Blood Part II", que tinha um orçamento de 44 milhões) o realizador Joseph Zito consegue fazer milagres. Ele foi, sem dúvida, prejudicado pela estratégia económica da Canon Films, mas era extremamente eficiente a trabalhar com baixos orçamentos, já tinha sido assim com "The Prowler" (1981) e "Friday the 13th: The Final Chapter" (1984), dois interessantes filmes de terror. "Mission in Action" foi uma das entradas mais importantes nos filmes dos anos 80 transbordantes em  testosterona e machismo. Podem ler mais sobre ele, aqui.

Invasão EUA (Invasion U.S.A.) 1985
Mikhail Rostov (o eterno vilão Richard Lynch) é um terrorista russo que resolve, literalmente, invadir os Estados Unidos. Junta uma quadrilha de mercenários e terroristas de todo o mundo, liderados por ele e pelo seu braço direito, Nikko (Alexander Zale), e entram facilmente no território americano, iniciando uma série de atentados e assassinatos que seria o início da auto-proclamada "Invasão dos Estados Unidos". O plano de Rostov é jogar os próprios americanos uns contra os outros e fazer ruir a democracia americana. E só há uma pessoa capaz de o deter: Matt Hunter (Chuck Norris).
 Apesar da sua longa associação com Charles Bronson, e a sua curta colaboração com Sylvester Stallone e Jean-Claude Van Damme, Chuck Norris era, inquestionavelmente a jóia da coroa da Canon Films desde meados dos anos 80 até ao início dos anos 90. Era uma estrela internacional que não ligava a nomes, nem se importava com argumentos, desde que tivesse hipóteses de dar uns tiros e pontapés. Em "Invasion USA" ele escreveu o argumento em conjunto com James Bruner, a partir de uma história do seu próprio irmão, Aaron Norris, ´que tinha trabalhado como duplo em vários filmes do seu próprio irmão. Joseph Zito era de novo o realizador, depois de "Desaparecido em Combate".

Força Delta (Delta Force) 1986
Quando um avião norte-americano de passageiros é sequestrado e levado para Beirute, o Presidente chama a Força Delta - uma equipa de ataque comandada pelo Coronel Nick Alexander (Lee Marvin) e o Major Scott McCoy (Chuck Norris). Enfrentando todas as adversidades, os homens invadem o esconderijo e - sem levar nenhum prisioneiro - resgatam os reféns. Mas a missão ainda não acabou. Alguns passageiros remanescentes estão a ser "escoltados" a Teerão, o que dá início a uma corrida contra o tempo à medida que Alexander e McCoy tentam salvá-los e vingar a honra da América, antes que seja tarde demais.
Vagamente baseado num sequestro do voo 847 da TWA, é um filme muito parecido com os blockbusters da série "Aeroporto". Introduz-nos a um número elevado de personagens (na forma típica dos filmes da série "Aeroporto", como Martin Balsam, Joey Bishop, Shelley Winters, Lainie Kazan, ou George Kennedy), antes de serem todos empurrados para um avião comercial em Nova Iorque, e serem raptados por dois terroristas libaneses (Robert Forster, David Menachem) que protestam a existência de Israel. A mais estranha e impressionante coisa sobre o filme, é o balanço entre heróis e vilões. Em vez do heroísmo exagerado esperado o realizador/ produtor/ co-argumentista Menahem Golan (ele próprio um israelita), permite que a Força Delta faça algumas coisas más, e os terroristas façam algumas coisas boas. Não era exactamente um filme com o preto no branco, como era habitual na tarifa da Canon.
O elenco era recheado de estrelas, e para além das faladas em cima contava ainda com: Hanna Schygulla, Susan Strasberg, Bo Svenson, Robert Vaughn, Kevin Dillon, e Liam Neeson.
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domingo, 27 de novembro de 2016

Capítulo 8 - Heróis do VHS

O tempo do VHS era o tempo dos grandes heróis de acção. Aqueles que entrassem em que filme entrassem, era sempre um sucesso garantido. Se não fosse nos cinemas, era nos clubes de vídeo. Quem é que nunca saíu de um clube de vídeo com uma cassete do último filme do Sylvester Stallone ou do Chuck Norris? Vamos ver alguns destes filmes nos próximos três dias.

Os Falcões da Noite (Nighthawks) 1981
Quando Wulfgar (Rutger Hauer), o mais temido terrorista da Europa, de forma repentina e explosiva, anuncia a sua presença na cidade de Nova Iorque, dois agentes secretos, Deke DaSilva (Sylvester Stallone) e Willis Fox (Billy Dee Williams) são destacados para a tarefa praticamente impossível de localizá-lo antes que ataque novamente. No jogo de gato e rato brutal que se segue, o terrorista fere Willis, mantém diplomatas das Nações Unidas e suas famílias como reféns num teleférico sobre a cidade e consegue estar a um passo à frente de Deke DaSilva.
"Nighthawks" é um filme com um passado muito sórdido. Começou por ser a terceira parte de "French Connection", mas quando Gene Hackman saíu o projecto afundou. Depois tornou-se no filme que conhecemos hoje, mas com bastante tumulto ao longo do caminho. Sylvester Stallone, que gozava de alguma reputação por causa da saga Rocky (já ia no segundo episódio), resolveu fazer a vida negra ao seu antagonista, Rutger Hauer (primeiro filme na América, ainda antes de "Blade Runner"), e a tensão cresceu durante as rodagens. O realizador original, Gary Nelson, foi substituído por Bruce Malmuth e Stallone teve algumas cenas cortadas por causa da violência, e problemas com a MPAA.
Para Sylvester Stallone era o início de uma nova fase da sua carreira, a de herói de acção. No ano seguinte entrava no primeiro Rambo, e a partir daqui, até, pelo menos meados dos anos noventa, entraria num elevado número de filmes de acção com relativo sucesso, independentemente da qualidade dos filmes.

Cobra - O Braço Forte da Lei (Cobra) 1986
Cobra é um policia que sabe tudo sobre o submundo da cidade grande, e, também, é um especialista em tarefas impossíveis que ninguém mais quer fazer. O seu nome faz estremecer de medo a sociedade marginal, e os seus métodos pouco ortodoxos criam uma paranóia extrema, mesmo entre os colegas policias. Agora, um terror igualmente mortal acelerou o pulso da cidade, e Cobra foi escolhido: ele tem total liberdade de ação para encontrar o assassino que anda a matar, de forma impiedosa e selvagem, como uma besta que escapou do inferno. Mas este monstro não age sozinho. Ele é o líder de um bando de assassinos psicopatas, auto denominados Nova Ordem, determinados a eliminar a única testemunha que pode ameaçar o anonimato do grupo: uma bela modelo (Brigitte Nielsen) que felizmente está sob a custódia protetora de Cobra.
Um dos filmes mais polémicos de Sylvester Stallone que abriu inúmeras discussões em relação ao tema abordado pela história, mostrando uma visão distorcida do policia e do seu papel na sociedade, fazendo justiça pelas próprias mãos. Foi também dos filmes de acção mais violentos dos anos oitenta.
Apesar de toda a polémica, acabou por se tornar um êxito, tornando-se uma das personagens mais famosas do actor. O realizador era George Pan Cosmatos, que já tinha realizado no ano anterior a segunda parte de Rambo, e o elenco contava com a super sexy Brigitte Nielsen, uma famosa modelo dinamarquesa então casada com Stallone, e que já tinha protagonizado "Red Sonja".

Tango e Cash (Tango & Cash) 1989
Ray Tango (Sylvester Stallone) e Gabriel Cash (Kurt Russell) são dectetives do departamento de narcóticos. Ambos são extremamente bem sucedidos na carreira mas, no entanto, não se "cruzam" muito. Enquanto isso Yves Perret (Jack Palance), um chefe do crime, está furioso por perder muito dinheiro, porque Tango e Cash atrapalham os seus "negócios". Assim, Perret articula um plano no qual os dois detectives são incriminados pela morte de um agente, em que além de estarem ao lado da vítima quando foram presos a arma do crime era o revólver de Cash, que foi encontrada no local do crime.
De todos os filmes de acção dos anos oitenta de grande orçamento este tem de ser o mais estupidamente divertido de todos. Um buddy cop movie na tradição de "Lethal Weapon", onde dois polícias se autoproclamam o policia número um de Los Angeles. Nunca se encontram em trabalho, por causa dos seus egos, mas depois de irem parar à cadeia vão ter de se unir para sobreviverem e capturarem os culpados.
Realizado pelo russo Andrey Konchalovsky, que nunca tinha feito algo parecido, o mais próximo tinha sido "Runaway Train", sobre dois proscritos em fuga, num comboio sem travões, tem algumas cenas de acção impressionantemente encenadas, e basicamente é um filme só para os fãs da acção pura e dura.

sábado, 26 de novembro de 2016

Capítulo 7 - Suspense

Anatomia do Golpe (The Grifters) 1990
Lilly (Anjelica Huston) trabalha para um gangster e aposta o dinheiro dele em corridas de cavalos. Afastada há muitos anos de Roy (John Cusack), o seu filho, decide reencontrá-lo, provocando reações de amor e ódio. Torna-se rival da sua namorada, Myra (Anette Benning), o que faz disputar o amor do próprio filho.
Um film noir moderno, absorvente e muito bem interpretado, retirado de um obscuro livro de Jim Thompson, e adaptado para o cinema por Donald Westlake. Os personagens são complexos, as situações do filme são bastante autênticas, enquanto que o objectivo do filme parece enigmático, ainda que pareça fascinante.
Realizado pelo britânico Stephen Frears, era a segunda vez que dirigia em território britânico, e com sucesso, depois de "Dangerous Liaisons", de dois anos antes. "The Grifters foi lançado quase ao mesmo tempo no cinema que outras duas obras de Thompson, "Kill Off", de Mary Greenwald, e "After Dark, My Sweet", de James Foley. Contudo, o marketing da Miramax, e a presença muito publicitada de Martin Scorsese como produtor executivo, levaram o filme a ser um sucesso crítico e a conseguir quatro nomeações para os Óscares em categorias importantes: Anjelica Huston, Anette Benning, realizador e argumento. Mesmo assim alcançou resultados de bilheteira modestos.

Diva e os Gangsters (Diva) 1981
Jules, um jovem carteiro apaixonado por ópera que está particularmente fascinado pela voz de uma diva, que raramente se apresenta e não permite que os seus cânticos sejam gravados. Levado pela sua obsessão, ele faz uma gravação pirata durante um de seus espetáculos, tornando-se alvo de perigosos gangsters.
Ao vermos "Diva", de Jean-Jacques Beineix, é difícil não pensarmos em outros filmes, como "Janela Indiscreta", de Alfred Hitchcock ou "Blowup" de Michelangelo Antonioni, este "thriller" francês é um filme sobre ver filmes.O que é impressionante em "Diva" é a integridade dada aos personagens, e a relutância em repetir outras personagens em filmes do mesmo género.
Seria a primeira obra de Jean-Jacques Beineix, e conseguia logo algum reconhecimento internacional, ao ser nomeado para Melhor Filme em Lingua Estrangeira, nos British Awards, num ano em que concorria com diversos tubarões, como Francesco Rossi, Wolfgang Petersen ou Werner Herzog. Cinema francês em VHS era uma coisa rara, mas este filme de Beineix era imperdível.

A História de um Soldado (A Soldier´s Story) 1984
No final da Segunda Guerra Mundial o Capitão Davenport (Howard E. Rollins, Jr.), um orgulhoso negro, advogado do exército, é mandado ao Fort Neal, Louisiana, para investigar o brutal fuzilamento do Sargento Waters (Adolph Caesar). Em entrevistas com os soldados, Davenport percebe que o Sargento era um bêbado servil dos brancos, renegando as suas próprias raízes. Seria o assassino um intolerante oficial branco? Ou poderia ter sido um soldado negro, amargurado pelas constantes ofensas raciais de Waters?
 Dirigido por Norman Jewison, baseado numa obra de Charles Fuller vencedora de um prémio Pulitzer, é uma história sobre racismo e segregação num regimento de negros no exército dos Estados Unidos, num tempo e lugar onde um oficial negro não tem precedentes, e os negros eram amargamente ressentidos por quase todos.
Foi um filme dificil de se produzir, mesmo tendo em conta que o realizador Norman Jewison era um peso pesado em Hollywood, já com várias nomeações aos Óscares. Várias produtoras recusaram o filme, até que alguém da Columbia leu o argumento e resolveu produzir. Dado que o tema era tão arriscado só foi dado um orçamento a Jewison de 5 milhões de dólares, ao que ele acabou por aceitar, fazer o filme sem ter salário, para reduzir os custos. Acabou por ter um enorme lucro, rendendo quase 23 milhões nos cinemas, conseguindo ainda três nomeações aos Óscares, incluindo Melhor Filme e Actor Secundário, Adolph Caesar. 

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Capítulo 7 - Suspense

Calma de Morte (Dead Calm) 1989
"Dead Calm" reduz as nossas emoções e arrepios para as suas formas mais raras. Sem um grande argumento elaborado, nem twists ou reviravoltas. Isto é pura tensão, quando encontramos em apuros um homem e uma mulher casados na luta pelas suas vidas contra um inimigo instável, que eles convidaram para bordo do seu veleiro no oceano.
O filme vale sobretudo para os fãs de Nicole Kidman que pretendem conhecer o trabalho da actriz pré-Hollywood, filmado na Australia, terra da sua descendência, tal como do realizador Philip Noyce, também ele prestes a mudar-se para Hollywood. Kidman mostra aqui algumas das suas melhores capacidades de interpretação jogando com o terror, medo e força de vontade, tudo ao mesmo tempo e de forma muito realista. Depois é coadjuvada por dois actores no topo da forma, Sam Neill e Billy Zane, que dá ao seu personagem um apelo assustador, que parece ao mesmo tempo assustador e sedutor, aterrorizante e simpático.
A história já se disse que não era das melhores, mas "Calma de Morte" funciona muito bem o tempo todo. Tornou-se num filme australiano de culto.

O Inquilino Misterioso (Pacific Heights) 1990
Drake e Paty (Matthew Modine e Melanie Griffith) realizam o seu grande sonho, comprar uma casa vitoriana. Mas para pagar as despesas eles tem que alugar uma parte da casa. Carter Hayes (Michael Keaton) parece ser o inquilino ideal: rico, charmoso e bem sucedido. Assim que começa a morar na casa, coisas estranhas começam a acontecer. A solução é despejá-lo, mas quando tomam esta atitude tem início a uma crescente guerra psicológica contra o indefeso casal. Drake e Paty não podem perder esta guerra, porque isso pode custar a sua relação, a casa e talvez as suas vidas. E para piorar a situação, a lei está do lado de Hayes.
Um filme sobre os horrores das regras e regulamentos. Um exemplo do sistema jurídico moderno, um sistema destinado a proteger os inocentes, mas frequentemente abusado por aqueles que são maus. "Pacific Heights" conta a história do pior inquilino do mundo, um homem que engana todos no seu caminho para conseguir uma nova casa, e de seguida usa cada lacuna legal ao seu alcance para tornar a vida dos seus proprietários num inferno.
Seria o primeiro filme de Michael Keaton depois de "Batman", de Tim Burton. Depois deste filme largava os papéis de cómico a que estávamos habituados,  e começa a fazer cinema mais sério. Como vilão tem uma das suas interpretações mais agradáveis, sobre as ordens do experiente John Schlesinger.

Frenético (Frantic) 1988
Harrison Ford é o Dr. Richard Walker, um médico famoso que, com a sua esposa Sondra visitam Paris pela segunda vez. Da primeira vez, viveram uma lua-de-mel inesquecível, mas agora vão viver momentos de suspense e terror. Tudo começa quando Sondra desaparece misteriosamente do hotel e Walker se vê sozinho numa terra estranha e sem pistas. Até que surge a linda Michelle que resolve ajudá-lo e o leva à aterradora realidade do submundo numa busca incansável pela sua esposa.
Provavelmente não é o melhor filme para o turismo em Paris, mas é muito eficaz como um thriller hitchcockiano, e um triunfante regresso ao género de Roman Polanski, que vinha do enorme fracasso de "Piratas", o seu filme anterior, normalmente considerado um dos maiores fracassos da década. Ainda assim, mesmo com um actor da moda como Harrison Ford, acabaria por ter resultados de bilheteira algo desapontantes.
Harrison Ford tem um desempenho notável como o doutor, e mantém o filme no bom sentido, mesmo quando este está mal orientado. O filme é perfeito nos primeiros 45 minutos, com um mistério verdadeiramente emocionante, mas as coisas começam a diminuir quando Richard se aproxima da verdade. Podem ler mais sobre o filme aqui.

Na Vigília da Noite (Someone to Watch Over Me) 1987
O detetive Mike Keegan (Tom Berenger) é promovido e tem sua vida virada do avesso. Recebe a missão de proteger a socialite Claire Gregory (Mimi Rogers), uma testemunha de um assassinato importante. Mike luta para manter o profissionalismo, em relação à sua família, mas a cada noite fica mais seduzido pelo mundo glamuroso de Claire. Trabalhando para manter a bela mulher a salvo tenta descobrir os próximos passos do assassino. 
Era o terceiro filme de Ridley Scott na década de 80, e de longe o menos conhecido. Um thriller erótico que triunfa mais como policial do que filme de suspense, em parte pela sua incapacidade de causar sustos. Com cenários deslumbrantes, mostra a extraordinária arte visual de Ridley Scott, um realizador que habitualmente caprichava neste campo, basta nos lembrarmos de "Blade Runner".
A carreira de Ridley Scott está recheada de fracassos, mas este acaba por não ser dos maiores, visto que o seu orçamento também era mais reduzido.Há uma tentativa de aproveitar Tom Berenger como protagonista, depois do actor ter sido nomeado para um Óscar em "Platoon", mas os filmes seguintes não correram muito bem. Este seria o pimeiro depois da nomeação.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Capítulo 7 - Suspense

A palavra "suspense" já há muito que foi retirada dos dicionários dos cinéfilos. Sofreu uma americanização, e agora passou a ser chamado de "thriller". Não se sabe bem de onde vem este género, mas se teve algum impulsionador, sem dúvida que foi Alfred Hitchcock. Hitchcock desenvolveu a premissa do "suspense" de forma brilhante, ousando sugerir, mais do que mostrar, a violência que o seu conhecimento podia acarretar, sobretudo com as pessoas que o espectador mais facilmente se podia identificar. Os anos oitenta foram óptimos para esta premissa, provavelmente tão bons ou melhores que as décadas anteriores. Vamos conhecer neste capítulo alguns dos filmes de suspense mais brilhantes.

Sangue Por Sangue (Blood Simple) 1984
No Texas, o dono de um bar que normalmente não é reconhecido como uma boa pessoa, contrata um detective privado obscuro para obter provas (fotográficas) de que a sua esposa o anda a enganar com um dos empregados do bar. Quando o casal adúltero descobre que o marido percebeu a traição resolvem fugir, mas o marido enganado volta a contratar o detective, desta vez para matar o casal e esconder os cadáveres num sitio onde não possam ser encontrados.
"Blood Simple", o sublime filme de estreia dos irmãos Coen, não envelheceu um bocadinho desde a sua estreia, a mais de 30 anos atrás. Atravessado por uma grande tensão, e cheio de momentos de suspense, bem escrito, e soberbamente construido com um enorme senso de humor negro, é um filme noir deliciosamente perverso, bem modernizado e transportado para as planícies abertas do Texas. Onde o mal, o desejo e a culpa apodrecem nas paisagens húmidas e claustrofóbicas dos filmes noir dos anos 40. Os ingredientes chave estão todos aqui, ou seja, emoções intensas e a vontade de matar por causa dessas emoções, e a história construída de forma desonesta para manter os personagens na tela inconscientes do que realmente está a acontecer.
Brilhante o quarteto principal, Dan Hedaya (o dono do bar), M. Emmet Walsh (o detective), Frances McDormand (a traidora), John Getz (o traidor).

Terror na Auto-Estrada (The Hitcher) 1986
C. Thomas Howell  é um jovem de Chicago que atravessa o pais de carro, até à Califórnia. A estrada do Texas é solitária e o jovem está cansado, mas encontra uma forma de se manter acordado ao dar boleia a Rutger Hauer.Não demora muito para que o jovem fique assustado com o seu passageiro, quando ele lhe diz que decapitou viciosamente a última pessoa que lhe deu boleira, e pretende fazer o mesmo com ele. A partir daqui começa um jogo entre o gato e o rato...
Originalmente foi um fracasso nos cinemas, mas tornou-se num fenómeno de culto para os fãs do VHS e da televisão por cabo. A razão para tal acontecer era muito simples: o filme agarra-nos pelos desenvolvimentos sórdidos, e nunca mais pára até ao seu final sangrento, e explosivo. Não faz muito sentido, porque nunca é claro quem é John Ryder ou porque escolheu fazer da vida de Halsey um inferno, mas tentar inventar teorias faz parte da diversão. Em muitos aspectos é um filme derivante de outro jogo mortal entre o gato e o rato, "Duel", de Steven Spielberg, mas também influenciou outros filmes pelo seu próprio direito, como "High Tension" (2003).
Rutger Hauer, o replicant de "Blade Runner" tem um dos seus momentos mais brilhantes. E não esquecer a realização de Robert Harmon" (em estreia), e o argumento de Eric Red (também em estreia), duas enormes promessas que infelizmente não corresponderam às expectativas.

No Rasto dos Assassinos (Cohen & Tate) 1988
Cohen e Tate são dois assassinos profissionais contratados pela máfia para matar a família Knight e os agentes do FBI que os protegem. Cohen é um atirador profissional e é regido por um determinado código de honra, Tate, no entanto, é um jovem rude e brutal sem escrúpulos. Tendo cumprido sua missão, raptam o filho de Knight e trazem-no para Houston, mas o jovem não é tão inocente como parece.
Escrito e realizado por Eric Red, com um orçamento muito limitado, "Cohen & Tate" seria um dos melhores filmes de suspense dos anos 80. E aqui tem que se falar em Eric Red, uma grande promessa do cinema americano independente, numa altura em que não havia cinema independente. Red tinha-se destacado como argumentista de duas das obras mais promissoras dos anos 80, "The Hitcher" e "Near Dark", e seria com todo o mérito que lhe seria dada uma hipótese de realizar a sua primeira obra com este "Cohen and Tate". Os três filmes (poderão ser todos vistos neste ciclo) têm um ponto em comum: pegam num outsider inocente, e atiram-no para o meio do perigo, com um ou mais psicopatas.
Red poderia ter feito uma carreira brilhante, mas dois anos depois viu-se envolvido num acidente que mudaria a sua vida. Matou duas pessoas involuntariamente e tentou cortar a sua própria garganta. Levou meses para se conseguir livrar de acusações em tribunal, e isso acabou por trazer implicâncias para a sua carreira. Também escreveria o argumento de "Blue Steel", de Kathryn Bigelow.

Perigosa Sedução (Sea of Love) 1989
Em Nova Iorque, ao investigar um caso no qual homens são assassinados depois de responderem a um anúncio de correio sentimental, o detective Frank Keller envolve-se na investigação, e ennvolve-se com Helen Cruger, a principal suspeita. Quanto mais ele se apaixona, mais provas surgem para incriminar Helen.
Se há um papel que parece destinado a Al Pacino é o de policia. E se "Sea of Love" não é dos seus melhores filmes, é a sua interpretação que faz o filme ser tão interessante. Com alguns toques que parecem inspirar o resto do elenco (Ellen Barkin muito bem no papel de mulher fatal, e John Goodman como polícia), Pacino estava afastado do cinema já há quatro anos, desde a sua interpretação em "Revolução" de Hugh Hudson, já no ano de 1985, e como esse filme tinha sido um grande flop, haveria que ter cuidado no regresso. Não foi preciso muito trabalho para o realizador Harold Becker levar o trabalho a bom porto. Bastou o argumento de Richard Price, e Al Pacino entrar em modo de piloto automático.
Pacino ficou fora dos Óscares, mas ainda conseguiu uma nomeação para os Globos de Ouro. O seu primeiro e único Óscar só seria conquistado quatro anos depois, em "Scent of a Woman".

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Capítulo 6 - Policial

Brigada de Homicídios (Homicide) 1991
O detective Bob Gold (Joe Mantegna) tem de capturar um assassino que nem o FBI consegue apanhar. Mesmo antes de começar é enviado para outro caso do assassinato de uma velha senhora judia numa zona habitada por negros. As evidências apontam para um grupo de ódio aos judeus, mas o caso não é tão linear como parecia à primeira vista.
"Homicide" era o terceiro filme de David Mamet como realizador, depois de se estrear em 1987 com "House of Games", e "Things Change", de 1989, que já vimos neste ciclo, e é um dos seus filmes mais estranhos e atraentes. Embora comece como um thriller policial convencional, gradualmente transforma-se num psicodrama sobre a crise de identidade de um detective, que o leva a um mundo negro de organizações secretas e violência.
Com o director de fotografia Roger Deakins (favorito dos Coen) atrás da câmara, "Homicide" é um filme visualmente impressionante, que rapidamente desvia qualquer criticismo ao background teatral de Mamet. Concorreu no festival de Cannes de 1991.

Pacto Fatal (Best Seller) 1987
Ao planear a vingança contra um executivo corrupto, Cleve (James Woods), um assassino profissional, junta-se a um ex-policia (Brian Dennehy), agora tornado escritor de sucesso, para executar o seu plano. Mas essa aliança irá tornar-se perigosa, pois pode solucionar um caso misterioso, e os verdadeiros criminosos já estão no encalce destes dois homens.
Realizado por John Flynn, e com argumento de Larry Cohen, "Best Seller" tem o seu argumento mais forte na presença electrizante de James Woods, um dos grandes actores dos anos 80, sempre em papéis bastante complexos e em registos diferentes, acrescentado uma enorme complexidade ao personagem principal. É dificil imaginar outro actor neste papel, e o que leva a pensar se ele terá sido feito exclusivamente para o actor, já que ele mistura um charme maléfico com uma intensidade maníaca, atirando para segundo plano Brian Dennehy, que também tem uma admirável prestação.
O realizador John Flynn foi sempre um dos realizadores mais ignorados deste período, realizando dois filmes de culto dos anos 70, "The Outfit" e "Rolling Thunder", traz aqui uma qualidade extra ao filme. Podem ler um pouco mais sobre o filme aqui, num texto magnifico do João Palhares.

A Câmara Secreta (The Star Chamber) 1983

Steve Hardin (Michael Douglas), um jovem juiz precisa de dar satisfações à sua consciência quando criminosos deploráveis são libertados no seu tribunal devido à ação de advogados espertalhões que encontram buracos na lei. Hardin sente-se totalmente impotente até que descobre "O Esquadrão da Justiça", um pequeno grupo de homens poderosos determinados a estabelecer a sua própria justiça vigilante. Em reuniões secretas e a portas fechadas, eles decretam as suas próprias sentenças para os culpados que escaparam do sistema sem pagar pelos seus crimes.
"A Câmara Secreta" tem para nos oferecer provocadores conflitos morais e éticos que lidam com a complicada dicotomia do sistema da justiça. Por um lado as leis existem para proteger as pessoas inocentes de serem exploradas pelos agentes da polícia, por outro lado podem não ser suficientes para condenar pessoas que se sabe que são culpadas, com os criminosos a conseguirem escapar às grades. Isso coloca a questão de se as leis devem ou não ser seguidas, e se a protecção do público esta comprometida.
Reakizado por Peter Hyams, contava ainda com Hal Holbrock no papel de um grupo de policias renegados, depois de um papel muito parecido em "Magnum Force".

Os Duros Não Brincam (Though Guys Don´t Dance) 1987
A maior parte da história é contada em flashback: Dougy Madden (Lawrence Tierney) visita o filho Tim (Ryan O´Neal) pela última vez porque tem cancro. E Tim está a sofrer um bloqueio na sua criatividade, também por conta dos efeitos de muitos anos de bebida, drogas e sexo.A sexy esposa de Tim, Patty Lariene (Debra Stipe), deixou-o recentemente e ele tenta refazer a sua ligação com a ex-mulher Madeleine (Isabella Rossellini), que agora está casada com um chefe da polícia psicótico, Alvin Luther Regency (Wings Hauser).Um crime vai acontecer, e ele é o principal suspeito.
17 anos depois de "Maidstone", Norman Mailer, um escritor que já tinha ganho dois prémios Pulitzer, volta para trás das câmaras, num argumento promissor, homenageando o film noir. O argumento era baseado num livro seu, tendo ele próprio escrito o argumento com alguns toques nos diálogos de Robert Towne, que por sua vez já tinha recebido um Óscar num filme parecido, "Chinatown". Infelizmente tudo correu mal, e o filme foi uma das grandes desilusões dos anos 80. Acabou com a carreira de Ryan O´Neal, que nunca mais conseguiu entrar num filme decente, e conseguiu sete nomeações para os prémios negativos da moda, os Razzie Awards. Mesmo assim foi respeitado por uma pequena parte da crítica, que o classificou como um interessante neo-noir.

sábado, 19 de novembro de 2016

Capítulo 6 - Policial

Foi ainda no início deste blog que eu fiz um ciclo chamado "Policiais dos anos 80". Foi um ciclo que me deu bastante prazer a fazer, e pelo qual deu para perceber o "boom" do cinema policial nesta década, acompanhando igualmente a explosão do periodo do VHS. Se houve um género que os video clubes ajudaram a desenvolver foram os policiais. Muitos deles não tiveram a devida divulgação nas salas, com passagens despercebidas, enquanto outros se tornaram autênticos sucessos, como "Beverly Hills Cop" ou "48 Hours". Se seguirem este capítulo aconselho também a seguirem o ciclo dos "Policiais dos anos 80", caso não o tenham feito já.

A Máfia em Paris (Détective) 1985
Dois detectives investigam acontecimentos estranhos num hotel em Paris, enquanto um pugilista se prepara para um importante combate. Ao mesmo tempo entra em cena um casal que quer ajustar contas com o empresário do pugilista, e alguns malandrins, que tentam reaver dinheiro que lhes é devido.
Jean-Luc Godard no território do policial, puro e duro. Aqueles não familiarizados com as histórias de Godard. o uso intrusivo de música clássica, certamente que encontrarão neste filme uma experiência perturbadora. Mas os fãs de longa data do realizador facilmente reconhecerão aqui algumas obsessões familiares: a dificuldade em determinar a "verdade" de qualquer coisa, os constantes mal-entendidos entre os homens e as mulheres, o caos da vida urbana, e o impacto dos mídia em tudo, desde o desporto até ao sexo. O filme pode ser considerado como um tributo ao film noir. Os homenageados no grande ecrã são John Cassavetes, Edgar G. Ulmer, e Clint Eastwood. 
Contavam-se pelos dedos de uma mão os filmes de Godard disponíveis em VHS. Para além deste, só havia mais 4: "Atenção à Direita", "O Desprezo", "Eu Vos Saúdo, Maria" e "Pedro, o Louco". Dois clássicos, e três contemporâneos, era tudo o que havia do realizador.
Imdb 

Morto à Chegada (D.O.A.) 1988
Um professor universitário e escritor (Dennis Quaid) chega, já envenenado, a uma esquadra da polícia, mas ainda ajuda a descobrir quem o envenenou. O título do filme, "D.O.A.", significa "dead on arrival", mas convém esperar para ver se o herói acaba mesmo morto no fim. Para descobrir o assassino o protagonista vai contar com a ajuda de uma aluna, interpretada por Meg Ryan.
Estreia na realização de uma dupla de realizadores, Annabel Jankel e Rocky Morton, que só fariam mais um filme na carreira, o terrível "Super Mario Bros.". Aqui fazem um remake de um famoso noir dos anos cinquenta, realizado por Rudolph Maté. Os dois realizadores criaram a personagem de Max Headroom em 1984, e estavam destinados a ser uma dupla de sucesso, mas o fracasso de "Super Mario Bros" parece ter condenado a sua carreira. É essencialmente um filme de perseguição, com um ritmo rápido e algumas boas interpretações. Meg Ryan aparece aqui em inicio de carreira, pela segunda vez contracenando com Dennis Quaid, com quem tinha inciado uma relação durante as rodagens de "Innerspace". 
O filme também tinha um bom elenco de secundários: Charlotte Rampling, Daniel Stern e Brion James. 

Crime em Campo de Cebolas (The Onion Field) 1979
Dois polícias (John Savage e Ted Danson) abordam dois tipos na estrada por causa de um farol no carro onde viajavam. Acabam por ser desarmados e ficam reféns dos dois homens. Um dos policias é morto num campo de cebolas, o outro consegue fugir. Daqui para a frente o filme gira à volta do policia que ficou vivo, e dos dois criminosos que foram logo capturados e agora disputam na justiça o adiamento da sua pena de morte.
Realizado por Harold Becker em inicio de carreira, um realizador que se tornaria especialista no policial e o no thriller, e que teve no seu melhor filme "Sea of Love", com Al Pacino e Ellen Barkin. A história é baseada em factos reais, num livro best seller de Joseph Wambaugh, um homem que era polícia antes de se tornar escritor. Dois anos antes Robert Aldrich tinha feito um filme a partir do seu livro "The Choirboys", que tinha odiado, tal como os críticos. Depois desta experiência estava determinado a não perder o controlo de qualquer outra adaptação sua. Quando surgiu a idéia de adaptarem "The Onion Field", um dos seus livros mais famosos, não só tomou conta do argumento como também investiu dinheiro na sua produção. Queria, sobretudo, mostrar como as coisas realmente tinham acontecido, sem os aditivos de Hollywood, e o resultado é um trabalho extremamente profissional, mas que sofria em comparação com outros policiais dos anos 80 e 90. 
James Woods, no papel de um dos criminosos, é o melhor do filme, conquistando uma nomeação para os globos de ouro. 

Brigada Anticrime (Sharky´s Machine) 1981
Tom Sharky (Burt Reynolds) é um policia dos narcóticos em Atlanta, que foi rebaixado depois de uma captura mal sucedida. Nas profundezas desta humilde divisão, ao investigar um caso de alta prostituição, Sharky tropeça num assassinato da Máfia com laços governamentais, e responde reunindo a sua equipa de investigadores ("sharky´s machine") para descobrir os cabecilhas dos criminosos e leva-los à justiça, antes que estes matem todos os investigadores e testemunhas, incluindo o próprio Sharky. 
Burt Reynolds atrás e à frente das câmaras, no seu filme mais maduro até aos dias de hoje, numa obra bastante fiel ao livro de onde é inspirado, "Born Innocent", escrito por William Diehl. Infelizmente grande parte da rica narrativa do livro foi perdida nas duas horas de duração do filme, mas Reynolds estava mais interessado na caracterização das personagens e nas sequências de acção, e nesse campo trabalhou muito bem. É um filme violento, uma espécie de primo não muito afastado de "Dirty Harry", mas Reynolds contrabalança as sequências de violência com uma pitada de humor. 
Tem um grande elenco, que inclui nomes como Vittorio Gassman, Brian Keith, Charles Durning, Henry Silva, Rachel Ward, entre outros.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Capítulo 5 - Infantil

 Tartarugas Ninja (Teenage Mutant Ninja Turtles) 1990
Nos esgotos de Nova Yorque, quatro tartarugas e um rato tornaram-se mutantes depois de entrarem em contacto com um líquido radioativo. O rato (Mestre Splinter) por ser mais sábio criou e educou as tartarugas. Ele era um rato mascote de um conhecedor de artes marciais e ensinou as tartarugas a arte do Ninjitsu. Quinze anos depois, uma onda de crimes impera em Nova Yorque,uma misteriosa quadrilha liderada pelo terrível Destruidor é responsável por esses crimes. April O'Neil uma repórter televisiva é atacada quando investigava esta quadrilha e é salva pelas Tartarugas. Depois dos Ninjas do Destruidor capturam o Mestre Splinter, as quatro Tartarugas juntam-se a April e a Casey Jones para salvá -lo e derrotar o perigoso gang.
"The Teenage Mutant Ninja Turtles" foram um fenómeno entre os adolescentes em meados dos anos 80, depois de um humilde inicio nos quadradinhos, expandiram-se com uma linha de figuras de acção que chegaram ao mercado em 1987, coincidindo com uma popular série de desenhos animados que saíu no mesmo ano. Uma explosão maciça de merchandising seguiu-se, incluindo cereais, roupa, jogos de vídeo, e uma disposição infinita de artigos. O filme chegou em 1990, embora estranhamente, apesar do apetite voraz do público, teria de ser uma pequena companhia (New Line), para trazer a história para a grande tela, com um orçamento modesto de 13 milhões de dólares. Viria a render 10 vezes mais só nos Estados Unidos, fora a rentabilidade que conseguia no mercado de vídeo, que estava em altas nesta altura.
A realização era de Steve Barron, um homem mais virado para os videoclipes. O filme teve três sequelas.

História Interminável (Die unendliche Geschichte) 1984
Quando o jovem Bastian "pediu emprestado" um misterioso livro jamais sonhou que ao virar uma página seria levado a um mundo de fantasia onde pudesse ver um caracol de corrida, um morcego planador, um dragão da sorte, elfos, uma Imperatriz Menina, o valente guerreiro Atreyu e uma pedra ambulante chamada Come-Pedra. Vai parar ao estranho mundo de Fantasia, que precisa desesperadamente de um herói para o salvar.
Não é lá muito bom saber que o autor do livro (Michael Ende) quis o seu nome retirado dos créditos finais do filme. "História Interminável" é um filme muito adorado por aqueles que o vêm através dos olhos indiscriminados de uma criança, ou por todos aqueles que se sentem nostálgicos por tudo aquilo que viram na infância. De resto é um filme muito imaginativo, com bons efeitos especiais, e uma espécie de filme de culto para aqueles que viveram os anos 80.
Sendo ele uma co-produção entre a Alemanha e os Estados Unidos, foi realizado por Wolfgang Peterson, realizador alemão que vinha de um dos filmes daquele país mais marcantes dos últimos anos, "Das Boot", e que iniciava aqui uma carreira de sucesso em Hollywood.

O Voo do Navegante (Flight of the Navigator) 1986
Numa noite da Flórida, David (Joey Cramer) desaparece e só regressa oito anos depois. Sem ter envelhecido, David aparenta ter a mesma idade de quando foi raptado por extraterrestres e feito uma grande viagem intergaláctica numa nave espacial. Agora o jovem precisa da ajuda dos seus amigos do outro planeta para voltar ao tempo correcto antes que seja tarde demais...
"Flight of the Navigator" é um filme da Disney, realizado em meados dos anos oitenta que tem os seus momentos, mas que sofre de um argumento extremamente simplista, faltando argumentos para sustentar uma longa metragem. A produção é muito barata, com grande parte do seu orçamento a ser desviado para a nave espacial e para os efeitos especiais, mas tem um grande apelo aos jovens, ou não fosse uma produção da Disney.
A realização estava a cargo de Randal Kleiser, realizador que já tinha a seu cargo dois grandes êxitos dos últimos anos: "Grease" e "A Lagoa Azul". O jovem protagonista era Joey Cramer, e elenco de secundários continha nomes como Paul Reubens (voz de Max), Cliff de Young, Veronica Cartwright (de "Alien") e Sarah Jessica Parker.
Imdb 

Viagem Clandestina (The Journey of  Natty Gann) 1985
Natty Gann é uma jovem que, em fuga, decide atravessar a América para ir ao encontro do pai. Os tempos, difíceis, são os da Depressão, nos anos trinta, quando a luta pela sobrevivência separava famílias. A travessia da jovem Natty é minorada pela sua vontade indómita, e pela companhia de um lobo.
"The Journey of Natty Gann" é um dos filmes mais peculiares da Disney com a sua história de uma jovem que viaja pelo país a tentar encontrar o pai. Hoje em dia pode soar bastante típico, principalmente quando temos uma jovem a fazer amigos tanto humanos como animais, mas esta aventura acaba por ser muito pesada para ser apenas um filme para crianças. Temos uma luta de cães, violência, e até um homem que tenta abusar da jovem. E esse talvez seja o problema de "Viagem Clandestina", que acaba por não resultar bem como filme para crianças, para o qual ele foi feito. De resto, todo o filme é muito bem concebido, com grandes exteriores, uma grande energia e um bom ritmo. Também conseguimos algumas boas interpretações, principalmente no papel da protagonista, interpretada por Meredith Salenger, uma jovem de 15 anos que se estreava no cinema. John Cusack e Ray Wise são os co-protagonistas, sendo a realização de Jeremy Kagan.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Capítulo 5 - Infantil

A secção infantil era obviamente para os mais novos. Na década de oitenta, período do VHS, o mercado de animação ainda era um filão para descobrir. Não havia muitas produtoras a produzirem filmes de animação de grande orçamento, como há hoje em dia. A Disney era a mais avançada, e a sua grande rival era a Amblin, que se lançava para o mercado de animação a partir de "Fievel - Um Conto Americano". Mas o mercado infantil não era composto só por filmes de animação. Vamos ver alguns filmes deste período nos próximos dias:

Fievel - Um Conto Americano (An American Tail) 1986
Os ratinhos da família Ratowitz imigram da Rússia para os Estados Unidos no final do século 19 para fugir ao regime czarista. Vão em busca do sonho americano e acreditam que o novo continente era um paraíso de ruas pavimentadas com queijo e sem gatos. Quando finalmente chegam a Nova York, o ratinho Fievel acaba por se perder do resto da família e descobre que a realidade dessa "terra de oportunidades" é bem mais hostil do que ele esperava. Inicia uma aventura para reencontrar a família e sobreviver enfrentado muitos desafios.
Don Bluth era um homem que perseguia um sonho. Sendo ele um Mormón nascido no Texas, lembrava-se de uma América em que a magia fluía dos lápis, canetas e pincéis dos animadores dos filmes. Bluth queria voltar aos gloriosos dias de "Fantasia" e "Pinóquio", a idade de outro em que a arte e a imaginação combinavam para produzir grandes desenhos animados. Bluth tinha sido um animador da Disney em toda a década de 70, e partira para uma nova produtora chefiando um grupo de animadores que resolvera dar um outro rumo aos acontecimentos. "Fievel" era apenas o seu segundo filme de longa-metragem, com a produção a inciar em 1984, em colaboração com Steven Spielberg. Spielberg tinha gostado muito do primeiro filme do realizador, "The Secret of NIMH".
Conseguiu uma nomeação ao Óscar com a canção "Somewhere Out There".

O Segredo de NIMH (The Secret of NIHM) 1982
Prepare-se para conhecer alguns roedores com um segredo de abalar a terra! Nesta linda odisseia animada, a Sra. Brisby, uma gentil mãe rata, planeia mover céus e terras (pelo menos a sua casa) para salvar a família do camponês Fitzgibbon. No decorrer do caminho, ela consegue a ajuda de um adorável Corvo, um Rato coscuvilheiro e uma temível Coruja. Mas, infelizmente, a Sra. Brisby precisa de um milagre da engenharia para mudar a sua casa.
Filme de estreia de Don Bluth a solo, era um filme com uma história substancialmente simples e até um pouco desinteressante, mas com uma incontestável riqueza visual, um dos pontos mais fortes dos filmes de Bluth. A Disney, por esta altura, não gostava de produzir filmes em tons mais sombrios, o que teria levado a alguns dos animadores a abandonarem os seus estúdios. Pouco tempo depois da saída de Don Bluth também saía Tim Burton. O período que a Disney atravessava não era dos melhores, e com a saída destes animadores insatisfeitos as coisas ainda ficariam piores. Mas, com uma história tão obscura, "The Secret of NiHM" não era filme propriamente para ser um sucesso. Todavia, abriria portas para um outro estilo de animação, e a Bluth para trabalhar com Steven Spielberg, que sucederia logo dois anos depois.
Imdb 

Em Busca do Vale Encantado (The Land Before Time) 1988
1988 Esta viagem mágica começa na pré-história, quando os dinossauros ainda vagueavam num lugar ameaçado por tremores de terra e vulcões. Littlefoot, sozinho, decide procurar o Vale Encantado, uma terra de vegetação luxuriante, onde todos os dinossauros vivem em paz. Ao longo do percurso, encontra quatro novos amigos e juntos, vão viver incríveis aventuras. encontrarão terríveis obstáculos e aprenderão lições inesquecíveis sobre a vida e o verdadeiro significado da amizade.
 "The Land Before Time" era a terceira realização a solo de Don Bluth, segunda para a Amblin de Spielberg e Lucas, e apesar de não ser um filme muito infantil fez um êxito considerável nas salas, tendo rendido quatro vezes o seu budget, tornando-se depois um hit no mercado de vídeo. Foi seguido por uma série de sequelas, mas nenhuma delas tinha a carga emocional desta primeira parte, tendo várias delas entrado directamente para o mercado de video.
O filme tem alguns elementos adicionais, como um tenso ressentimento entre Littlefoot e Cera, que não era habitual em produções para crianças, mas este acaba por ser resolvido no final. "The Land Before Time" era basicamente um filme sobre a entrada na idade adulta, e uma história de sobrevivência, resultando muito bem a estes respeito.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Capítulo 4 - Drama

Sexo, Mentiras e Vídeo (Sex, Lies and Videotape) 1989
Ann (Andie MacDowell) é uma mulher frígida casada com o advogado John Mullany (Peter Gallagher) e frequenta um psiquiatra para resolver as suas frustrações. John, o marido, tem um caso com a irmã de Ann, Cynthia (Laura San Giacomo). A vida do casal começa a mudar com a chegada de Graham Dalton (James Spader), amigo de infância de John, que se muda para a cidade. Entre outras curiosidades, Graham grava cassetes com mulheres a falar sobre sexo.
Quando se fala sobre cinema independente americano há o antes e o depois de "Sexo, Mentiras e Vídeo", de Steven Soderbergh. Estreando no festival de Sundance em 1989, este pequeno filme de estreia de Soderbergh custou apenas $1,250 mil dólares, quando ele tinha 26 anos, tornando estrelas um quarteto de jovens actores, que embora reconhecíveis não eram nada populares.O seu título escandaloso intrigou audiências, e levou o filme a tornar-se num sucesso de bilheteira. Quando o filme ganhou a Palma de Ouro em Cannes alguns meses depois marcava uma verdadeira invasão de novos talentos, que faziam frente aos blockbusters de Hollywood.
Um dos filmes mais apropriados para este ciclo que está a decorrer.

Não Dês Bronca (Do the Right Thing) 1989
Sal (Danny Aiello), um ítalo-americano, é dono de uma pizzaria em Bedford-Stuyvesant, Brooklyn, onde também há um armazém cujos donos são coreanos. Com predominância de negros e latinos, é uma das áreas mais pobres de Nova York. Sal é um bom tipo, que comanda a pizzaria com os seus filhos Vito (Richard Edson) e Pino (John Turturro), além de ser ajudado por Mookie (Spike Lee), um funcionário. Sal pretende decorar o seu estabelecimento com fotografias de ídolos ítalo-americanos do desporto e do cinema, o que desagrada à sua freguesia. No dia mais quente do ano, Buggin' Out (Giancarlo Esposito), o activista local, vai até lá para comer uma fatia de pizza e desentende-se com Sal por não existirem negros na "Parede da Fama".
Produzido, escrito, realizado e interpretado por Spike Lee, era a terceira longa-metragem de Spike Lee, e aquela que o catapultava para o sucesso, sendo ainda hoje considerado por muitos como o seu melhor filme. É um estudo complexo das dicotomias da vida diária entre os vários povos de Bed-Stuy. As diferentes etnias misturam-se com os afro-americanos  a levantarem diversas questão sobre a sobrevivência dos habitantes.
Valeu uma nomeação aos Óscares para Spike Lee, como argumentista, e foi exibido em Cannes, na selecção Oficial.

Atraiçoados (Betrayed) 1988
Um radialista judeu é violentamente assassinado, e para investigar o caso o FBI envia a agente Cathy Weaver (Debra Winger), que se envolve emocionalmente com o principal suspeito, Gary Simmons (Tom Berenger). Rapidamente ela descobre algo mais aterrorizante: Gary faz parte de uma organização neonazi que planeia eliminar negros e judeus em nome da supremacia da raça pura americana.
O realizador grego Costa-Gavras regressa ao thriller político seis anos depois de ganhar a Palma de Ouro, com "Missing". Aqui faz um trabalho decente contrastando a solidão da vida no campo com o lado mais obscuro de uma comunidade fechada. O filme perde algum fulgor por causa do cenário de africo-americanos a serem perseguidos por desporto, e um final um pouco desapontante.
Não recebeu muito boas críticas na altura do seu lançamento, mas tem um bom trabalho de actores por parte dos protagonistas, Debra Winger e Tom Berenger, e, sobretudo, pelo excelente lote de secundários: John Heard, Betsy Blair, John Mahoney e Ted Levine.
Gavras costumava trabalhar muito bem os argumentos dos seus próprios filmes, mas aqui talvez tenha ficado a perder com a escolha de Joe Esdterhas.

Bairro de Lata (Cannery Row) 1982
Doc (Nick Nolte) é um biólogo marinho que vive em Cannery Row, área mais baixa em Monterey, Califórnia. Lá, como outros habitantes tenta esquecer o passado. Suzy (Debra Winger) é uma mulher errante que chega à região e começa a trabalhar no bordel. A relação deles é explosiva, embora não de forma romântica. Mas o destino deles está nas mãos dos residentes de Cannery Row: Mack (M. Emmet Walsh) e os jovens, um bando de rebeldes cujos corações estão no lugar certo, mas os cérebros não. 
Grandes expectativas para a adaptação cinematográfica da famosa obra de John Steinbeck "Cannery Row". Marcava a estreia na realização de David S. Ward, conhecido argumentista que já tinha ganho um Óscar com o argumento de "The Sting", e uma dupla de protagonistas importante: Nick Nolte e Debra Winger. Contudo, os mais puristas, diziam que era uma fusão de "Cannery Row" com a sua sequela, " Sweet Thursday", com maior ênfase na segunda, deixando de lado o tom mais negro do primeiro livro, para trazer a visão mais optimista do segundo. 
O livro "Cannery Row" tinha sido publicado pela primeira vez em 1945, e era considerada uma obra dificil de adaptar ao cinema, mas David S. Ward conseguiu-o, juntando os dois livros no mesmo filme. Mas não teve produção fácil, o argumento não seguia uma produção de sucesso de Hollywood, e poucos confiavam 10 milhões de dólares num realizador estreante. Pelo bem, e pelo mal, o filme está aqui.
Imdb 

domingo, 13 de novembro de 2016

Capítulo 4 - Drama

Bird - Fim do Sonho (Bird) 1988
"Bird" evoca a figura genial e trágica do saxofonista Charlie Parker (1920-1955), um exemplo superior dessa sua atitude criativa. A história de Charlie Parker é indissociável do seu protagonismo na criação do chamado som “bebop”. Não admira, por isso, que algumas das personagens marcantes do filme de Eastwood se chamem Red Rodney ou Dizzy Gillispie. Em todo o caso, "Bird" não é um mero inventário de figuras emblemáticas do jazz — é, acima de tudo, uma viagem pelos fantasmas mais íntimos de Charlie Parker.
No papel de Charlie Parker, Forest Whitaker tem aquela que, a meu ver, continua a ser a melhor composição de toda a sua carreira. E importa não esquecer a sua mulher, Chan Parker, interpretada por uma actriz admirável, infelizmente pouco conhecida — é ela Diane Venora. Entretanto, pode dizer-se que Clint Eastwood continua a ser um cineasta de "todos" os géneros: a sua agilidade temática e expressiva tem-lhe permitido ziguezaguear entre os mais diversos registos, reforçando uma imagem de marca muito pessoal — tal como Charlie Parker no jazz, Eastwood é um dos grandes individualistas do cinema americano.
* Texto de João Lopes.

Gente de Dublin (The Dead) 1987
6 de janeiro de 1904 e Dublin celebra o Dia dos Reis num ambiente de neve. Na casa das irmãs Morgan, Julia (Cathleen Delany) e Kate (Helena Carroll), é oferecida uma ceia a amigos e parentes, incluindo a realização de um encontro musical e poético. Já perto do final da celebração, quando boa parte dos convidados já tinham saído, o barítono Bartell D'Arcy (Frank Patterson) começa a cantar uma música triste, que faz com que Gretta Conroy (Anjelica Huston) se lembre de uma antiga paixão que já faleceu. Surpreso com a mudança de comportamento de sua esposa, Gabriel (Donal McCann) interessa-se pela história.
Passado na Irlanda, durante a viragem do século 19 para o século 20, o filme mostra um jantar em casa de uma família com os seus convidados, onde reminiscências e momentos de melancolia trazem indagações e algumas revelações existenciais.
Baseado num conto do mesmo nome do livro "Dubliners", de James Joyce, foi o derradeiro filme realizado por John Huston, e contava com Anjelica  Huston, a sua filha, no papel de protagonista. O argumento era da autoria de outro filme de Huston, Tony Huston, e esta seria considerada a adaptação mais fiel a contos de Joyce, com apenas algumas alterações para ajudar a sua passagem para o cinema.

Os Amantes de Maria (Maria's Lovers) 1984
1946. O veterano de guerra americano Ivan Bibic (John Savage), que foi um prisioneiro de guerra, sofreu uma crise nervosa que só lhe permitia morrer ou sonhar. Assim, ao regressar para a sua pequena cidade natal, Brownsville, na Pensilvânia, ele só pensa em encontrar o seu sonho: uma refugiada jugoslava, Maria Bosic (Nastassja Kinski), uma amiga de infância que se tornou numa bela mulher. Ele sempre sonhou ter com Maria o casamento perfeito, embora ela seja desejada por outros homens. Ivan diz que sonhou tanto com Maria que ela vive nos seus sonhos, não no seu corpo, e é verdade, pois os sonhos dele não são iguais à realidade. Maria e Ivan casam-se, mas ele descobre que não consegue fazer amor com ela.
Andrei Konchalovsky era um realizador russo bastante bem cotado no cinema do seu país, que entre outras coisas, era amigo e colaborador do lendário Andrei Tarkovsky, estreava-se aqui em território americano. Um filme notável porque marcava a estreia de Konchalovsky em língua inglesa, sendo também um dos primeiros filmes de realizadores russos falados em inglês.
Nastassja Kinski, filha de Klaus Kinski, com apenas 23 anos era já uma das maiores sex symbols dos anos 80 graças a filmes como "Tess", "One From the Heart", "Cat People", "Paris Texas", "The Hotel New Hampshire", entre outros, sendo esta uma das suas maiores explosões de sensualidade.
Para além de John Savage o filme conta ainda com o veterano Robert Mitchum, num dos papéis principais.

Havana (Havana) 1990
Final da década de 1950. Vivem-se tempos turbulentos, e a política de Cuba vive uma violenta fase de transição. A poderosa milícia de Fidel Castro bate de frente com o Exército do país, liderado por Fulgencio Baptista, e toma o poder na capital, Havana. É neste cenário conturbado que Jack (Robert Redford), um jogador norte-americano, chega à bela e destruída cidade para organizar um histórico torneio de póquer. Contundo, durante a viagem, ele conhece a bela Roberta (Lena Olin), uma cubana que rouba o seu coração. Pouco depois de se envolverem, a mulher reencontra o marido, o revolucionário Arturo, e os dois acabam presos e torturados. Jack irá tentar ajudá-los...
Um filme que queria ser o "Casablanca" das Caraíbas. Era o regresso de Sydney Pollack ao cinema depois do seu multi-premiado "Africa Minha", e marcava a sétima colaboração do realizador com Robert Redford. 
Apesar de uma recepção considerável na altura, foi um fracasso comercial, tendo em conta que era uma super-produção americana. 
Raul Julia recusou-se a ser creditado no filme depois de não lhe ter sido dado honras de ter o nome ao lado de Redford e Olin no cartaz do filme. O elenco contava com dois actores nascidos em Cuba, Tomas Milian e Tony Plana, para além dos experientes Alan Arkin e Richard Farnsworth. 

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Capítulo 4 - Drama

A prateleira dos filmes de Drama era sempre das mais preenchidas, mas nem por isso das mais concorridas. Normalmente quem se deslocava a um clube de vídeo para procurar um filme em VHS procurava um filme de género, não que o Drama não fosse um género, mas era sempre dos menos procurados. Todavia, depois de uma pesquisa, mesmo pouco minuciosa, encontrava-se por lá belas surpresas. Havia um pouco de tudo nos lançamentos em vídeo, muitos clássicos de Hollywood, poucos filmes em língua não inglesa. "Casablanca", "O Mundo a Seus Pés", a trilogia "O Padrinho", e tantas outras pérolas. Começamos hoje aqui a selecção dos dramas.

O Navio (E La Nave Va) 1983
Orlando é um velho jornalista que embarca no luxuoso navio Glória N., que parte de Nápoles para o ritual do enterro da famosa cantora de ópera Edmea Tetua. Nele também estão amigos e conhecidos da diva, colegas de trabalho e pessoas importantes da época, que escondem as suas disputas internas em prol do funeral. Tudo corria bem, até o capitão resgatar do mar dezenas de refugiados sérvios, que fugiam do seu país e assinalavam o início da primeira Grande Guerra.
Fellini realizou este filme já na fase final da sua carreira, os três últimos seriam "Ginger e Fred", "Entrevista" e "A Voz da Lua". O grande foco do filme é o absurdo das classes altas e a sua ignorância sobre o que se passa no mundo, e isto reflecte-se bem na entrevista do Orlando ao grão duque austríaco. Do brilhante inicio, filmado no estilo de um velho filme mudo, gradualmente misturando som e cor enquanto os passageiros embarcam no navio, até ao grande final operático, "O Navio é um puro deleite visual.
Fellini era dos realizadores italianos mais bem representados em VHS, e mesmo assim tinha apenas cinco obras lançadas no mercado. Apenas uma do seu período neorealista, "La Strada".

Um Dia de Cão (Dog Day Afternoon) 1975
Em 1972, numa tarde quente de Agosto em Brooklyn, dois zés-ninguém demasiado optimistas decidem assaltar um banco. Sonny é o cérebro da operação, e Sal é o seu cúmplice. O plano é conseguir dinheiro para uma operação de mudança de sexo, mas o resultado é um desastre. Não tarda que a rua em frente do banco se tenha transformado num circo de polícias, câmaras de televisão, multidões e até um rapaz de entrega de pizzas.
Por vezes o conceito mais simples pode ser o mais atraente e interessante. Era algo que Sidney Lumet já tinha feito antes com "12 Angry Men", e conseguia de novo com "Dog Day Afternoon", que provavelmente era o filme de assalto mais simples de todos os tempos. Tal como em "12 Angry Men" no território dos filmes de tribunal, é a partir dessa simplicidade que emerge a complexidade, criando um número interessante de personagens, idéias e conflitos.
Foi um dos melhores filmes dos anos setenta, e uma das melhores personagens de Al Pacino.
Imdb 

As Coisas Mudam (Things Change) 1988
Um humilde engraxador, Gino (Don Ameche), concorda em confessar um crime e apanhar de três a cinco anos na cadeia. O crime foi na verdade cometido por um mafioso, que em troca lhe dará uma compensação financeira que lhe dará a chance de realizar o seu sonho: ter um barco de pesca na Sicília. Jerry (Joe Mantegna), um capanga encarregado de vigiá-lo até ao dia do depoimento, decide levá-lo para se divertir no fim de semana antes de Gino ser preso.
O argumentista e realizador David Mamet, que já tinha lidado com o engano em "House of Games", foca-se aqui na importância ética de manter a palavra. Gino recusa-se a voltar com a palavra atrás a Mr. Green (Mike Nussbaum) é como o Thomas Moore de "A Man for All Seasons", quando explica que não pode quebrar um julramento: "when a man makes a promise, he puts himself in his own hands like water. And if he opens his fingers to let it out, he need not hope to find himself again." 
É também um filme sobre a solidão, e o valor de manter a palavra num mundo onde tudo é flúido e fugaz.

As Montanhas da Lua (Mountains of the Moon) 1990
As Montanhas da Lua descreve a expedição levada a cabo em 1854 por Richard Burton e John Hanning Speke em busca da nascente do Nilo. Burton é um explorador polifacetado, culto e dinâmico. Fala mais de 40 idiomas e é também poeta e antropólogo. Speke, mais jovem, é um aventureiro. O seu sonho é viajar para África para explorar terra desconhecidas. Baseado nas suas biografias e nos artigos escritos pelos dois exploradores ingleses, As Montanhas da Lua é uma aventura de descobrimentos, amizade, ambição, traição e arrependimento.
Bob Refelson era um dos realizadores mais emblemáticos dos anos setenta, em parte por causa de "Five Easy Pieces", e realizava apenas o terceiro filme em 10 anos, e num registo muito diferente do que era habitual ver nele. Rafelson conta-nos aqui uma grande história, muito pesada e comovente, mas um pouco afastada da realidade. Era baseado no livro "Mountains of the Moon" de William Harrison, que também escreveu o argumento do filme em conjunto com Rafelson, sendo o livro baseado no próprio diário de Burton e Speke, servindo também de inspiração para o filme. 
Um grande destaque para a beleza da fotografia de Roger Deakins e para a iterpretação de Patrick Bergin, em foco neste inicio dos anos noventa, e de quem já vimos neste ciclo um filme, "Robin Hood".
Link a ser substituido