sábado, 4 de maio de 2013

A Maldição do Lobisomem (The Curse of the Werewolf) 1961



Sobre um bébé indesejado, nascido na noite de Natal, cai uma terrível maldição. Criado por Don Alfredo (Clifford Evans), o jovem Leon (interpretado na fase adulta por Oliver Reed), passa a sofrer transformações em Lobisomem com a chegada da Lua Cheia. Só o amor verdadeiro e a compreensão podem salvá-lo de um terrível destino...
Adaptado do livro de Guy Endore "The Werewolf of Paris", com a sua história a ser alterada para Espanha para acomodar alguns cenários que a Hammer tinha construido neste país para um projecto abandonado sobre a Inquisição espanhola, "The Curse of the Werewolf" tem a sensação de ser um mini-épico. A história estende-se ao longo de vários anos, no espaço de 93 minutos, e o realizador Terence Fisher consegue manter o filme interessante até ao fim. Era desejo de longa data de Fisher fazer uma história de amor, que realmente vem à tona neste filme - definitivamente tem a sensação de um romance trágico, com a história, a ir tão longe como a estipular que "só o amor verdadeiro" pode manter Reed de se mudar para uma besta selvagem. Fisher e o argumentista "John Elder" (um pseudónimo para o produtor Anthony Hinds, que não queria parecer que estava a fazer o trabalho todo) fazem os paralelos entre a licantropia e sexualidade reprimida num tom muito negro - Reed até se transforma uma vez, enquanto visitava um bordel. Apesar das afirmações de alguns cinéfilos revisionistas, o filme não transparece uma imagem anti-católica. Na verdade, o personagem de Reed é, de certo modo, amaldiçoado por Deus - por ser o filho bastardo nascido da violência no dia de Natal -, mas a Igreja é representada no filme por um favor, com o padre (John Gabriel), a fazer o seu melhor para ajudar, mas é impotente. Se há qualquer coisa que o filme sugere, é que a Igreja é impotente para deter os danos causados ​​por uma aristocracia corrupta (encarnada pelo personagem de Anthony Dawson), tornando-se, assim, em mais uma das muitas parábolas colonialistas da Hammer.
Se o filme tem alguma falha, ela encontra-se na estrutura episódica, um problema comum em muitos filmes da Hammer. O prólogo é forte, mas perguntamos a nós mesmos como é que o personagem Don Alfredo é capaz de narrá-lo, uma vez que a acção ocorre muito antes dele entrar na história. Muitos dos personagens secundários infelizmente também fazem pouco. Outro facto, é que Oliver Reed só entra pela primeira vez no filme já numa fase bem avançada. Reed, mesmo nesta fase da carreira (tinha 22 anos quando o filme foi rodado), já é uma presença carismática e Fisher consegue tirar bom proveito disso.
Em termos de valores de produção, o filme é bastante impressionante. Os cenários de Bernard Robinson são ricamente detalhados e desmentem baixas no orçamento. A fotografia de Arthur Grant é extraordinariamente colorida e imaginativa. Alguns críticos lamentaram a decisão de Fisher de manter o lobisomem off-screen a maior parte do tempo, barrando a visão sombria do monstro, mas os efeitos especiais estão bastante razoáveis para uma obra de 1961. 

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1 comentário:

ajanelaencantada disse...

Na altura foi um projecto um pouco diferente para a Hammer Horror, pois deixou o gótico da paisagem inglesa, para um maior exotismo, com contornos de conto de fadas (está implícito o "era uma vez").

Gosto imenso do filme, por todas as decisões tomadas, a estrutura episódica, as várias alegorias, a história de amor, e o facto de o filme não depender da imagem monstruosa do lobisomem.